Resultado Uber 4T25: crescimento, margens e o futuro do modelo
A Uber divulgou resultados sólidos no 4T25, com forte EBITDA, crescimento de receitas e avanços em mobilidade, entregas e veículos autônomos (AVs)
A Uber divulgou resultados do 4T25 sólidos, com crescimento consistente de receita, forte avanço de EBITDA e expansão saudável dos volumes na plataforma. Os números confirmam que o modelo atual segue funcionando muito bem. A dúvida do mercado, no entanto, continua menos sobre o presente — e mais sobre o que vem depois.
Destaques do resultado da Uber no 4T25
- Receitas: US$ 14,37 B +20% a.a (exp. US$ 14,32 B)
- Ebitda Aj: US$ 2,5 B +35% a.a (exp. US$ 2,48 B)
- Lucro Operacional: US$ 1,9 B +46% a.a (exp. 1,9)
- Lucro por ação (EPS): U$ 0,71 +27% a.a (exp. US$ 0,72)
- Bookings: U$ 54,1 B +22% a.a (exp. US$ 53 B)
- Viagens: 3,75 B +22% a.a

Na prática, o trimestre mostrou um crescimento bastante equilibrado entre volumes, monetização e rentabilidade.
O negócio da Uber
Vale reforçar a dinâmica do negócio. O Gross Bookings representa o valor total pago pelos usuários nas corridas e entregas, enquanto a receita da Uber é apenas a parcela que fica com a empresa após o repasse a motoristas e entregadores.
No 4T25, essa relação continuou evoluindo de forma saudável:

Mobilidade:
- Bookings: +19% a.a.
- Receita: +18% a.a.
- Take rate próxima de 30%, estável e elevada.


Entregas:
- Bookings: +26% a.a.
- Receita: +29% a.a.
- Take rate próxima de 20%, com melhora relevante — principal destaque positivo do trimestre.
Fretes:
- Segmento mais fraco e menos relevante para a tese, com desempenho lateral.
- O avanço mais rápido das receitas em relação aos bookings, especialmente em Entregas, mostra ganhos graduais de monetização, sem sinais de deterioração de demanda.
Um 2025 de crescimento e solidez

A leitura do trimestre é consistente com o desempenho do ano cheio. Em 2025, a Uber:
- cresceu receitas em +18%,
- aumentou bookings em +19%,
- expandiu lucro em +32%.
Ou seja, crescimento com alavancagem operacional, algo que era questionado no passado e hoje está bem mais claro. E essa tendência positiva de crescimento parece que deve se manter ao longo de 2026.
Para o 1T26, a empresa projetou:
- crescimento de Gross Bookings entre +17% e +22%,
- EBITDA ajustado em linha com o consenso.
O guidance reforça a continuidade do crescimento, mas sem aceleração relevante - leitura coerente com uma empresa que já opera em grande escala.
Qual a função da Uber em um mundo sem motoristas?

A Uber sabe que essa dúvida existe — e direcionou boa parte de sua comunicação para isso. A empresa espera estar presente como plataforma facilitadora de veículos autônomos (AVs) em 15 cidades ainda em 2026, com a ambição de se tornar o maior facilitador global de AVs até 2029.
Em tese, a Uber deixaria de conectar passageiro e motorista para conectar passageiro e frota autônoma. A grande incerteza está na monetização desse modelo:
- A Uber seguirá sendo um intermediário indispensável?
- As montadoras ou operadoras de AVs vão verticalizar a relação com o cliente?
- Qual será a margem de um modelo com menos fricção, mas também menos escassez?
São perguntas legítimas — e ainda sem respostas claras.

