O futuro já chegou: o que esperar das empresas tech no Brasil?
As empresas tech no Brasil estão transformando varejo, bancos e infraestrutura. Entenda os impactos do 5G, fintechs e o que observar antes de investir
O mercado financeiro brasileiro vive um momento de metamorfose profunda, e no centro desse furacão estão as empresas tech no Brasil. Não se trata apenas de uma modinha passageira ou de nomes bonitos em telas de corretoras. Estamos falando de uma mudança estrutural que redefine como consumimos, pagamos contas e investimos nosso dinheiro.
Marcelo Cavalheiro, sócio-fundador da Safari Capital, trouxe uma visão lúcida sobre esse cenário, acumulando três décadas de experiência para decifrar o que é verniz tecnológico e o que é transformação real.
A digitalização não é mais uma opção; é a sobrevivência. No início dos anos 2000, olhar para o varejo online gerava ceticismo. Como alguém compraria sem tocar no produto? O tempo provou que a escala e a conveniência atropelam barreiras culturais.
Hoje, o investidor olha para o horizonte e tenta enxergar qual será a próxima Amazon brasileira, mas o caminho é pavimentado por desafios logísticos que muitos ainda subestimam.
A transformação do varejo: muito além de um carrinho de compras
Engana-se quem pensa que ser uma empresa de tecnologia no varejo resume-se a ter um site que funciona. O "pulo do gato" está no que acontece nos bastidores. Empresas como Magazine Luiza, Via (antiga Via Varejo) e Mercado Livre não vendem apenas produtos; elas operam malhas logísticas complexas.
O Magazine Luiza, por exemplo, transformou suas lojas físicas em minicentros de distribuição. É a estratégia do ship-from-store. Isso corta o tempo de entrega drasticamente e, no mundo digital, velocidade é a moeda mais valiosa.
O Mercado Livre, por sua vez, é o player "puro sangue" do digital. Eles nasceram no online e, para não ficarem reféns dos Correios, montaram uma frota própria de aviões e caminhões. Essa autonomia é o que garante que seu pacote chegue amanhã, mesmo que você more longe dos grandes centros.
Marcelo destaca que o algoritmo por trás dessas operações é o verdadeiro motor de crescimento. Saber o que o cliente quer antes mesmo de ele clicar em "comprar" permite que o estoque já esteja posicionado no lugar certo. É quase uma leitura de mentes aplicada ao capitalismo.
A guerra dos bancos: o fim da hegemonia das taxas abusivas
O setor financeiro é, talvez, onde a tecnologia mais machuca os gigantes tradicionais. Por décadas, os grandes bancos brasileiros reinaram absolutos, cobrando taxas de manutenção de conta que hoje parecem absurdas. Mas as fintechs chegaram chutando a porta. Banco Inter, XP e BTG Pactual mudaram o jogo da desbancarização — ou melhor, da bancarização digital.
O cliente cansou de ir à agência para resolver problemas simples. Ele quer um clique. Quer taxa zero. Marcelo observa que os grandes bancos estão correndo atrás, tentando abrir suas plataformas de fundos e reduzir custos, mas o legado de agências físicas pesadas é uma âncora difícil de soltar.
O lançamento do Pix e a chegada do Open Banking são divisores de águas. Eles dão ao consumidor o poder de levar seus dados e seu dinheiro para onde for melhor atendido. É a democratização do capital em tempo real.

Crescimento vs. valor: o dilema do investidor moderno
Quando olhamos para os gráficos dos últimos dez anos, a disparidade é gritante. As ações de crescimento, puxadas pelas gigantes de tecnologia nos EUA (as famosas FAANG), renderam muito mais do que as ações de valor tradicionais.
No Brasil, o fenômeno se repete em proporções locais. A pandemia apenas acelerou o que já era inevitável. Muita gente que tinha aversão ao e-commerce foi forçada a experimentar e descobriu que funciona.
Mas cuidado com a euforia. O mercado costuma antecipar o futuro e, às vezes, paga um preço caro demais por ele. Algumas empresas tech no Brasil subiram vertiginosamente, e agora o desafio é entregar o lucro que justifique esses múltiplos. Investir em tecnologia exige estômago para a volatilidade e uma visão de longo prazo. É preciso separar o joio do trigo: quem realmente tem tecnologia proprietária e quem está apenas usando um "verniz tech" para parecer moderno.
A próxima fronteira: 5G e a Internet das Coisas
O futuro das empresas de tecnologia no Brasil não para no varejo ou nos bancos. Estamos na iminência de uma revolução com o 5G. Isso vai permitir que a automação chegue a níveis nunca vistos.
Imagine uma empresa como a Weg, que já aplica inteligência em motores, ou o setor de telecomunicações, como a Vivo ou a Oi em sua nova fase, sendo os condutores dessa massa gigantesca de dados.
A Internet das Coisas (IoT) vai conectar o motor do caminhão ao aplicativo do gestor de frota, avisando sobre a necessidade de manutenção antes mesmo da peça quebrar. A telemedicina vai monitorar pacientes em tempo real, reduzindo custos de planos de saúde.
O Brasil está no "jardim da infância" dessa evolução, o que significa que o espaço para crescimento é oceânico para quem souber usar a tecnologia como ferramenta, e não como fim em si mesma.
Conclusão
As empresas tech no Brasil deixaram de ser uma aposta para se tornarem o alicerce da nova economia. Seja no varejo, nas finanças ou na infraestrutura, a tecnologia é o divisor entre as companhias que prosperarão e as que se tornarão obsoletas. Para o investidor, o segredo é o equilíbrio: buscar crescimento sem ignorar os fundamentos, sempre atento à capacidade de execução dessas empresas em um país tão complexo quanto o nosso.
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Perguntas frequentes
O que é o efeito "verniz tech"?
É quando uma empresa tradicional adota termos tecnológicos ou cria um aplicativo simples para tentar aumentar seu valor de mercado, sem mudar verdadeiramente seus processos internos ou sua eficiência através da tecnologia.
Como o 5G impacta as empresas brasileiras?
O 5G permite conexões mais rápidas e estáveis, possibilitando a automação industrial, o uso massivo de sensores (IoT) e melhorias em serviços como telemedicina e logística inteligente.
Vale a pena investir em empresas que ainda não dão lucro?
No setor tech, muitas empresas priorizam o crescimento e a conquista de mercado antes do lucro imediato. O investidor deve avaliar se o modelo de negócio é sustentável no longo prazo e se a queima de caixa gera valor real.


