O que esperar dos resultados do primeiro trimestre 2020?

Saiba como a crise e a pandemia impactaram os resultados do primeiro trimestre de 2020 em diferentes setores e o que pode vir pela frente

Nord Research 16/04/2020 17:38 3 min Atualizado em: 27/11/2025 14:49

Com a retomada econômica ainda incerta e os desdobramentos da crise sanitária, o primeiro trimestre de 2020 apresenta-se como um período de transição e adaptação para muitas empresas. 

Os resultados devem refletir os primeiros efeitos verdadeiros da pandemia e decisões tomadas no final de 2019. Confira mais a seguir.

O que muda nos resultados do primeiro trimestre de 2020

No contexto atual, o primeiro trimestre não deve trazer uma foto “normal” do desempenho corporativo.

  • Por se tratar de um período breve de convívio com os efeitos da crise, muitas empresas ainda estão reagindo e ajustando estratégias.
  • Para algumas companhias, o trimestre será pouco representativo — servirá mais como ponto de partida para acompanhar tendências do que um referencial real de lucro.
  • Empresas com contratos longos ou receitas recorrentes podem apresentar estabilidade, mas aquelas com ciclo curto estarão mais vulneráveis.

Setores mais e menos impactados

Bancos e instituições financeiras

  • Grandes bancos tendem a adotar postura conservadora: provisionar para inadimplência e reduzir lucros no curto prazo.
  • Bancos menores — com menor capital e maior risco de crédito — provavelmente sentirão o impacto mais forte da crise.

Varejo e consumo não essencial

  • Lojas físicas, principalmente de moda e artigos não essenciais, devem apresentar queda expressiva nas vendas.
  • A migração das vendas para o ambiente online determina quem sai melhor da crise: redes com forte presença digital tendem a sofrer menos.

Incorporadoras e imobiliárias

  • Para incorporadoras, o resultado depende da continuidade das obras. Se mantidas, o impacto pode ser reduzido, mas novas vendas e lançamentos provavelmente vão atrasar.
  • A demora na contabilização dos resultados faz com que o desempenho real só se revele em trimestres futuros.

Saúde, hospitais e planos médicos

  • Empresas de saúde verticalizadas (hospital + plano de saúde + laboratórios) podem enfrentar desafios de curto prazo: menos novos contratos, menor adesão empresarial, desemprego elevado.
  • Crescimento via aquisições — estratégia comum nesse setor — deve ser impactado se os preços sobem e os vendedores têm pressa por liquidez.

Como o mercado de ações reage — e o que observar

  • A volatilidade permanece alta: o mercado precifica sob expectativa de risco e incerteza, não apenas com base nos resultados.
  • Investidores de valor tendem a selecionar empresas com bom histórico, caixa robusto e resiliência, independentemente da crise.
  • Já investidores mais arrojados (traders) podem aproveitar picos de volatilidade, desde que estejam atentos ao perfil de risco e à liquidez.
  • Rebalancear carteira e ajustar exposição a setores sensíveis (como petróleo e consumo cíclico) pode ser prudente neste momento.

Estratégias para investidores em 2020

  • Priorize empresas com balanço sólido, pouca dívida e histórico consistente.
  • Diversifique
  • Avalie o ciclo de cada empresa — resultados de curto prazo são apenas um retrato parcial.
  • Acompanhe provisões, inadimplência e evolução da economia real mais do que apenas lucro nominal.
  • Pense no médio e longo prazo: crises abrem oportunidades de preço — mas exigem paciência.

Este é o melhor momento para ajustar sua carteira. Conte com análises exclusivas e independentes.

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