Prévia da inflação: IPCA-15 sobe 0,06% em julho, abaixo da expectativa do mercado
| Indicador | Valor |
|---|---|
| O valor do IPCA-15 HOJE está em | 0,06% |
| O IPCA-15 em 12 meses está em | 4,52% |
IPCA-15 Acumulado últimos 12 meses
| Data | Variação em % | Variação no Ano | Acumulado 12 meses |
|---|---|---|---|
| 2026/Julho | 0,06 | 3,51 | 4,52 |
| 2026/Junho | 0,41 | 3,45 | 4,80 |
| 2026/Maio | 0,62 | 3,02 | 4,64 |
| 2026/Abril | 0,89 | 2,39 | 4,37 |
| 2026/Março | 0,44 | 1,49 | 3,89 |
| 2026/Fevereiro | 0,84 | 1,04 | 4,10 |
| 2026/Janeiro | 0,2 | 0,20 | 4,50 |
| 2025/Dezembro | 0,25 | 4,41 | 4,41 |
| 2025/Novembro | 0,2 | 4,15 | 4,50 |
| 2025/Outubro | 0,18 | 3,94 | 4,94 |
| 2025/Setembro | 0,48 | 3,76 | 5,32 |
| 2025/Agosto | -0,14 | 3,26 | 4,95 |
O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial do país, apresentou alta de 0,06% em julho, abaixo da expectativa do mercado (+0,22%), a menor variação do ano e a mais baixa para um mês de julho desde 2023.
No acumulado em 12 meses, o indicador desacelerou de 4,80% para 4,52%, interrompendo a sequência de aceleração dos últimos três meses, mas ainda se mantendo marginalmente acima do teto da meta inflacionária.
Setores com maior impacto no IPCA-15
Dos nove grupos que compõem o índice, cinco registraram variação positiva.
A maior contribuição veio de Habitação (0,97%), refletindo o aumento de 3,03% da energia elétrica residencial, pressionada por reajustes tarifários em diversas áreas pesquisadas e pela vigência da bandeira amarela. Sozinho, o subitem respondeu por 0,12 p.p. do índice, ou seja, sem a energia elétrica, o IPCA-15 teria registrado deflação no mês.
Na outra ponta, Alimentação e bebidas caiu 0,66%, com recuo de 1,14% da alimentação no domicílio, puxado pelas quedas de tomate (-19,95%), batata-inglesa (-10,03%) e café moído (-3,13%). Na contramão, a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,40% para 0,55%.
Em Transportes (0,11%), a nova alta expressiva das passagens aéreas (11,70%) foi praticamente compensada pela queda de 0,90% dos combustíveis, com recuo em todos os itens do subgrupo.
A difusão, que mede o percentual de itens com aumento de preços, recuou de 60,2% em junho para 48,2% em julho, ou seja, menos da metade dos itens do índice subiu de preço no mês.
Comportamento dos Serviços e Núcleos da Inflação
A inflação de Serviços desacelerou na margem, de 0,39% para 0,37%, enquanto os Serviços Subjacentes ficaram praticamente estáveis, passando de 0,28% para 0,29%. A abertura que exclui restaurantes, empregado doméstico, passagem aérea e educação praticamente estagnou no mês (0,01%), quando se esperava uma aceleração para 0,29%. A média dos núcleos de inflação, por sua vez, caiu de 0,34% para 0,20%.
No acumulado em 12 meses, o quadro também melhorou, serviços desaceleraram de 6,26% para 5,91%, os serviços subjacentes, que excluem itens mais voláteis e ajudam a captar a tendência da inflação, recuaram de 5,27% para 5,11% e a média dos núcleos também cedeu de 4,43% para 4,33%. Os níveis seguem elevados e distantes do centro da meta, com a média dos núcleos sendo a única dentro do limite superior da meta.
O destaque negativo segue sendo os serviços intensivos em trabalho, que continuam acelerando, saindo de 7,07% para 7,31% na comparação anual.
Leia mais: Entenda o que é o IPCA e como ele afeta seus investimentos
Análise econômica e perspectivas para a inflação
O resultado de julho consolidou os sinais de melhora observados no resultado anterior. A surpresa não ficou restrita aos itens voláteis: os preços livres registraram deflação de 0,05%, menos da metade dos itens do índice subiu de preço e núcleos e serviços desaceleraram, ao mesmo tempo, na margem e no acumulado em 12 meses, combinação que não aparecia nas leituras anteriores.
A deflação do grupo de alimentos (-0,66%), mais intensa do que o projetado, segue sendo uma notícia positiva, especialmente diante dos possíveis impactos futuros associados ao El Niño.
Do lado das pressões, a energia elétrica permanece como principal ponto de atenção, com novos reajustes tarifários, assim como os serviços intensivos em trabalho, que seguem acelerando no acumulado anual.
Além disso, mesmo após a queda, o acumulado (4,52%) segue acima do teto da meta, e a base de comparação de agosto de 2025 registrou deflação de 0,14%, portanto, o indicador em 12 meses pode voltar a subir temporariamente mesmo com um próximo resultado mensal bem-comportado.
De todo modo, esse resultado atual demonstra a perda de força da inflação de forma disseminada, os componentes mais rígidos começaram a ceder e o resultado reforça as expectativas do mercado de um novo corte da Selic na reunião de agosto.
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