Varejista em recuperação judicial no Brasil: crise no setor?

A Polishop entrou em recuperação judicial e deve passar por mudanças nos próximos meses. Entenda como isso afeta o varejo brasileiro.

Nord Research 15/06/2024 01:09 7 min Atualizado em: 15/06/2024 10:53
Varejista em recuperação judicial no Brasil: crise no setor?

A Polishop, uma das maiores varejistas do país, entrou com pedido de recuperação judicial com dívidas de R$ 395 milhões. Contudo, a empresa não é a única. Outras varejistas também vêm enfrentando dificuldades similares, intensificadas pela pandemia e altas taxas de juros.

Como isso afeta o setor de varejo no Brasil? Acompanhe o artigo abaixo e entenda detalhes sobre a recuperação judicial da Polishop e outras varejistas no país. Ainda, veja como pode afetar seus investimentos. 

Pedido de recuperação judicial da Polishop

No dia 17 de maio de 2024, a Polishop, importante varejista brasileira, entrou com um pedido de recuperação judicial (RJ) na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Alguns dias depois, em 20 de maio, a Justiça de São Paulo aceitou o pedido de recuperação.

Na decisão, o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho confirmou que a empresa preenche os requisitos legais para o processo e possui dívidas de R$ 395 milhões. 

O que a Polishop deve fazer agora?

Agora, a Polishop tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação. Também deverá comunicar aos credores sobre a suspensão das dívidas e informar que "as divergências e habilitações devem ser feitas diretamente à administradora judicial".

As execuções (cobranças de dívida) contra ela são suspensas por 180 dias. Além disso, a empresa deverá apresentar suas contas até o dia 30 de cada mês, sob pena de afastamento de seus controladores e substituição de seus administradores.

Por que a Polishop entrou com pedido de recuperação judicial?

A Polishop entrou com pedido de recuperação judicial devido ao acúmulo de dívidas que chegaram a R$ 395 milhões. Essa situação se agravou especialmente após a pandemia de Covid-19, que reduziu o faturamento da empresa. Por isso, vem fechando lojas e dispensando funcionários desde o fim de 2022.

Vale notar que a varejista tentou negociar seus débitos com os credores, mas enfrentou dificuldades, principalmente devido ao aumento da taxa Selic e à restrição ao crédito, que elevaram os custos. Além disso, o aumento dos custos de ocupação dos shoppings, indexados pelo IGP-M, também contribuiu para pressionar os custos operacionais da Polishop.

Com dívidas superiores a R$ 350 milhões, a Polishop pediu recuperação judicial e anunciou plano de reestruturação. 

Em abril de 2024, a empresa anunciou um plano de reestruturação, com expansão para o modelo de franquias da marca. O projeto previa a abertura de mais de 300 franquias até 2028.

Neste mesmo mês, conseguiu proteção judicial contra credores e a suspensão de ordens de despejo.

Crise no setor? Outras varejistas que pediram recuperação judicial

A Polishop não é a única varejista que pediu recuperação judicial no Brasil. Nos últimos meses, diversas empresas entraram com a ação, aumentando a crise no varejo

Os principais motivos apontados pelo setor são, especialmente, a pandemia, inflação e altas taxas de juros.

Apesar de as taxas de juros terem caído nos últimos meses, elas ainda afetam o fluxo de caixa das empresas enquanto a inadimplência persistir. Isso requer negociações com credores e a implementação de estratégias para aumentar a receita e cumprir os pagamentos.

Quais empresas pediram recuperação judicial?

  • Dia Supermercados: com dívida declarada: R$ 1,1 bilhão, luta para evitar o bloqueio de recursos pelo banco Daycoval, entrou com pedido de RJ em março de 2024;
  • Subway: em dívida de R$ 482 milhões, entrou com pedido de RJ em março de 2024;
  • Coteminas: pedido de RJ em maio, devido ao vencimento antecipado de debêntures cobradas pelo fundo FIP Odernes;
  • Casas Bahia: em agosto de 2023, entrou com pedido de RJ com dívida que supera R$ 4,1 bilhões;
  • Lojas Americanas: em janeiro de 2023 entrou com o pedido, com dívida de R$ 43 bilhões.

Como funciona a recuperação judicial?

A recuperação judicial funciona da seguinte maneira: quando uma empresa enfrenta dificuldades para pagar suas dívidas, ela pode protocolar um pedido na Justiça para obter proteção contra a execução dessas dívidas pelos credores. 

Neste processo, é importante listar todos os credores, que podem ser bancos, instituições, empresas e pessoas físicas.

A recuperação judicial é fundamental para permitir que uma empresa em dificuldades financeiras continue operando enquanto negocia com seus credores, sob supervisão judicial. Durante esse período, as dívidas são congeladas por 180 dias e a empresa continua suas operações. Esse é um recurso para evitar a falência.

O que acontece com a empresa que está em recuperação judicial?

Durante a recuperação judicial, a empresa pode continuar operando e cumprindo sua função social, que envolve gerar empregos, pagar impostos e movimentar bens e serviços.

Além disso, ela deve apresentar um plano detalhado para pagar suas dívidas, com parcelamento, prorrogação do prazo de pagamento, descontos ou carência. Também deve explicar como planeja levantar recursos para honrar essas dívidas renegociadas, muitas vezes através da venda de ativos ou redução de despesas.

Um administrador judicial designado pelo tribunal atua como intermediário entre a empresa, a justiça e os credores. Ainda, a recuperação judicial deve ser encerrada em até 2 anos, mas, na prática, esse prazo pode ser estendido com autorização judicial.

Qual o impacto da recuperação judicial nas ações?

Em geral, quando uma empresa que possui ações negociadas em bolsa entra com pedido de recuperação judicial, o preço dessas ações cai drasticamente. Isso ocorre porque o mercado interpreta o pedido como um sinal de problemas financeiros significativos, aumentando a incerteza sobre o futuro da empresa.

Por exemplo, em janeiro de 2023, quando a Americanas fez o pedido de recuperação judicial, suas ações (AMER3) registraram quedas acumuladas de 91,67%, chegando a valer apenas R$ 0,34, menor valor histórico da empresa. 

Essa queda no valor das ações é o principal risco para os acionistas. No entanto, há investidores com perfil mais agressivo que veem oportunidade em comprar ações a um preço baixo durante a recuperação judicial. Assim, eles apostam que o processo de reestruturação será bem-sucedido e o valor poderá se recuperar no futuro.

A empresa paga dividendos durante a recuperação judicial?

Vale lembrar que, durante o processo de recuperação judicial, a legislação impede que a empresa pague dividendos aos acionistas até que o plano de recuperação seja aprovado.

Após a aprovação do plano, a empresa pode retomar o pagamento de dividendos e outras remunerações aos acionistas, se estiver em condições financeiras adequadas.

Portanto, antes de fazer um investimento, é importante avaliar muito bem os balanços financeiros da empresa. Você também pode consultar o Banco de Falências e Recuperações Judiciais, do Tribunal Superior do Trabalho, para saber se a empresa está em recuperação judicial. Dessa forma, é possível entender melhor a situação econômica e as perspectivas de retorno para os acionistas.

Vale a pena investir no varejo brasileiro em 2024?

Pode valer a pena investir no varejo brasileiro em 2024, para investidores mais arrojados que desejam apostar alto na recuperação do mercado. 

O setor enfrenta altos juros, redução na renda do consumidor e forte concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico. Isso tem impactado varejistas tradicionais que dependem de lojas físicas e vendem produtos padronizados.

Empresas como Magazine Luiza têm buscado se modernizar para competir online, mas ainda têm dificuldades para alcançar a mesma escala de gigantes como Amazon e Mercado Livre.

É possível investir no varejo e ter lucro, mas para isso, é necessário conhecer bem o mercado e fazer muita pesquisa para conferir o balanço financeiro de cada empresa. Ainda, é sempre fundamental diversificar os investimentos para mitigar os riscos, desafios e volatilidade do mercado.

Para investir no setor, aposte em empresas com estruturas de capital sólidas e baixo endividamento. Nesse caso, varejistas com e-commerces fortes e da área da moda são os mais indicados. 

Quer saber mais sobre o caso da Polishop e outros varejistas? Acompanhe o blog da Nord Research e fique por dentro de atualizações sobre esse assunto e outras notícias sobre o mercado financeiro. 

Perguntas frequentes

Por que a Polishop entrou com pedido de recuperação judicial?

A Polishop entrou com pedido de recuperação judicial devido ao acúmulo de R$ 395 milhões em dívidas. A pandemia de Covid-19 reduziu seu faturamento, que também sofreu com aumento da taxa Selic e restrições de crédito.

Há uma crise no setor varejista?

Outras varejistas também enfrentaram dificuldades similares devido à pandemia, inflação e altas taxas de juros. Até mesmo, empresas de capital aberto, como Americanas e Casas Bahia.

Qual o impacto da recuperação judicial nas ações?

Geralmente, quando uma empresa entra com pedido de recuperação judicial, o preço de suas ações cai devido à incerteza sobre o futuro da empresa. Ela também não pode pagar dividendos aos acionistas.

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