Estratégias de investimento bolsa: visão macro e gestão de ativos

Entenda como grandes gestoras ajustam estratégias de investimento na bolsa com base em visão macroeconômica, gestão de risco e análise setorial

Nord Research 23/04/2020 19:04 3 min Atualizado em: 30/12/2025 15:20

Em momentos de alta incerteza econômica, como crises sanitárias ou turbulências políticas, as estratégias de investimento na bolsa exigem mais do que análise de ações específicas. Neste conteúdo, você vai entender como uma gestora referência no Brasil estrutura suas decisões com base em visão macroeconômica, temas setoriais e gestão ativa de risco, sempre buscando adaptar a carteira ao cenário global e local.

Quem é Paulo Di Sora e o que faz a RPS Capital?

Paulo é sócio e gestor da RPS Capital, uma gestora focada em estratégias que combinam análise macroeconômica com seleção setorial. A gestora administra cerca de R$ 3 bilhões em produtos, incluindo fundos com foco em retorno absoluto (ex.: CDI + metas variáveis) e fundos long-only que buscam retorno superior ao índice de ações. 

A equipe tem visão macro e trabalha com temas setoriais, adaptando exposição conforme cenário econômico global e local.

Estratégia de investimento: visão top‑down

A RPS Capital usa uma abordagem top‑down (macro para micro):

  • analisa o cenário macroeconômico global e local;
  • define temas setoriais relevantes;
  • avalia como variáveis macro impactam resultados das empresas;
  • monta portfólio alinhado a temas com maior potencial de retorno ajustado ao risco.

Essa metodologia foca em identificar setores mais resilientes ou com oportunidades, em vez de escolher ações isoladamente sem contexto.

Paulo explica que o fundo estava otimista no início de 2020, com posições compradas, especialmente em setores cíclicos. Quando surgiram os primeiros sinais da pandemia, a gestora reduziu posições; porém, a rápida queda do mercado surpreendeu. Após oscilações fortes, a RPS ajustou exposição e hoje mantém posições defensivas com foco em liquidez e proteção.

Ele destaca que, no curto prazo, é difícil prever curvas da doença ou efeitos completos sobre consumo e PIB, o que exige humildade e cautela.

Temas e setores com potencial

Setores globais e digitalização

Paulo vê oportunidades em temas como:

  • empresas globais de tecnologia e digitalização;
  • aceleração do e‑commerce e serviços online;
  • China como motor econômico global em recuperação.

Essa exposição proporciona diversificação e cobertura contra riscos no Brasil.

Commodities

China e estímulos governamentais podem favorecer setores como commodities e mineração, embora com gestão de risco (como operações long/short).

Setores defensivos no Brasil

Dentro do mercado brasileiro, setores menos cíclicos e mais resistentes à desaceleração do PIB foram preferidos:

  • setor elétrico;
  • saneamento;
  • telecomunicações;
  • saúde.

Esses tendem a sofrer menos em momentos de volatilidade e baixo crescimento.

Visão sobre Brasil: riscos e cautela

Paulo demonstra preocupação com fatores estruturais:

  • risco fiscal e político (debate sobre expansão de gastos);
  • deterioração da confiança econômica;
  • possível volatilidade no câmbio;
  • crescimento econômico fraco ou recessão.

Por isso, ele recomenda cautela na alocação de risco no Brasil, mantendo maior foco em classes mais defensivas e diversificação internacional.

Lições de crises anteriores

Paulo ressalta que cada crise é diferente. Crises anteriores permitiram oportunidades claras, mas o impacto do coronavírus foi rápido e inesperado, exigindo ajustes táticos.

Ele recomenda que investidores:

  • se preparem para volatilidade;
  • evitem buscar precisão em “market timing”;
  • foquem em temas macro que influenciem múltiplos setores.

Como olhar derivativos e alavancagem

A live também aborda o papel dos derivativos: com a retomada do mercado de derivativos, gestores conseguem proteger posições e ajustar exposição rapidamente. Ele reforça que alta alavancagem não é compatível com o atual cenário de incerteza.

Conclusão: disciplina e humildade

Paulo encerra reforçando que o momento exige:

  • disciplina na gestão de risco;
  • liquidez adequada;
  • humildade para reconhecer incertezas no cenário econômico global e local.

Que tal ajustar hoje mesmo sua carteira de ações de forma inteligente? 

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