Plano Safra 2026/27: por que o agronegócio criticou os R$ 525,1 bi anunciados pelo governo?
O Plano Safra 2026/2027 anunciou R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial. Veja por que o setor criticou o programa e os possíveis impactos
O Governo Federal anunciou R$ 525,1 bilhões em financiamentos para a agricultura empresarial no Plano Safra 2026/2027, um crescimento de +1,7% em relação ao ciclo anterior.
Apesar do aumento, o valor ficou R$ 127 bilhões abaixo da proposta apresentada pelos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, além de entidades representativas do setor, que defendiam um programa de aproximadamente R$ 652 bilhões.
Por que o Plano Safra foi alvo de críticas?
Embora o governo tenha ampliado o volume total de recursos e reduzido as taxas de juros em algumas modalidades de crédito, o programa foi bastante criticado pelo setor.
O maior volume total do plano foi impulsionado por algumas linhas destinadas a investimentos. Em contrapartida, houve redução de recursos em programas considerados estratégicos, como:
- PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns);
- Moderfrota;
- RenovAgro.

Menos crédito para custeio preocupa produtores
Um dos pontos que mais chamou a atenção foi a redução do volume de crédito para custeio e comercialização.
Esses recursos são essenciais para o capital de giro das propriedades rurais e para a compra de insumos, como fertilizantes, defensivos, sementes e combustíveis. Com menos recursos disponíveis, produtores podem enfrentar maior dificuldade para financiar a produção.
Endividamento do setor continua sem solução
Outro ponto bastante questionado foi a falta de medidas para enfrentar o elevado nível de endividamento do agronegócio brasileiro. Dados da Serasa Experian mostram que o setor registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior volume da série histórica iniciada em 2021.
Cenário econômico também limita o alcance do programa
As preocupações surgem após anos de dificuldades e de um alto nível de endividamento no agronegócio. Elas também são intensificadas pela perspectiva de impactos do El Niño.
É importante destacar que o atual cenário fiscal e de política monetária pode limitar a demanda por crédito por parte dos agricultores, bem como restringir o desembolso de recursos pelo governo.
No Plano Safra 2025/2026, por exemplo, os desembolsos até maio atingiram R$ 306 bilhões, uma retração de 12% em relação ao mesmo período da safra 2024/2025.
Mercado reagiu com cautela
Na Bolsa de Valores, no pregão desta terça-feira, 30, as ações de empresas ligadas ao agronegócio não apresentaram uma reação relevante ao Plano Safra, dada a baixa expectativa do mercado em relação a impactos do programa para as empresas.
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