Vendas no varejo caem 0,8% em julho, na contramão do esperado, mostra IBGE

As vendas no varejo recuaram 0,8% em julho, na contramão das projeções. Entenda o efeito Copa do Mundo e os impactos para juros e inflação

Gabriel Nakaya 15/09/2026 09:30 3 min Atualizado em: 15/09/2026 17:17
Vendas no varejo caem 0,8% em julho, na contramão do esperado, mostra IBGE

As vendas no varejo recuaram 0,8% em julho. O resultado surpreendeu o mercado, que apostava em queda de 0,2%, e interrompeu a sequência positiva dos dois últimos meses. O dado de junho também foi revisado para baixo, de +0,5% para +0,3%.

Principais destaques do varejo

O movimento foi influenciado pela atividade mais fraca em cinco das oito atividades pesquisadas.

Destaca-se a queda mais acentuada em móveis e eletrodomésticos (-4,9%), a maior desde dezembro de 2023, seguida por livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2%) e tecidos, vestuário e calçados (-2,7%).

Segundo o IBGE, as três carregam a devolução do consumo antecipado pela Copa do Mundo, concentrado em maio, mês em que livros e papelaria haviam saltado 17,3% na margem.

Na leitura anual, comparando com julho de 2025, o volume de vendas cresceu 1,2%, abaixo das expectativas (+2,2%) e com desaceleração frente a junho, que havia avançado 2,8%.

A alta, ainda que tímida frente ao projetado, foi sustentada pelo desempenho positivo de hiper e supermercados (+2,9%) e de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+4,7%), este no 41º mês consecutivo de crescimento.

A concentração é evidente: supermercados sozinhos contribuíram com 1,6 p.p. do avanço de 1,2%; portanto, sem a atividade, a leitura anual teria sido negativa.

No varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, os dados vieram melhores. Na leitura mensal, registrou-se alta de 0,4%, interrompendo três meses seguidos de queda. Na anual, a expansão foi de 1,8%, puxada por veículos, motos, partes e peças (+5,0%, quinto mês seguido de crescimento e 1,0 p.p. da taxa global), enquanto material de construção (-2,0%) exerceu o principal peso negativo.  

O que os dados indicam sobre a economia?

O varejo perdeu tração em julho nas duas comparações e voltou a se afastar do recorde de março, do qual está agora 1,5% abaixo. Parte relevante do recuo é devolução do consumo antecipado pela Copa, o que pede cautela na leitura do mês isolado. Vale lembrar que julho é apenas o segundo resultado negativo do ano, e o varejo ainda acumula alta de 1,8% em 2026 e de 1,6% em 12 meses.

Do outro lado, a inflação projetada para o fim de 2026 segue acima do teto da meta (4,90% no Focus); contudo, o mercado aposta em mais um corte de 0,25 p.p. na reunião do Copom desta semana. O resultado do varejo mais fraco do que o esperado corrobora essa visão.

Seguiremos acompanhando os próximos dados e a reunião do Copom.  

Qual a participação do varejo no PIB brasileiro?

O setor de varejo é fundamental para a economia brasileira por várias razões, entre elas: geração de empregos, contribuição para o PIB, distribuição de produtos e estímulo ao consumo. 

Qual o índice do varejo?

O índice que acompanha o resultado do varejo no Brasil é a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada mensalmente pelo IBGE. 

O que é PMC IBGE?

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) é um indicador econômico que acompanha o comportamento do comércio varejista no Brasil. 

Ele investiga a receita bruta de revenda das empresas formalmente constituídas (detentoras de CNPJ), que possuam 20 ou mais pessoas ocupadas e cuja receita bruta provenha predominantemente da atividade de comércio varejista.

Como é calculada a PMC IBGE?

A PMC é calculada utilizando a metodologia de amostragem probabilística. Para isso, são coletadas amostras de onze setores do varejo e de todas as Unidades da Federação. 

Com a amostra, obtida por meio de entrevistas e questionários eletrônicos, são calculados os pesos adequados para a estimação do índice. 

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