Raízen (RAIZ4) amplia prejuízo para R$ 15,6 bi no 3º tri
A Raízen (RAIZ4) reportou um prejuízo de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26); empresa faz impairment de R$ 11 bi
A Raízen (RAIZ4) reportou um prejuízo de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26).
Principais destaques do balanço da Raízen no 3° tri da safra 2025/26
No trimestre, a Raízen reportou uma receita líquida de R$ 60,4 bilhões no 3T 25/26, recuo de -9,7% na comparação anual. O Ebitda ajustado foi de R$ 3,1 bilhões, -3,3% menor quando comparado ao mesmo período da safra anterior (2024/25). E o destaque do balanço ficou para o prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões, contra um prejuízo de R$ 2,6 bilhões no 3T 24/25.

Vale ressaltar que a Raízen segue o calendário do ano-safra, de modo que seu exercício social compreende o dia 1° de abril de cada ano até o dia 31 de março do ano seguinte.

EAB: menor produtividade ainda pressiona
No segmento EAB (Etanol, Açúcar e Bioenergia), a produtividade ainda segue pressionada pelas queimadas na safra anterior, pelo baixo volume de chuvas na entressafra e pela geada neste ano-safra.
Diante desses fatores, observamos menores volumes comercializados de etanol e menores preços do açúcar, refletindo em uma receita da EAB de R$ 14,9 bilhões, uma queda de -20% versus o 3T 24/25.
Paralelamente, observamos uma queda de -18% a/a do custo total, pressionado pela menor diluição dos custos fixos e pelos maiores preços dos insumos e serviços.
A companhia entregou redução das despesas com vendas; porém, observamos um aumento pontual das despesas gerais e administrativas.
Dessa forma, o Ebitda ajustado da EAB totalizou R$ 1,2 bilhão, queda de -34% a/a.
Distribuição Brasil sustentando o trimestre
Na operação de Distribuição de Combustíveis Brasil, a Raízen foi mais uma vez o destaque positivo e compensou o desempenho negativo dos outros negócios.
No 3T 25/26, o segmento reportou aumento de +12% a/a do volume de vendas, reflexo dos maiores volumes das duas principais linhas: (i) Diesel, crescimento de +18% a/a, ampliando o atendimento B2B e pelo varejo; e (ii) Ciclo Otto (gasolina + etanol), que apresentou um incremento de +6% a/a nas vendas, com a maior competitividade da gasolina.
Com o aumento dos volumes, a receita líquida da Distribuição BR totalizou R$ 41,9 bilhões (+0,3% a/a). Adicionalmente, o segmento continuou reportando redução dos custos (-1% a/a) e das despesas (-20% a/a), reflexo da maior disciplina, eficiência e otimização da estrutura. Refletindo tudo isso, o Ebitda ajustado da Distribuição BR totalizou R$ 1,6 bilhão (+50% a/a).
Já no segmento de Distribuição de Combustíveis Argentina, reportou uma alta de +4% no volume de vendas; entretanto, a receita líquida recuou -14% a/a, refletindo o efeito cambial. E, mesmo com os ganhos de eficiência (redução das despesas), o Ebitda da unidade apresentou um recuo de -24% a/a, pressionado pela desvalorização do peso argentino, pela inflação e pela volatilidade do petróleo no período.
Refletindo o desempenho da EAB e da Distribuição de Combustíveis, a receita líquida consolidada da Raízen totalizou R$ 60,4 bilhões no 3T 25/26, recuo de -9,7% na comparação anual.
Raízen registra prejuízo no 3° tri da safra 2025/26
As dificuldades enfrentadas na EAB e na Distribuição da Argentina foram parcialmente compensadas pela performance positiva da Distribuição do Brasil. Isso, somado, principalmente, aos ganhos de eficiência que a Raízen vem executando, refletiu um Ebitda ajustado de R$ 3,1 bilhões, -3,3% a/a.
O resultado financeiro do período foi negativo em R$ 2,3 bilhões, estável na comparação anual (-3% a/a), mas ainda elevado e corroendo a lucratividade da companhia, devido ao elevado endividamento e à taxa de juros.
O prejuízo líquido da Raízen, de R$ 15,6 bilhões no 3T 25/26, foi o grande destaque no trimestre. Contudo, vale ressaltar que o prejuízo foi resultado de um impacto pontual e sem efeito caixa de um impairment de R$ 11,1 bilhões. Desconsiderando esse impacto não recorrente, o prejuízo do 3T 25/26 seria de R$ 4,5 bilhões, refletindo o menor resultado operacional.
Alavancagem sobe para 5,3x Ebitda
Em relação à estrutura de capital da Raízen, a companhia reportou, no 3T 25/26, uma dívida bruta de R$ 70 bilhões e um caixa de R$ 17 bilhões, representando uma dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, 3,5% maior que a reportada no trimestre anterior (2T 25/26).
Assim, a Raízen atingiu uma alavancagem (Dívida Líquida/Ebitda) de 5,3x Ebitda no período, contra 5,1x reportado no trimestre anterior, um patamar bastante elevado.
Por fim, mas não menos importante, a Raízen entregou um fluxo de caixa operacional negativo de R$ 11,3 bilhões no acumulado dos 9 meses 25/26, ainda refletindo os desafios que a companhia vem enfrentando operacionalmente. Mesmo com o resultado negativo, observamos uma evolução, refletindo a melhor gestão do capital de giro nos últimos trimestres.
Mesmo com a melhora operacional, avanços na reestruturação e na redução de -22% do capex nos últimos 9 meses 25/26, a Raízen acumula uma queima de caixa relevante de cerca de R$ 5 bilhões.
Quais as perspectivas para a Raízen?
O destaque positivo do trimestre continua sendo a postura e os esforços da Raízen para reduzir seu endividamento, promover ganhos de eficiência e realizar desinvestimentos.
A combinação de um forte ciclo de expansão com juros elevados, eventos climáticos e incertezas macroeconômicas criou um cenário bastante desafiador para a Raízen nos últimos anos.
Convivendo com uma estrutura de capital delicada, a companhia agora está focada na sua reestruturação.
Nesse sentido, vimos uma postura positiva da Raízen, deixando clara a sua situação, inclusive endereçando isso no seu release e no discurso do CEO na teleconferência. A comunicação enfatizou que, operacionalmente, a companhia não possui capacidade para suportar a atual estrutura de capital e que os seus controladores (Cosan e Shell) estão comprometidos com a recuperação da empresa com capital.
Além disso, também sinalizaram a expectativa sobre a venda da operação na Argentina este ano e o objetivo de alcançar uma alavancagem mais confortável.
Seja como for, a Raízen vem entregando avanços nos últimos meses com a redução do Capex, diminuição dos custos e despesas e a venda de ativos.
A situação da Raízen é bastante delicada, mas, do lado positivo, estamos observando avanços na reestruturação por parte da companhia e um discurso e comprometimento bem alinhados com a situação atual.
Contudo, a companhia ainda depende de uma capitalização dos seus controladores para ao menos ganhar fôlego durante a sua reestruturação. Ou seja, as atenções ficam voltadas para uma definição entre Cosan e Shell.

