PRIO (PRIO3) no 4T25: produção cresce e empresa mantém perspectivas positivas

PRIO (PRIO3) divulga resultados do 4T25 com aumento de produção, impacto do petróleo e novas perspectivas para 2026. Veja análise completa

Rafael Ragazi 11/03/2026 17:38 5 min
PRIO (PRIO3) no 4T25: produção cresce e empresa mantém perspectivas positivas

A PRIO (PRIO3) reportou resultados em linha com o esperado no 4T25, com receita líquida de US$ 586 milhões, alta de +28%, Ebitda de US$ 341 milhões, +6% maior, e prejuízo de US$ -185 milhões, vs. lucro de US$ 1,1 bilhão no 4T24. Todos os resultados foram comparados ao mesmo período do ano anterior.

Destaques dos resultados do 4T25. Fonte: PRIO RI

Produção de petróleo e vendas da PRIO no trimestre

No 4T25, a PRIO entregou aumento de +49% no volume de óleo vendido, totalizando 10,6 milhões de barris comercializados. Contudo, sua receita cresceu +20% em função da queda de -15% no Brent médio e de um maior nível de descontos (o óleo de Peregrino tem desconto maior).

A produção total no trimestre foi de 128 mil barris/dia, alta de +46%, com o declínio natural da produção em Frade sendo mais do que compensado pelo aumento da produção em Polvo + TBMT e pela incorporação de 40% adicionais do campo de Peregrino.

Lifting cost e evolução dos custos da PRIO

O lifting cost (custo de extração do barril) foi de US$ 12,5, o que ainda representa alta de +13% em relação ao 4T24, mas uma redução de -28% na comparação trimestral (com o início das reduções de custo em Peregrino, que passou a ser operado pela PRIO em novembro), marcando a inflexão da tendência de alta do indicador, que havia subido na comparação trimestral por sete trimestres consecutivos.

Dessa forma, os custos totais da companhia subiram +66%, enquanto as despesas cresceram +19% (maiores gastos com pessoal). Ainda assim, a companhia conseguiu interromper o ciclo de cinco trimestres consecutivos com Ebitda em queda anual e entregou crescimento de +6% em seu resultado operacional (margem Ebitda de 58%, -8 p.p.).

Impacto da aquisição de Peregrino na dívida da PRIO

Refletindo a aquisição de 80% do campo de Peregrino, a linha de depreciação e amortização apresentou alta de +140%, e as despesas financeiras também cresceram (aumento da dívida).

Adicionalmente, a valorização do real impactou negativamente a linha de imposto diferido. Assim, a companhia reportou prejuízo de US$ -185 milhões (vs. lucro de US$ 1,1 bilhão no 4T24, quando foi reconhecido o crédito fiscal da Dommo).

Em função do pagamento de US$ 1,5 bilhão referente ao closing da primeira parte da segunda compra de Peregrino, a dívida líquida da companhia alcançou US$ 4,3 bilhões no 4T25, o que representa 2,3x o Ebitda da companhia (considerando a parcela recém-incorporada de 40% de Peregrino no Ebitda dos últimos 12 meses).

Resultados da PRIO em 2025

No ano de 2025, a companhia entregou crescimento de +2% em sua receita, enquanto seu Ebitda caiu -17% e seu lucro recuou -77%, em função da combinação de crescimento da produção (+27%), compensado pela queda do petróleo (-15%), aumento do lifting cost (+55%), das despesas administrativas (+30%), da depreciação (+112%) e das despesas financeiras (+385%), além de diversos impactos (sem efeito caixa) na linha de impostos.

Perspectivas de produção da PRIO para 2026

Depois de enfrentar um período desafiador, as perspectivas são de retomada do crescimento em 2026. 

O objetivo da companhia é encerrar o ano com produção próxima de 200 mil barris/dia (já em 149 mil em fevereiro e 106 mil de média em 2025) e com o lifting cost novamente em um dígito, o que deixa a empresa em condições de entregar resultados maiores mesmo com o petróleo retornando a patamares mais normalizados (a média de 2025 foi de US$ 68).

O está perfurando o último poço produtor em Wahoo no momento, e a produção do campo será iniciada (com dois poços) na próxima semana. Os dados de volume de produção serão compartilhados com o mercado até duas semanas após o primeiro óleo (período de estabilização), e a expectativa é que em maio o campo esteja contribuindo com seus 40 mil barris/dia esperados.

Finalizando Wahoo, a companhia iniciará a campanha de revitalização de Frade (no segundo semestre), enquanto, paralelamente, continua trabalhando na recuperação do campo de Albacora ao longo do ano e espera concluir a aquisição dos 20% restantes de Peregrino no final do ano.

Em relação à alocação de capital, com perspectiva de estabilização da produção a partir de 2027 (menor capex) e sem vislumbrar grandes oportunidades de novas aquisições no momento, a forte geração de caixa da companhia será utilizada para reduzir a alavancagem, e o caixa excedente será retornado ao acionista na forma de recompra de ações ou dividendos.

As metas da companhia são reduzir sua alavancagem para 1,6x Dívida líquida/Ebitda até o fim de 2026 e para 1x até o fim de 2027. Como a empresa já geraria caixa suficiente para atingir esse objetivo mesmo com um petróleo bem mais baixo, caso ele permaneça em patamar elevado por algum tempo, pode ser que a companhia antecipe novos programas de recompra de ações ou distribuição de dividendos — cuja política será compartilhada até o meio do ano.

Reservas de petróleo da PRIO

Além do resultado, a PRIO também divulgou sua certificação de reservas de 2026, na qual conseguiu repor 84% do que produziu ao longo de 2025, principalmente com a contribuição do óleo de Peregrino. Levando em consideração os 20% restantes do campo, as reservas provadas (1P) cresceram para 811 milhões de barris, alta de +6% em relação a 2025.

As perspectivas da companhia já eram excelentes, e a atual instabilidade geopolítica global pode favorecer ainda mais seus resultados em 2026.

A partir de 2027, com a perspectiva de estabilidade na produção, o resultado da PRIO passará a ter correlação maior com as oscilações do petróleo. Contudo, isso não é uma preocupação no momento; o principal ponto de atenção em relação à ação é seu preço.

PRIO3 vale a pena? Avaliação da ação

O papel negocia atualmente a mais de 10x Ebitda (o setor historicamente negocia a cerca de 6x Ebitda). Ou seja, parte do crescimento esperado já está precificada pelo mercado. Ainda assim, enxergamos um upside razoável na ação, mesmo em um cenário conservador de Brent a US$ 62. Dessa forma, continuamos com visão positiva para PRIO3.

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