Dívida pública do Brasil sobe para R$ 8,635 trilhões em 2025
Dívida pública do Brasil fecha 2025 em R$ 8,635 trilhões, alta de +18%, com pressão dos juros e previsão de novo avanço em 2026
A dívida pública do Brasil encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O valor representa uma alta de +18% em relação aos R$ 7,316 trilhões registrados no fim de 2024, evidenciando o avanço expressivo do endividamento federal em um cenário de juros elevados (atualmente em 15% a.a., maior nível desde meados de 2006) e forte necessidade de financiamento.
Sumário
- Quanto é a dívida pública do Brasil em 2025?
- Dívida pública encerra 2025 dentro dos limites projetados
- Por que a dívida pública está aumentando?
- Qual a diferença entre dívida pública federal e dívida bruta do governo geral?
- Dívida atrelada à Selic se aproxima de 50% do total
- Quem são os detentores da dívida pública do Brasil
- Brasil deve pagar mais de R$ 1 trilhão em juros pela primeira vez
- Como o aumento da dívida pública afeta a economia brasileira
- Dívida pública pode atingir R$ 10 trilhões em 2026
- Dados apontam piora da dívida a médio e longo prazo
- Dívida do Brasil é a maior entre os países emergentes
- Como o nível da dívida pública influencia juros e investimentos
- Perguntas frequentes
Quanto é a dívida pública do Brasil em 2025?
A dívida pública federal brasileira encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. O valor representa um crescimento de 18% em relação ao ano anterior e reflete o aumento do custo de financiamento do governo em um ambiente de juros elevados.
Dívida pública encerra 2025 dentro dos limites projetados
O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) ficou dentro do intervalo previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF), que estimava uma faixa entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões para o ano. Na comparação com novembro, quando o saldo estava em R$ 8,480 trilhões, houve aumento nominal de +1,82%.
Por que a dívida pública está aumentando?
O crescimento da dívida está ligado principalmente a três fatores:
- necessidade de financiar o déficit público;
- custo da dívida, ou seja, pagamento de juros elevados;
- vencimentos de títulos ao longo do ano.
Com a taxa Selic média em 14,33% em 2025, o custo médio da dívida ficou próximo de 12%, segundo o Tesouro. Mesmo abaixo da taxa básica, o patamar segue alto e pressiona o orçamento.
Além disso, o governo precisou emitir novos títulos para rolar vencimentos bilionários e cobrir necessidades de caixa.
Qual a diferença entre dívida pública federal e dívida bruta do governo geral?
A Dívida Pública Federal (DPF) considera apenas os compromissos do governo federal. Já a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), divulgada pelo Banco Central, inclui também estados e municípios, sendo o principal indicador usado em comparações internacionais e avaliações de risco fiscal.

Dívida atrelada à Selic se aproxima de 50% do total
O governo se financia por meio de diferentes indexadores, ou seja, a dívida pode estar atrelada a títulos prefixados, a índices de preços (NTN-B), a flutuante (Selic, ou seja, pós-fixados) e ao câmbio.
Nos últimos anos, a dívida pública brasileira apresentou mudanças significativas entre esses indexadores, passando a ficar mais atrelada à Selic e menos a títulos prefixados e NTN-Bs. Assim, os pós-fixados passaram a representar 48% do estoque da dívida, contra 32% em 2017.
Em comparação com 2017, as mudanças se deram da seguinte forma:
• títulos vinculados à Selic: de 32% para 48%;
• títulos corrigidos pela inflação (NTN-Bs): de 30% para 26%;
• títulos prefixados: de 35% para 22%;
• títulos vinculados ao câmbio: manutenção em 4%.

Com quase metade do estoque da dívida indexada à Selic, o patamar elevado da taxa básica de juros pressiona o custo de rolagem da dívida pública, intensificando o desafio do governo de arcar com seus compromissos (ou seja, elevando o risco fiscal).
Assim, observou-se um aumento do custo da dívida nos últimos anos:

Quem são os detentores da dívida pública do Brasil
Os principais credores do governo federal são instituições financeiras, que detêm 32,9% do estoque da dívida interna, aumentando em relação aos 29,5% de um ano atrás. Evolução da base de detentores da dívida em relação a um ano:
- instituições financeiras: de 29,5% para 32,9%;
- fundos de pensão: de 23,9% para 22,8%;
- fundos de investimento: de 21,7% para 20,8%;
- não residentes (estrangeiros): de 10,2% para 10,3%;
- governo: de 3,4% para 2,9%;
- seguradoras: de 4,0% para 3,5%;
- demais grupos: de 7,4% para 6,9%.

Brasil deve pagar mais de R$ 1 trilhão em juros pela primeira vez
Pela primeira vez na história, o Brasil pagará mais de R$ 1 trilhão em juros da dívida pública no acumulado de 12 meses, segundo dados do Banco Central (BC). Esse valor representa cerca de 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

O gasto recorde com encargos financeiros significa que quase um décimo de toda a renda gerada no país será destinado apenas à remuneração de quem empresta recursos ao Estado, sem aplicação direta em serviços públicos essenciais.
A escalada dos juros pagos está relacionada ao alto custo de financiamento do setor público e à manutenção de taxas elevadas na economia. Esse cenário pressiona as contas públicas, restringe investimentos e amplia o desafio de estabilizar a trajetória do endividamento do setor público nos próximos anos.
Além do avanço observado na dívida pública federal, dados mais recentes divulgados pelo Banco Central mostram que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) passou de R$ 10,018 trilhões para R$ 10,080 trilhões em valores nominais, um aumento de R$ 62 bilhões no período.
Apesar da alta, o indicador permaneceu estável em 78,7% do PIB, refletindo também o crescimento nominal da economia. Ainda assim, o nível elevado da dívida mantém a pressão sobre a trajetória fiscal e reforça os desafios de estabilização do endividamento público nos próximos anos.
Como o aumento da dívida pública afeta a economia brasileira
O elevado nível da dívida pública influencia diretamente as decisões de política fiscal e monetária. Juros altos aumentam o custo de financiamento do setor público e reduzem o espaço para investimentos em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Além disso, a necessidade de manter a confiança dos investidores impõe disciplina fiscal, limitando a expansão de gastos e exigindo metas de resultado primário mais rigorosas. Quanto maior for o endividamento, maior a sensibilidade das contas públicas às oscilações da taxa Selic, do câmbio e dos juros de mercado.
Dívida pública pode atingir R$ 10 trilhões em 2026
O plano anual de financiamento de 2026 estabelece que o estoque da dívida pública deve ficar entre o mínimo de R$ 9,7 trilhões e o máximo de R$ 10,3 trilhões ao final do ano.
A estratégia do Tesouro prevê:
- possível aumento da participação de títulos prefixados;
- estabilidade dos papéis atrelados à Selic;
- baixa concentração de vencimentos no curto prazo;
- ampliação das emissões no mercado internacional, incluindo dólar, euro e yuan.
Dados apontam piora da dívida a médio e longo prazo
A Dívida Pública Federal (DPF) está subindo sem freio. Para 2026, o Relatório de Projeções Fiscais do Tesouro Nacional prevê um crescimento maior da dívida pública, que deve atingir 83,6% do Produto Interno Bruto (PIB) — entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões —, bem acima de 2025.
Confira as projeções para os anos seguintes, com o Tesouro projetando crescimento para 88,0% do PIB em 2035:

Mas aqui entra um ponto muito importante: essas estimativas do Tesouro parecem ser bem otimistas. Enquanto o governo trabalha com uma dívida de 88% do PIB em 2035, o Instituto Fiscal Independente (IFI) do Senado — órgão realmente independente — projeta uma dívida de 117,7% do PIB em 2035.
Vale ressaltar que o IFI conta com economistas experientes e boa capacidade técnica nas projeções. Ou seja, trata-se de uma situação nada fácil.

Dívida do Brasil é a maior entre os países emergentes
Na comparação internacional, o endividamento brasileiro é o maior entre os países emergentes. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em 2024, ficamos atrás apenas da China.
A seguir, confira o endividamento de países desenvolvidos de acordo com o levantamento mais recente:

Como o nível da dívida pública influencia juros e investimentos
Ao mesmo tempo em que o cenário para as contas públicas é desafiador, os preços dos ativos refletem esses riscos e podem oferecer boas oportunidades.
No nosso entendimento, o mercado já precifica boa parte dos riscos do desequilíbrio fiscal. Não por acaso, os juros reais de 10 anos estão em torno de 7,50%, um patamar poucas vezes visto ao longo dos últimos 12 anos.

Além disso, estamos nos aproximando do período eleitoral para a Presidência da República. Caso o governo eleito tenha uma agenda de maior comprometimento com as contas públicas, podemos observar uma compressão dos prêmios de risco, refletida em recuo do juro real longo.
Observamos isso acontecendo entre 2016 e 2019, diante da agenda de reformas estruturais, como a da previdência, o estabelecimento do teto de gastos e a reforma trabalhista. Com essa agenda reformista e um Banco Central crível, presidido por Ilan Goldfajn, o juro real caiu de 8,03% em meados de janeiro de 2016 para 2,67% ao final de 2019.
Para vermos novamente uma queda dessa magnitude, teríamos que ter um governo fortemente reformista. Não temos como saber se isso vai acontecer, mas o que sabemos é que melhoras marginais na condução da política fiscal têm o potencial de causar quedas nos juros reais longos.
Assim, vemos os juros reais como uma boa opção de investimento no momento atual, desde que compreenda os riscos envolvidos. Você pode investir nos juros reais médios e longos tanto por meio dos títulos Tesouro IPCA+ quanto por meio de ETFs, como o IMAB11 (títulos do Tesouro IPCA+, com a carteira tendo uma duration de 6 anos) e o IB5M11 (duration de 9 anos).
Temos explorado essa tese na carteira do Nord ETFs, que iniciou em 11 de dezembro de 2025 e, até o momento, apresenta um retorno de 128% do CDI.
Perguntas frequentes
O que é dívida pública?
A dívida pública representa o total de recursos que o governo toma emprestado para financiar suas despesas quando as receitas não são suficientes.
Por que a dívida pública aumenta?
Principalmente devido ao déficit fiscal, ao pagamento de juros e à necessidade de refinanciar títulos que vencem ao longo do tempo.
Quem financia a dívida pública brasileira?
Instituições financeiras, fundos de investimento, fundos de pensão, seguradoras e investidores estrangeiros estão entre os principais credores do governo.
A dívida pública do Brasil é considerada alta?
Na comparação entre países emergentes, o Brasil apresenta um dos maiores níveis de endividamento em relação ao PIB.
Qual a diferença entre dívida pública em valor nominal e em relação ao PIB?
O valor nominal mostra o total da dívida em reais. Já a proporção em relação ao PIB indica o peso do endividamento frente ao tamanho da economia. Assim, a dívida pode subir em valores absolutos sem necessariamente piorar em termos relativos.

