Renda fixa ou ações: como escolher o melhor investimento

Entenda como escolher entre renda fixa ou ações considerando juros, cenário macroeconômico, volatilidade e perfil de risco do investidor

Marilia Fontes 21/09/2026 15:02 8 min

Escolher entre renda fixa ou ações não depende apenas do perfil de risco do investidor. Embora seja comum associar renda fixa a investimentos conservadores e ações a alternativas mais arrojadas, essa divisão não conta toda a história.

Os dois tipos de investimento podem sofrer influência significativa dos ciclos econômicos e das taxas de juros. Além disso, existem títulos de renda fixa que apresentam oscilações relevantes de preço, especialmente quando há marcação a mercado.

Por isso, entender o cenário macroeconômico, o comportamento dos juros e a própria tolerância às oscilações é importante antes de definir a composição de uma carteira.

Sumário

Renda fixa ou ações: como escolher?

A escolha entre renda fixa ou ações passa, primeiro, pela análise do cenário macroeconômico. Isso acontece porque tanto os títulos de renda fixa quanto as ações podem ser impactados pelas mudanças nas taxas de juros.

Quando os juros de mercado sobem, determinados títulos de renda fixa podem perder valor caso sejam vendidos antes do vencimento. As ações também podem sofrer nesse cenário, especialmente empresas cujo valor depende de expectativas de crescimento mais distantes.

Portanto, não basta considerar apenas se o investidor é conservador ou arrojado. É necessário entender também em qual fase do ciclo econômico o mercado se encontra.

Como os juros afetam os investimentos?

Os juros têm influência direta sobre diferentes classes de ativos. Na renda fixa, porém, o impacto varia de acordo com as características de cada título.

Os títulos pós-fixados acompanham um indicador de referência. Assim, quando a taxa de referência aumenta, a remuneração desses investimentos tende a subir. Quando ela diminui, a remuneração também tende a cair.

Já títulos prefixados e títulos atrelados à inflação com uma taxa prefixada adicional podem apresentar oscilações de preço antes do vencimento.

As ações também são influenciadas pelos juros. Isso ocorre porque um dos métodos utilizados para avaliar empresas considera o valor presente dos fluxos de caixa esperados no futuro.

Quando os títulos pós-fixados fazem sentido?

Os títulos pós-fixados podem ser uma alternativa para investidores que desejam reduzir as oscilações provocadas pela marcação a mercado.

Nessa categoria estão investimentos que acompanham indicadores como a Selic ou o CDI. Entre os exemplos estão o Tesouro Selic e determinados CDBs pós-fixados.

Em um ciclo de alta dos juros, esses investimentos passam a acompanhar taxas maiores. Por isso, apresentam uma dinâmica diferente daquela encontrada nos títulos prefixados.

Ainda assim, é importante observar características específicas de cada produto, como risco de crédito, liquidez, tributação e condições para resgate.

Como funciona a marcação a mercado dos prefixados?

Um título prefixado estabelece previamente a taxa de rentabilidade que será recebida caso o investimento seja mantido até o vencimento, respeitadas as condições do título.

Antes dessa data, entretanto, seu preço pode mudar.

Imagine um título que pagará R$ 1.000 no vencimento. Para descobrir quanto esse fluxo futuro vale hoje, é necessário trazê-lo a valor presente utilizando uma determinada taxa de juros.

Neste exemplo, considerando dois anos até o vencimento e juros de 10%, o valor presente seria de aproximadamente R$ 826,44

Se a taxa utilizada pelo mercado subisse para 15%, o mesmo fluxo de R$ 1.000 no futuro passaria a valer aproximadamente R$ 756,14 no presente.

Isso ajuda a explicar a relação inversa entre juros e preço dos títulos prefixados: quando as taxas de mercado sobem, o preço de títulos emitidos anteriormente com taxas menores tende a cair.

Por que os juros também afetam as ações?

O efeito dos juros sobre as ações pode ser entendido pelo conceito de fluxo de caixa descontado.

Nesse método, os fluxos de caixa que uma empresa poderá gerar no futuro são trazidos a valor presente por meio de uma taxa de desconto.

Quando essa taxa aumenta, o valor presente desses fluxos tende a diminuir. Como consequência, avaliações baseadas nesse método podem resultar em valores menores para as ações.

Empresas cujo valor depende de um crescimento esperado mais distante no futuro podem apresentar maior sensibilidade às mudanças nas taxas de desconto.

Por isso, renda fixa com componentes prefixados e ações podem apresentar oscilações relacionadas ao ciclo de juros, embora os riscos e as características de cada investimento sejam diferentes.

O que acontece com os investimentos quando os juros caem?

Quando as taxas de juros de mercado diminuem, títulos prefixados adquiridos anteriormente a taxas maiores podem se valorizar pela marcação a mercado.

As ações também podem ser beneficiadas pela redução da taxa utilizada para descontar os fluxos de caixa futuros. Porém, o comportamento da Bolsa depende de outros fatores.

É necessário observar, por exemplo, se a queda dos juros acontece junto com uma melhora ou uma deterioração da atividade econômica.

Em um ambiente de juros menores e atividade econômica mais forte, as empresas podem se beneficiar tanto da redução da taxa de desconto quanto de melhores perspectivas para seus resultados.

Já em um cenário de juros menores acompanhado por recessão ou atividade econômica fraca, os resultados das empresas podem ser prejudicados. Nesse caso, a redução dos juros não significa automaticamente uma melhora no desempenho das ações.

Qual é a diferença de risco entre renda fixa e ações?

A renda fixa não deve ser tratada automaticamente como um investimento sem oscilações.

Uma carteira concentrada em títulos pós-fixados apresenta comportamento diferente de uma carteira composta por títulos sujeitos a uma marcação a mercado mais intensa.

O IMA-B, por exemplo, é um índice que acompanha uma carteira de títulos públicos indexados ao IPCA e pode apresentar períodos de valorização e desvalorização conforme as condições de mercado.

As ações, por sua vez, podem apresentar oscilações ainda maiores.

Isso significa que o investidor precisa avaliar não apenas o retorno esperado, mas também quanto está disposto a ver seu patrimônio oscilar durante períodos adversos.

Como combinar renda fixa e ações na carteira?

Combinar renda fixa e ações pode ajudar a reduzir a volatilidade e as perdas da carteira durante períodos de crise. Quanto maior a participação de ativos menos voláteis, menor tende a ser a exposição às oscilações do mercado acionário.

Uma carteira composta apenas por ações pode apresentar quedas expressivas em períodos de crise. Considerando a carteira de ações analisada, que inclui papéis de empresas como Itaú, Localiza e Prio, as perdas chegaram a aproximadamente 40% a 45% nos momentos mais adversos.

Ao distribuir o patrimônio entre 50% em ações e 50% em renda fixa pós-fixada, a perda máxima caiu para aproximadamente 25%. Com uma alocação de 25% em ações e 75% em renda fixa, a perda máxima ficou próxima de 13%.

Existe, porém, uma contrapartida. À medida que a exposição às ações diminui, o potencial de retorno da carteira também pode cair. Por isso, a composição deve considerar quanto de oscilação o investidor está disposto a enfrentar e quais são seus objetivos de longo prazo.

A escolha entre renda fixa ou ações, portanto, não precisa significar concentrar todo o patrimônio em apenas uma classe de ativos. As duas podem fazer parte da carteira, em proporções definidas de acordo com o perfil de risco, os objetivos do investidor e o cenário econômico.

Como o perfil de risco influencia a escolha?

O perfil de risco representa uma segunda dimensão importante da decisão.

Antes de definir quanto investir em cada classe, é necessário avaliar quanto de volatilidade o investidor consegue suportar sem abandonar sua estratégia durante momentos de queda.

Uma pessoa que não aceita grandes oscilações pode optar por uma participação maior em investimentos com menor volatilidade. Já investidores que toleram variações maiores podem assumir exposições diferentes, desde que compreendam os riscos envolvidos.

O ponto central é que renda fixa não significa necessariamente ausência de risco, assim como investir em ações não exige necessariamente concentrar todo o patrimônio na Bolsa.

Como o cenário macroeconômico influencia a carteira?

Depois de definir uma composição compatível com sua tolerância ao risco, o investidor pode analisar o cenário econômico.

Entre os fatores que podem ser observados estão a trajetória das taxas de juros, inflação, atividade econômica e expectativas para crescimento.

Um ciclo de alta dos juros apresenta condições diferentes de um ciclo de queda.

Da mesma forma, uma redução dos juros acompanhada por crescimento econômico tem implicações diferentes de uma redução provocada por enfraquecimento da atividade.

Por isso, avaliar apenas a direção dos juros não é suficiente. É importante entender também o contexto no qual essa mudança ocorre.

Afinal, é melhor investir em renda fixa ou ações?

Renda fixa e ações cumprem funções diferentes dentro de uma carteira e podem apresentar níveis distintos de risco e volatilidade.

A decisão não precisa ser tratada como uma escolha entre uma classe ou outra. Uma carteira pode combinar os dois tipos de ativos em proporções compatíveis com os objetivos, horizonte de investimento e tolerância ao risco de cada pessoa.

Além disso, o cenário macroeconômico pode influenciar o comportamento dos investimentos ao longo do tempo.

Assim, antes de escolher entre renda fixa ou ações, o investidor deve considerar três elementos principais: o comportamento esperado dos juros e da economia, as características específicas de cada investimento e sua capacidade de lidar com oscilações patrimoniais.

Essa análise ajuda a construir uma carteira mais coerente com os objetivos do investidor e com os riscos que ele está disposto a assumir.

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