Vamos (VAMO3) no 3T25: receita cresce, mas lucro recua; o que fazer agora?
Vamos (VAMO3) teve receita de R$ 1,53 bi no 3T25, mas lucro caiu 72,7%. Veja análise completa dos resultados
A Vamos (VAMO3) apresentou no 3T25 um avanço sólido de receita, mas com forte deterioração das margens e do lucro. A receita líquida atingiu R$ 1,53 bilhão, crescimento de 25,2% frente ao 3T24. O Ebitda ajustado somou R$ 895 milhões, ligeira alta de 3,7%. O lucro líquido ajustado recuou 72,7%, para R$ 50,4 milhões.

As ações da Vamos chegaram a cair mais de -7% na quarta-feira, 12, após divulgar o balanço do 3T25, que veio abaixo das expectativas.

Sinais positivos com margens pressionadas
A Vamos apresentou no 3T25 um crescimento de 25,2% na receita líquida em comparação com o mesmo período de 2024, alcançando R$ 1,53 bilhão, impulsionada principalmente pela venda de ativos seminovos, cuja receita saltou 87,4%. A receita com serviços cresceu 12%, mas perdeu representatividade no mix total, caindo de 76,0% para 67,9% da receita líquida.
O Ebitda ajustado aumentou modestos 3,7%, totalizando R$ 895 milhões, enquanto a margem Ebitda ajustada recuou fortemente de 70,7% para 58,5%. Esse recuo foi reflexo do aumento nos custos operacionais, especialmente com manutenção de frota, pessoal, preparação de ativos e despesas administrativas.
O lucro líquido consolidado caiu 72,7% em relação ao 3T24, encerrando o trimestre em R$ 50,4 milhões. Essa queda expressiva foi resultado, sobretudo, da alta nas despesas financeiras, que cresceram 35,3% no comparativo anual, além da elevação de 39,9% nas despesas com depreciação e amortização, pressionadas pelo crescimento da base de ativos e pelo aumento da frota ociosa.
A margem líquida ajustada, que era de 15,1% no 3T24, recuou para apenas 3,3%.
Caixa robusto e alavancagem sob controle
Do lado operacional, a companhia registrou recordes em volume de frota alugada, contratos em vigor e receita com seminovos. A taxa de ocupação da frota alcançou 85,8%, frente a 82,9% um ano antes, beneficiada pela redução do estoque de ativos ociosos e por ações comerciais que impulsionaram a colocação de ativos.
A inadimplência também recuou, representando 1,7% da receita líquida de serviços. A estratégia da empresa focou em maior seletividade na concessão de crédito e redução da exposição ao setor de transporte de grãos, que representou apenas 1,2% da receita no período.
A posição financeira mostrou avanço. A dívida líquida fechou o trimestre em R$ 11,96 bilhões, com redução de 2,9% em relação ao 2T25 e crescimento de 8,2% em 12 meses. A alavancagem medida por dívida líquida sobre Ebitda caiu para 3,27x, atingindo o guidance da companhia para o ano.
A geração de caixa foi robusta e superou o Ebitda, permitindo cobrir o capex e os juros, o que possibilitou reduzir a dívida líquida pela primeira vez em oito trimestres.
Do lado financeiro, a locadora de caminhões e máquinas encerrou o trimestre com R$ 4,6 bilhões em caixa e dívida líquida de R$ 11,96 bilhões, queda de 2,9% em relação ao trimestre anterior.
Perspectivas para 2025: guidance mantido e produto em alta
A companhia reforçou seu guidance para 2025, prevendo um Ebitda entre R$ 3,5 e 3,9 bilhões (com 72,4% já atingidos nos nove primeiros meses do ano) e lucro líquido entre R$ 300 e 450 milhões (com 66,9% já realizados).
Além disso, a Vamos realizou duas novas captações em outubro de 2025, totalizando R$ 2,2 bilhões, que ajudaram a alongar o prazo médio da dívida de 4,0 para 4,8 anos, sem impacto no custo médio.
Apesar dos avanços operacionais, a análise técnica dos resultados revela compressão nas margens e perda de rentabilidade. A companhia enfrenta uma pressão clara nos lucros, em um cenário de custos crescentes e aumento das despesas financeiras.
A margem Ebitda menor na venda de seminovos e os impactos de curto prazo da preparação da companhia para o crescimento futuro reduziram a eficiência financeira no trimestre.
Ainda que o modelo de negócios da Vamos se mantenha resiliente, os resultados do 3T25 indicam que a conversão de crescimento em lucro foi limitada.
Mantemos recomendação de compra com um percentual bem baixo na companhia, com acompanhamento constante dos seus próximos passos.
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