Henrique Bredda e a visão da Alaska para a crise: estratégias e lições
Henrique Bredda, da Alaska Asset, explica como a crise transformou carteiras, escolhas de empresas e estratégias de longo prazo no mercado brasileiro
Durante live realizada pela Nord, Henrique Bredda, gestor da Alaska Asset Management, compartilhou em detalhes como enxerga o impacto da crise atual sobre empresas, fundos de ações, proteção cambial e os rumos da bolsa.
As reflexões abrangem desde a seleção de ativos até a importância de manter o foco em fundamentos e no longo prazo.
O que mudou na Alaska após a crise
A filosofia de escolha de empresas não se alterou. A gestora segue avaliando preço de mercado versus fluxo de caixa projetado para as próximas décadas. No entanto, o preço dos ativos caiu consideravelmente, o que altera a taxa interna de retorno esperada.
Empresas e fluxo de caixa
Empresas líderes, com estrutura sólida, tendem a sair da crise mais fortes, ganhando espaço sobre pequenos e médios concorrentes. O impacto foi mais severo no caixa de curto prazo (2020 e 2021), especialmente para setores como varejo e shoppings. Já o caixa de longo prazo, em muitos casos, segue intacto ou até beneficiado — como nos casos de exportadoras e empresas ligadas a commodities.
Mandatos de fundo e ajustes
Os fundos da Alaska se dividem entre long-only e aqueles com mandato para operar câmbio e juros. Nos primeiros, a estratégia segue inalterada. Já nos fundos como o Black BDR, a crise exigiu revisão nos instrumentos usados para exposição cambial e proteção, substituindo futuros por opções longas e ajustando tamanhos de posição.
Posição na bolsa e visão política
Bredda reforçou que as decisões de alocação não têm viés político. A mudança para 100% Brasil em 2015, por exemplo, foi baseada exclusivamente em valuation, mesmo com cenário político conturbado. A prioridade é a taxa interna de retorno, não quem está no governo.
Estratégias de proteção e lições do Black BDR
A queda forte durante os circuit breakers mostrou que juros e dólar podem deixar de ter lógica previsível em momentos de estresse. O fundo Black BDR passou a usar instrumentos mais assimétricos para proteção — com menor risco direcional. A principal lição foi: revisar formato e dosagem das proteções.
Impactos estruturais da crise
A crise forçou empresas a repensar estruturas de custo, escritórios e canais de venda. O home office e o e-commerce foram acelerados. Setores como imóveis comerciais podem sofrer mais, enquanto o residencial e as plataformas digitais tendem a ganhar espaço. O ensino à distância e o varejo digital também devem se consolidar.
Commodities e novos direcionamentos
A carteira de commodities da Alaska, que incluía Petrobras, Vale, Braskem, Suzano e Klabin, foi reequilibrada. A gestora reduziu Vale e Petrobras, e aumentou exposição a papel e celulose — setores com maior resiliência e ganhos com câmbio. Outras empresas domésticas também ganharam espaço, como Magazine Luiza e B2W.
Concentração da carteira
Sem decisão explícita de concentrar, a carteira acabou naturalmente se concentrando mais, pela busca por empresas de maior convicção em um ambiente onde tudo ficou barato. Quando o mercado encarece, o fundo tende a diversificar. No atual cenário, a concentração reflete oportunidade.
Avaliação de ações americanas
Apesar de monitorar, Bredda considera que a queda lá fora foi insuficiente para justificar aportes. Para competir com oportunidades da bolsa brasileira, empresas americanas teriam que ter caído muito mais. A visão segue 100% Brasil, por valuation.
Passivos da Alaska
A base de investidores mostrou resiliência. Não houve fuga significativa durante a crise — ao contrário, cotistas antigos aumentaram aportes. Cerca de um terço do capital é de sócios, outro de estrangeiros e o restante, de plataformas. A estrutura preparada nos últimos anos ajudou a enfrentar a crise sem estresse de passivo.
Bolsa em queda e PIB negativo
Mesmo com projeções negativas de PIB, a bolsa pode se recuperar antes — como aconteceu em 2016. O lucro das empresas listadas pode crescer mesmo com economia contraída, pois elas ganham mercado dos concorrentes. A recuperação da bolsa não está ligada diretamente ao PIB, mas à expectativa futura de lucros.
Investir em ações exige visão de sócio
A mensagem central é clara: o investidor precisa pensar como sócio. Comprar ações esperando retorno rápido, sem aceitar volatilidade, é um erro. Os preços refletem emoções, mas o valor está nos fundamentos. Acumular boas empresas em momentos difíceis é onde estão os maiores retornos.
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