PRIO (PRIO3): o balanço do 2T26 e o upside de 50% que sustenta a tese
A PRIO reportou Ebitda +218% no 2T26, produção de 172 mil barris/dia e lifting cost de US$ 8,9. Confira a análise do balanço e as perspectivas para PRIO3
A PRIO (PRIO3) divulgou, na noite de 4 de agosto, o balanço do segundo trimestre de 2026, e os números vieram fortes em toda a linha: a receita líquida mais que dobrou, o Ebitda ajustado somou US$ 878,6 milhões e o lucro líquido chegou a US$ 413,3 milhões.
O trimestre consolida os dois movimentos que a companhia vinha perseguindo: o aumento da produção, com a entrada de Wahoo e a incorporação de uma fatia maior em Peregrino; e a queda do custo de extração, que recuou para US$ 8,9 por barril. Só no primeiro semestre, a PRIO já entregou um Ebitda maior do que o de todo o ano de 2025.
A seguir, os destaques do resultado, as perspectivas para os próximos trimestres e o que isso significa para quem tem PRIO3 em carteira.

No 2T26, a PRIO entregou um aumento de +87% no volume de óleo vendido, superando a marca de 15 milhões de barris comercializados, e sua receita cresceu +160%, impulsionada por um Brent +45% maior e por um menor nível de descontos praticados (US$ 6,9), ainda que o imposto de exportação tenha limitado a captura integral do cenário favorável para o petróleo.
A produção total foi de 172 mil barris/dia, alta de +72%, em função do início da produção em Wahoo, das manutenções/dosnovos poços em Polvo + TBMT e a incorporação dos 40% adicionais de participação em Peregrino (que também recebeu um novo poço produtor), apesar de uma produção um pouco menor em Albacora (devido à formação de hidrato e à parada para manutenção).
Com a diluição dos custos, decorrente do aumento da produção e da otimização dos gastos em Peregrino (cuja operação foi assumida em novembro), o lifting cost (custo de extração por barril) foi de US$ 8,9, redução de -36%.
Dessa forma, os custos totais da companhia subiram apenas +13% e, apesar do aumento de +41% nas despesas (devido aos maiores gastos com geologia e geofísica no trimestre), o Ebitda apresentou uma forte alta de +218% (margem Ebitda de 72%, +13 p.p.).
Contudo, o crescimento do lucro foi menos expressivo, avançando 169%. Isso ocorreu devido ao aumento das despesas com depreciação e amortização, relacionadas aos 40% adicionais do campo de Peregrino, e das despesas financeiras, refletindo a maior posição de dívida e a perda do prêmio pago nas operações de hedge com derivativos.
Vale destacar ainda que a linha de impostos foi positiva no 2T25 e negativa no 2T26, em razão do impacto da variação cambial sobre o imposto diferido.
Com o forte resultado, a dívida líquida da companhia caiu para US$ 4 bilhões, mesmo com alguns investimentos sendo adiantados (US$ 285 milhões no trimestre) e US$ 114 milhões utilizados em recompra de ações, e a alavancagem da companhia foi reduzida para 1,5x Ebitda (considerando 80% de Peregrino no Ebitda dos últimos 12 meses).

Perspectivas para a PRIO
Se 2025 foi um ano atípico para a PRIO (queda de -17% em seu Ebitda), em 2026 o cenário não poderia estar mais favorável.
Ao mesmo tempo em que a empresa está entregando aumento de produção e redução do lifting cost, o petróleo está apresentando forte valorização e, apenas no primeiro semestre deste ano, a companhia já entregou um Ebitda maior do que o do ano passado inteiro (US$ 1,7 bilhão vs. US$ 1,4 bilhão).

Produção de julho já alcança 196 mil barris/dia
A companhia também divulgou seus dados operacionais de julho e, com a entrada do último poço de Wahoo, a normalização da produção em Albacora e um novo poço em Peregrino (retomando a produção total do campo para um patamar acima de 100 mil barris/dia), a produção total da PRIO em julho alcançou 196 mil barris/dia.

Como a empresa ainda planeja colocar mais dois poços em produção em Peregrino e dois em Frade no segundo semestre de 2026, o patamar alvo de 200 mil barris/dia de produção será alcançado antes mesmo da conclusão da aquisição dos 20% remanescentes de Peregrino (prevista para ocorrer entre outubro e novembro).
Peregrino: gás no lugar do diesel
Além do aumento na produção, a conclusão do reparo no duto de importação de gás em Peregrino vai permitir a substituição do diesel pelo gás e a conclusão do plano de redução dos custos do campo (de US$ 550 milhões/ano com o antigo operador para talvez menos de US$ 200 milhões/ano na PRIO), o que beneficiará ainda mais o lifting cost (a companhia projeta que ele fique entre US$ 7 e US$ 8 no 3T26).
Capex menor a partir do segundo semestre de 2026
Diante de um cenário tão favorável, a companhia antecipou parte dos investimentos planejados — o capex alcançou quase US$ 600 milhões no 1S26. No entanto, a expectativa é que os desembolsos sejam significativamente menores no 2S26 e que o capex total de 2027 fique em torno de US$ 450 milhões. Esse movimento deve acelerar a redução da alavancagem e abrir espaço para que uma parcela maior da geração de caixa seja destinada à recompra de ações e à distribuição de proventos.
Dividendos e metas de desalavancagem
A companhia disse que está esperando a situação geopolítica se normalizar antes de divulgar sua política de dividendos, mas que segue com a meta de alcançar uma dívida líquida de US$ 3,8 bilhões ao fim deste ano e US$ 3 bilhões no fim do ano que vem (equivalente a uma alavancagem de 1x DL/Ebitda com o petróleo a US$ 60, em média).
A empresa reforçou também que a política desenhada é flexível e, em um eventual cenário de troca de governo (que poderia levar a uma retomada da venda de ativos maduros por parte da Petrobras), a distribuição pode ser suspensa para acumulação de caixa com o objetivo de realizar novas aquisições de campos.
PRIO3 vale a pena no preço atual?
No preço atual, o upside da ação, levando em consideração o potencial de crescimento dos resultados em um cenário normalizado de petróleo, é de cerca de 50%, mas vale ressaltar que este número pode ser incrementado por um dividend yield próximo de 20% a.a., caso o cenário para realização de novos M&As continue negativo.
Desta forma, continuamos enxergando PRIO3 como uma boa oportunidade de investimento, desde que respeitado o limite de alocação recomendado.
Para conferir a alocação recomendada para a ação e as demais posições do portfólio, acesse a Carteira ANTI-Trader, da Nord Research.
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