Tesouro Selic: o investimento considerado mais seguro do Brasil

Entenda por que o Tesouro Selic é considerado o investimento mais seguro do Brasil e como montar uma carteira de acordo com o risco que você tolera

Marilia Fontes 16/07/2026 09:30 7 min
Tesouro Selic: o investimento considerado mais seguro do Brasil

Minha mãe é médica. Quarenta anos de carreira, com especialidades nas melhores faculdades do país, experiente em uma área que exige raciocínio clínico apurado, atenção a detalhes e capacidade de tomar decisões difíceis sob pressão. Ela é, por qualquer critério razoável, uma pessoa extremamente inteligente e bem-sucedida.

Outro dia, ela me ligou depois de um vídeo meu no Instagram e disse: "Lilizinha, eu amo te ver falar, você explica muito bem, mas eu preciso ser honesta: não entendo porcaria nenhuma do que você fala." E riu.

Eu também ri, mas fiquei pensando no que ela disse. Porque minha mãe é cliente da Nord Wealth, a área de gestão de patrimônio da Nord.

Ela tem uma carteira de investimentos cuidada por profissionais de alta qualidade e confia plenamente no trabalho deles. Mesmo assim, quando eu abro a boca para explicar o mercado financeiro, parece que estou falando uma língua estrangeira.

Isso me incomoda. Não porque ela precisa virar analista. Mas porque acredito que todo investidor, mesmo aquele que delega completamente as decisões, precisa entender pelo menos o básico do que está acontecendo com o próprio dinheiro.

Então, este artigo é para ela. E para todos que se sentem da mesma forma.

O ponto de partida: existe um investimento sem risco?

A primeira coisa que precisa ficar clara é que existe, sim, um investimento que, para fins práticos, pode ser considerado sem risco no Brasil. Ele se chama Tesouro Selic.

O Tesouro Selic é um investimento de renda fixa no qual você empresta dinheiro ao governo federal e recebe uma remuneração atrelada à taxa Selic, os juros básicos da economia.

Hoje, com a Selic em 14,25% ao ano, quem investe no Tesouro Selic está ganhando pouco mais de 1% ao mês sem fazer nada, sem correr risco relevante e podendo resgatar o dinheiro no dia seguinte se precisar.

Por que sem risco? Porque o governo federal brasileiro, por definição, é o credor mais seguro da economia. Ele pode emitir mais moeda para pagar, o que geraria inflação, poderia aumentar os impostos ou apelar para entidades monetárias internacionais. Esse é um tipo diferente de risco, e é muito menor do que o risco de qualquer outra coisa que você pode fazer com o seu dinheiro.

O Tesouro Selic é, portanto, o ponto de referência de tudo. É o chão. Qualquer outro investimento precisa ser comparado a ele.

A regra de ouro: mais risco, mais retorno potencial. Sempre

A partir do Tesouro Selic, qualquer investimento que você considerar vai ter mais risco. E aqui vem a regra mais importante do mercado financeiro, aquela que, se você entender só ela, já vai estar na frente da maioria das pessoas:

Se o investimento tem mais risco do que o Tesouro Selic, ele tem que pagar mais do que o Tesouro Selic. Senão, não faz o menor sentido.

Parece óbvio quando escrito assim, mas você ficaria surpreso com a quantidade de pessoas que têm o dinheiro aplicado em produtos que pagam menos do que o Tesouro Selic e ainda correm mais risco. CDB de banco grande pagando 80% do CDI, por exemplo. Ou fundo de banco com taxa de administração de 1,5% ao ano que mal empata com a Selic depois de descontar a taxa.

São produtos que existem porque os bancos os oferecem, não porque são boas escolhas para o cliente.

Antes de aceitar qualquer investimento, a primeira pergunta é sempre: isso paga mais do que o Tesouro Selic? Se a resposta for não, ou se você não souber a resposta, já é motivo suficiente para não aplicar.

A escala de risco e retorno: como montar uma carteira de verdade

Montar uma carteira de investimentos é, no fundo, uma coisa só: decidir até onde você quer subir na escala de risco, sabendo que a cada degrau que sobe, o potencial de retorno aumenta, mas a possibilidade de perder dinheiro no curto prazo também.

1º degrau — CDBs, LCIs, LCAs e demais produtos de bancos privados: aqui você está adicionando o que chamamos de risco de crédito: a chance, pequena mas real, de que o banco emissor não consiga te pagar. Por isso, esses produtos precisam pagar mais do que o Tesouro. E quanto menor e menos conhecido o banco, maior o risco e maior deveria ser a taxa.

Produtos com garantia do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, oferecem proteção de até R$ 250 mil por CPF por instituição, o que reduz bastante esse risco para quem respeita esse limite.

2º degrau — Títulos prefixados do Tesouro e títulos IPCA+ juro fixo, quando comprados com a intenção de vender antes do vencimento: esses títulos oscilam de preço conforme as expectativas de juros mudam no mercado. Se os juros subirem depois que você comprou, o preço do seu título cai. Se os juros caírem, o preço sobe. Quem segura até o vencimento recebe exatamente o que foi prometido, sem surpresa. Quem precisa sair antes pode ganhar mais ou perder, dependendo do momento.

3º degrau — Crédito privado: debêntures, CRIs, CRAs, FIDCs: são títulos emitidos por empresas, não por bancos nem pelo governo. O risco de crédito é maior porque uma companhia pode ter dificuldades financeiras, atrasar pagamentos ou, em casos extremos, entrar em recuperação judicial. Em troca, as taxas costumam ser mais altas do que as dos títulos públicos ou bancários equivalentes.

4º degrau — Fundos imobiliários (FIIs): ao comprar uma cota de um FII, você está se tornando sócio de imóveis ou de carteiras de títulos imobiliários, e recebe distribuições mensais de rendimento, geralmente isentas de imposto de renda para pessoa física. O preço das cotas oscila na Bolsa diariamente, então existe volatilidade.

5º degrau — Ações: comprar uma ação é comprar um pedaço de uma empresa. Você passa a ser sócio, com direito a dividendos quando a companhia distribui lucros e com exposição total à valorização ou à desvalorização do negócio. Ações podem dobrar de preço em um ano, mas também podem cair 50%.

6º degrau — Criptomoedas: é o ativo de maior volatilidade entre todos, com potencial de ganhos expressivos e de perdas igualmente expressivas em janelas curtas de tempo. Quem entra aqui precisa estar disposto a conviver com oscilações que assustam e a limitar esse tipo de exposição a uma parcela pequena do patrimônio total.

Uma carteira de investimentos não é uma lista de produtos. É uma decisão sobre quanto risco você está disposto a correr em troca de quanto retorno potencial a mais quer ter.

Alguém muito conservador, que precisa do dinheiro em breve ou simplesmente não tolera ver o patrimônio oscilar, fica nos primeiros degraus da escala. Rentabilidade menor, mas paz de espírito e liquidez.

Alguém com horizonte de longo prazo, que não vai precisar desse dinheiro por dez anos e aguenta ver o patrimônio oscilar sem entrar em pânico, pode subir mais na escala. Mais volatilidade no caminho, mas mais potencial de construção de patrimônio no longo prazo.

A maioria das pessoas fica em algum ponto intermediário, e isso é absolutamente razoável. O que não é razoável é ter risco sem retorno, ou correr mais risco do que o necessário para o objetivo que se tem.

Por que entender o básico importa, mesmo quem delega os investimentos

Minha mãe vai continuar confiando nos profissionais da Nord Wealth para cuidar do patrimônio dela. Ela não precisa virar analista de investimentos, assim como eu não preciso virar médica para confiar no diagnóstico dela. Existe uma divisão de trabalho que faz sentido.

Mas existe uma diferença importante entre confiar no trabalho de alguém e não entender nada do que essa pessoa faz.

Até porque, apenas você é capaz de dizer em que escala de risco você topa se posicionar.

A grande maioria das confusões entre cliente e assessor vem quando algum ativo perdeu e o cliente é surpreendido. Ele delega a gestão, mas quem escolhe a escala de risco é o assessor.

Quando você entende o básico, pelo menos o suficiente para saber em que degrau da escala está e por que está lá, consegue fazer perguntas melhores, tomar decisões mais conscientes e, principalmente, não entrar em pânico quando o mercado oscila.

Esse é o mínimo que todo investidor merece entender. Independentemente de quão boa seja a equipe que cuida do seu dinheiro.

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