Plano Safra 2026/27: por que o agronegócio criticou os R$ 525,1 bi anunciados pelo governo?

O Plano Safra 2026/2027 anunciou R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial. Veja por que o setor criticou o programa e os possíveis impactos

Fabiano Vaz 30/06/2026 17:14 2 min
Plano Safra 2026/27: por que o agronegócio criticou os R$ 525,1 bi anunciados pelo governo?

O Governo Federal anunciou R$ 525,1 bilhões em financiamentos para a agricultura empresarial no Plano Safra 2026/2027, um crescimento de +1,7% em relação ao ciclo anterior.

Apesar do aumento, o valor ficou R$ 127 bilhões abaixo da proposta apresentada pelos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, além de entidades representativas do setor, que defendiam um programa de aproximadamente R$ 652 bilhões.

Por que o Plano Safra foi alvo de críticas? 

Embora o governo tenha ampliado o volume total de recursos e reduzido as taxas de juros em algumas modalidades de crédito, o programa foi bastante criticado pelo setor.

O maior volume total do plano foi impulsionado por algumas linhas destinadas a investimentos. Em contrapartida, houve redução de recursos em programas considerados estratégicos, como:

  • PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns);
  • Moderfrota;
  • RenovAgro.

Menos crédito para custeio preocupa produtores

Um dos pontos que mais chamou a atenção foi a redução do volume de crédito para custeio e comercialização.

Esses recursos são essenciais para o capital de giro das propriedades rurais e para a compra de insumos, como fertilizantes, defensivos, sementes e combustíveis. Com menos recursos disponíveis, produtores podem enfrentar maior dificuldade para financiar a produção. 

Endividamento do setor continua sem solução

Outro ponto bastante questionado foi a falta de medidas para enfrentar o elevado nível de endividamento do agronegócio brasileiro. Dados da Serasa Experian mostram que o setor registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior volume da série histórica iniciada em 2021.

Cenário econômico também limita o alcance do programa 

As preocupações surgem após anos de dificuldades e de um alto nível de endividamento no agronegócio. Elas também são intensificadas pela perspectiva de impactos do El Niño.

É importante destacar que o atual cenário fiscal e de política monetária pode limitar a demanda por crédito por parte dos agricultores, bem como restringir o desembolso de recursos pelo governo. 

No Plano Safra 2025/2026, por exemplo, os desembolsos até maio atingiram R$ 306 bilhões, uma retração de 12% em relação ao mesmo período da safra 2024/2025.

Mercado reagiu com cautela 

Na Bolsa de Valores, no pregão desta terça-feira, 30, as ações de empresas ligadas ao agronegócio não apresentaram uma reação relevante ao Plano Safra, dada a baixa expectativa do mercado em relação a impactos do programa para as empresas.

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