Produção industrial recua 0,2% em maio e fica abaixo das expectativas do mercado

A produção industrial caiu 0,2% em maio, abaixo das expectativas. Veja os setores que puxaram o resultado e os impactos para a Selic e a economia

Gabriel Nakaya 03/07/2026 10:55 3 min
Produção industrial recua 0,2% em maio e fica abaixo das expectativas do mercado

A produção industrial recuou 0,2% em maio, abaixo do avanço projetado pelo mercado (+0,3%), interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de alta. 

Produção industrial recua pela primeira vez em 2026 

Esse foi o primeiro resultado negativo do ano. A queda da produção industrial em maio foi registrada em três das quatro grandes categorias econômicas, mas apenas em 8 dos 25 ramos analisados.

Petróleo e indústrias extrativas concentraram a queda 

Os principais vetores do recuo se concentraram justamente nos setores de maior peso, que vinham puxando a indústria: coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e indústrias extrativas (-2,6%). Ambos interromperam cinco meses consecutivos de expansão, pressionados por álcool etílico e gasolina, no primeiro caso, e por minério de ferro, óleos brutos e gás natural, no segundo.

Setores que avançaram em maio 

Já do lado positivo, destaque para produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+13,1%), interrompendo quatro meses de queda. Em seguida, vieram veículos automotores, reboques e carrocerias (+4,1%), produtos químicos (+3,1%), confecção de artigos do vestuário (+4,7%), outros equipamentos de transporte (+4,7%) e metalurgia (+2,3%).

Resultado anual desacelera, mas fatores pontuais influenciaram o dado 

Na leitura anual, o setor industrial cresceu apenas 0,2%, abaixo do 1,2% projetado pelo mercado e bem menos que os 2,7% registrados em abril. 

Parte dessa desaceleração, porém, é explicada por fatores pontuais: maio deste ano teve um dia útil a menos que maio do ano passado, e a base de comparação era elevada, já que a indústria havia crescido 3,4% em maio de 2025.

Com o resultado fraco do mês, o acumulado do ano desacelerou, passando de 1,7% para 1,4%.

O que o desempenho da indústria sinaliza para a economia 

Depois de uma sequência de surpresas positivas, tivemos o primeiro resultado abaixo do consenso do mercado, sinalizando que a atividade industrial começa a dar sinais de acomodação após um primeiro trimestre forte, com destaque para o recuo dos bens de capital (-6,7% na comparação anual), um importante termômetro dos investimentos.

Ainda assim, vale cautela antes de concluir que há uma inflexão na atividade industrial como um todo, pois a queda ficou concentrada em petróleo e indústrias extrativas, setores que vinham de cinco meses seguidos de forte alta. Além disso, o resultado anual foi levemente distorcido por um dia útil a menos no mês e pela base elevada de comparação.

Como o mercado passou a enxergar a trajetória da Selic 

Mesmo com o dado mais fraco da indústria, o mercado segue precificando uma Selic acima de 14% no fim de 2026, com interrupção do ciclo de cortes e chegando a precificar possíveis elevações no fim do ano. 

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