Lucro da Vamos (VAMO3) soma R$ 78 milhões no 4T25, queda de 53%
Resultados da Vamos (VAMO3) no 4T25 mostram crescimento de receita, mas queda no lucro e pressão nas margens. Veja análise completa
A Vamos (VAMO3) apresentou, no 4T25, resultados em linha com o consenso do mercado, mas mantendo a deterioração das margens. A receita líquida atingiu R$ 1,5 bilhão, crescimento de +24% frente ao 4T24. O Ebitda ajustado somou R$ 957 milhões, alta de +13%. O lucro líquido ajustado recuou -53% a/a, para R$ 78 milhões.

Sinais operacionais positivos
Do lado operacional, a Vamos registrou recordes em volume de frota alugada, contratos em vigor e receita com seminovos. A taxa de ocupação da frota alcançou 86,9%, frente a 84,2% no 4T24 e 85,9% no 3T25. A frota de locação, por sua vez, encerrou 2025 em 51,9 mil ativos, um leve incremento de +1% a/a.
Com essa evolução e os maiores yields, a Vamos apresentou, no 4T25, um crescimento de +11% da receita de serviços (locação), mas perdeu representatividade no mix total, caindo de 81% para 72% da receita líquida total.
Já a receita com a venda de ativos (seminovos) praticamente dobrou na comparação com o 4T24, em linha com a estratégia da companhia, principalmente em meio ao momento desafiador, com a retomada e devolução de ativos nos últimos trimestres.
Diante dessa dinâmica, a receita líquida total da Vamos somou R$ 1,5 bilhão, um crescimento de +24% a/a.

Deterioração das margens
Contudo, refletindo a aceleração das vendas de ativos e, mesmo com a redução dos custos com serviços de locação, os custos totais praticamente dobraram na comparação com o 4T24. Do lado positivo, a inadimplência apresentou recuo, representando 0,8% da receita líquida de serviços no trimestre.
As despesas, por outro lado, apresentaram recuo de -28% a/a, compensando em parte a aceleração dos custos no trimestre.
Assim, diante da pressão na alavancagem operacional, o Ebitda ajustado da Vamos totalizou R$ 857 milhões, crescimento de +13% a/a. A margem Ebitda ficou em 64,5%, uma retração de -6,3 pontos percentuais.
O aumento da dívida continuou pressionando o resultado financeiro (negativo), que apresentou alta de +33% a/a.
Isso, combinado ao aumento da depreciação, resultou em recuo de -53% do lucro líquido, que encerrou o 4T25 em R$ 78 milhões.
Alavancagem elevada e rentabilidade pressionada
A dívida líquida da Vamos fechou 2025 em R$ 11,8 bilhões, leve aumento de +2% em relação ao 4T24. A alavancagem, medida por dívida líquida/Ebitda, ficou em 3,2x, contra 3,3x no 4T24.
Por fim, a companhia reportou, ao final do ano, um ROIC de 13,9% (-1,7 p.p.) e aumento do custo da dívida pós-imposto, que ficou em 10,8%.
Perspectivas para 2026
Em meio aos desafios dos últimos trimestres, a Vamos demonstrou avanços, como observado no guidance de 2025, no qual atingiu todas as metas propostas.
Para 2026, a companhia também anunciou um guidance. Entre os destaques, estão a projeção de manutenção da taxa de ocupação, o ritmo de venda de ativos e maior disciplina nos investimentos.
Com isso, a Vamos projeta crescimento de 3% a 10% do Ebitda consolidado e leve redução da alavancagem (-0,3x a -0,1x).

Mesmo com um backlog (receita bruta contratada) de mais de R$ 4 bilhões para 2026, o consenso de mercado aponta para um crescimento mais moderado do que o observado historicamente: cerca de +15% da receita líquida, +7% do Ebitda e +39% do lucro líquido.
Ainda que o modelo de negócios da Vamos se mantenha resiliente, a companhia ainda tem um caminho a percorrer para superar os desafios do cenário e deve continuar convivendo com uma alavancagem elevada.
Assim, mesmo negociando a múltiplos atrativos, os riscos seguem relevantes, reforçando nossa recomendação neutra para VAMO3 neste momento.

