Preço do petróleo dispara após ataques de EUA e Israel ao Irã
Ataques de EUA e Israel afetam transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial; preço do barril de Brent chega a subir quase 14%
O conflito no Oriente Médio voltou ao centro das atenções dos mercados globais e provocou forte reação nos preços do petróleo e do gás. No último sábado, 27, a escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou o risco geopolítico na região e impactou diretamente bolsas de valores e ativos ligados ao setor de energia.
Como esperado, os preços do petróleo registraram forte alta após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã e a resposta de Teerã. O barril do Brent chegou a subir quase +14%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou cerca de +12% na abertura dos mercados.
O movimento ocorreu após o ataque que matou o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e outros dirigentes do país.
O Brent, referência internacional, já vinha incorporando um prêmio de risco geopolítico e havia fechado a sexta-feira a US$ 72, acima dos US$ 61,registrados no início do ano.
Nas primeiras negociações desta segunda-feira, 2, o Brent subia +9,7%, cotado a US$ 79,95, enquanto o WTI avançava +9%, a US$ 73,04.

A relevância do Estreito de Ormuz para o mercado global
O Irã é responsável por cerca de 3% da produção global atualmente. Ainda que essa participação isoladamente não seja dominante, aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo transita pelo Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o abastecimento global.

Adicionalmente, a região concentra alguns dos maiores produtores de óleo e gás do mundo, como Arábia Saudita (~11% da produção mundial), Emirados Árabes (~4%), Iraque (~4%) e Kuwait (~4%). Isso reforça a relevância geopolítica do Oriente Médio para o equilíbrio entre oferta e demanda global.
Qualquer ameaça ao fluxo de navios no Estreito de Ormuz eleva o temor de interrupções na oferta mundial. Esse risco amplia a pressão sobre os preços e aumenta a volatilidade nos mercados internacionais.

Outro ponto relevante é que a China é a maior compradora do óleo iraniano, o que levanta questionamentos sobre qual poderá ser o envolvimento do país asiático no conflito e seus possíveis desdobramentos econômicos.
Contudo, vale ressaltar que essas oscilações nos preços do petróleo podem mudar rapidamente à medida que novas notícias sobre o conflito forem divulgadas, especialmente em um ambiente de elevada incerteza geopolítica.
Nesse contexto, apesar do impacto positivo para a nossa tese em Prio no curto prazo, nossa recomendação é sustentada principalmente pela perspectiva de expansão da produção e pela evolução estrutural dos resultados que a companhia pode proporcionar no longo prazo.

Oferta da OPEP e tentativa de equilibrar o mercado
Em meio à escalada do conflito no Irã, Arábia Saudita, Rússia e outros seis integrantes da OPEP+ decidiram aumentar a produção em 206 mil barris por dia em abril, volume superior ao inicialmente previsto.
A medida busca conter uma disparada ainda maior dos preços e sinalizar compromisso com a estabilidade do mercado, embora o impacto dependa da evolução do conflito no Oriente Médio.
Barreira dos 100 dólares
A última vez que o petróleo ultrapassou os US$ 100 foi no início da guerra na Ucrânia, quando a disparada das commodities energéticas contribuiu para um ciclo prolongado de inflação em diversas economias.
Contudo, vale mencionar que tentar prever para onde vai o preço do petróleo em um cenário normal já é uma tarefa ingrata. Em um momento de grande incerteza geopolítica como o atual, é praticamente impossível.
Os analistas de petróleo estão projetando novos cenários para o preço da commodity neste momento, e pode ser que este evento marque um ponto de inflexão em relação ao pessimismo que dominava as narrativas recentemente.
Ações da Petrobras e PRIO disparam no Ibovespa
A alta do petróleo refletiu diretamente nas ações do setor. Por volta das 10h14 (horário de Brasília), empresas como PRIO, Brava, Petrobras e PetroRecôncavo registravam ganhos entre +2,5% e +4,5%.
Melhores ações de petróleo e gás
Nossa principal tese no setor (PRIO3) nunca foi baseada em uma expectativa de alta ou baixa do petróleo, mas sim na dinâmica de aumento de produção e redução do custo de extração. Em relação à PRIO, acreditamos que a empresa deve finalmente voltar a entregar esses avanços a partir do 4T25. Acesse a tese de investimentos.
Mantemos recomendação de COMPRA na série ANTI-Trader.

