Planejamento sucessório: como proteger e transferir seu patrimônio

Aprenda como elaborar um planejamento sucessório eficiente para proteger patrimônio, evitar conflitos familiares e garantir a transferência segura dos bens

Nord Research 29/12/2025 10:57 11 min
Planejamento sucessório: como proteger e transferir seu patrimônio

“Credo”, “bate na madeira”. Quando trazemos o tópico de planejamento sucessório em reuniões com clientes, a grande maioria das reações é de desconforto. Muita gente evita o tema ou não quer se aprofundar no assunto.

O curioso é que outras pessoas consideram essa — de longe — a parte mais importante da conversa. E, normalmente, o que explica essa diferença é o fato de a pessoa ter ou não visto de perto os problemas de um planejamento sucessório mal feito.

“A casa ao lado de onde eu moro está, há 30 anos, caindo aos pedaços, e o processo está travado na Justiça. A localização é incrível; só o terreno vale milhões, mas já desistiram de resolver.”

“O meu tio era muito, muito rico, mas morreu em um acidente inesperado. Hoje, meu primo mora de favor e espera a herança destravar enquanto a vida acontece. Isso já faz 12 anos, e ele ainda vive nesse estado de suspensão.”

Sim, o tema é delicado. Mas é uma loucura entrar em um barco sem salva-vidas só porque você acha que isso pode atrair um naufrágio. Pense bem: no Brasil, existem centenas de milhares de prédios. Quase todos contam com extintores e estruturas preparadas para lidar com incêndios.

Esse preparo não faz com que haja mais incêndios, mas garante que, caso um aconteça, as pessoas tenham muito mais chance de escapar com vida. Quando uma casa pega fogo, todo mundo entra em pânico e age por impulso. Por isso, nesse momento, precisa ser fácil agir da forma correta. Planejar em um período de calma e tranquilidade faz com que, quando um evento delicado ocorrer, seja possível minimizar os danos.

Sumário

O que é planejamento sucessório?

Planejamento sucessório é o conjunto de medidas jurídicas, financeiras e patrimoniais adotadas em vida para deixar bem definido como será a passagem do patrimônio para a próxima geração. Sem essa organização, familiares acabam reféns de inventários longos, caros e, muitas vezes, litigiosos.

Vale ressaltar que planejar não é algo restrito a pessoas idosas ou com grandes patrimônios: qualquer pessoa com imóvel, investimentos ou dependentes já se beneficia ao organizar a sucessão.

Qual a importância do planejamento sucessório?

Planejar a sucessão vai muito além de “passar a herança adiante”. Trata-se de um instrumento de eficiência fiscal, proteção familiar e continuidade empresarial — três frentes em que a falta de planejamento costuma sair cara.

Apesar dessa importância, o estudo Datafolha/Planejar revela que menos da metade dos brasileiros sequer considera esse movimento.

A sucessão patrimonial foi mencionada como objetivo por 41% das pessoas, especialmente entre a classe A (66%) e jovens de 18 a 24 anos (49%). Ou seja: embora o tema esteja presente na mente de parte da população, ele ainda não se traduz em preparo concreto.

Entre os que desejam ter um planejamento sucessório, apenas 47% começaram alguma reserva financeira voltada para isso. E 53% não iniciaram nenhum preparo — mesmo sabendo que a sucessão envolve custos como ITCMD, taxas de cartório e honorários judiciais.

Além disso, a confiança é baixa: apenas 34% se dizem preparados para lidar com uma sucessão familiar, enquanto 45% afirmam estar pouco ou nada confiantes.

Essa falta de preparo é ainda mais marcante entre mulheres, famílias da classe C e moradores das regiões Norte e Centro-Oeste, onde o índice de confiança raramente ultrapassa 44%.

O estudo evidencia outra fragilidade importante: grande parte dos entrevistados não tem reserva suficiente para enfrentar imprevistos graves — como acidentes, doenças ou perda de renda — situações que muitas vezes antecedem ou aceleram a necessidade de organizar a sucessão.

Esse conjunto de fatores — intenção sem prática, baixa confiança e falta de reserva — explica por que tantas famílias chegam ao processo sucessório despreparadas, emocional e financeiramente expostas.

E é justamente por isso que entender custos, prazos e instrumentos antes da necessidade faz tanta diferença. Confira mais detalhes a seguir.

Custos e prazos

Sem planejamento, a herança quase sempre segue para o inventário judicial — um caminho reconhecidamente lento. Embora falte estatística nacional atualizada, especialistas em direito sucessório indicam que o trâmite leva, em média, 21 meses, podendo ultrapassar cinco anos quando há litígio entre os herdeiros.

Do ponto de vista financeiro, os custos de um inventário podem chegar a 20% e 40% do patrimônio. Essa estimativa reúne: os honorários mínimos e máximos previstos para inventários na Tabela de Honorários da OAB-SP (6% a 20%); as alíquotas estaduais de ITCMD (4% – 8%); e as custas judiciais médias.

Quando existe consenso familiar e um plano sucessório estruturado, é possível optar pelo inventário extrajudicial em cartório, que, segundo o Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo, costuma ser concluído em 30 – 60 dias e custa apenas uma fração do processo judicial.

Aspecto emocional

Inventários tramitam justamente no período de luto, o que intensifica conflitos. Instrumentos como testamentos claros, holdings familiares bem estruturadas, previdências ou seguros de vida com beneficiários definidos reduzem incertezas e preservam a harmonia do núcleo familiar.

O estudo Datafolha/Planejar, realizado em 2025, reforça esse ponto ao mostrar que apenas 6% das pessoas já buscaram orientação profissional em finanças, o que inclui temas como sucessão. A falta de orientação aumenta erros, custos e decisões mal estruturadas — justamente no momento mais delicado para a família.

Quem deve considerar fazer um planejamento sucessório?

Ao contrário do que muitos imaginam, o planejamento sucessório não é exclusividade de famílias com grandes patrimônios. Qualquer pessoa com bens — imóveis, investimentos, uma empresa — se beneficia desse processo.

Exemplos de situações comuns:

  • quem tem um imóvel e um filho menor de idade pode evitar bloqueios judiciais e definir quem administrará o bem até a maioridade;
  • empreendedores podem garantir a continuidade da empresa e evitar disputas entre sócios ou herdeiros.
  • quem possui investimentos pode escolher instrumentos que reduzem burocracia e custos aos beneficiários.

Além de proteger o patrimônio, o planejamento sucessório reduz conflitos, diminui tributos e garante que a vontade do titular seja respeitada.

Principais instrumentos do planejamento sucessório

O Brasil oferece diferentes ferramentas jurídicas e financeiras que podem ser combinadas de acordo com o perfil da família, do patrimônio e dos objetivos do titular.

Testamento: garantindo o cumprimento de sua vontade

O testamento é um documento que permite ao investidor definir como seus bens serão distribuídos após o falecimento, respeitando os limites legais da legítima — a parte mínima reservada aos herdeiros necessários, como filhos e cônjuge.

Existem diferentes tipos de testamento:

  • testamento público: elaborado em cartório com a presença de um tabelião, garantindo maior formalidade e segurança jurídica;
  • testamento particular: escrito pelo próprio testador e assinado na presença de testemunhas, mas com menor custo;
  • testamento cerrado: escrito pelo testador, entregue ao tabelião em envelope lacrado, combinando formalidade e sigilo.

O testamento não pode alterar direitos da legítima nem dispor de bens de terceiros. Os custos variam conforme o tipo, mas, em geral, o testamento público é mais caro, enquanto o particular tem custos mais baixos.

Essa opção é ideal para quem deseja maior controle sobre a destinação dos bens, resolver situações específicas ou fazer disposições especiais, como legados ou criação de usufruto.

Doação em vida: antecipando a sucessão patrimonial

A doação em vida é uma forma eficaz de transferir patrimônio ainda durante a vida do titular, evitando o processo de inventário após o falecimento, que pode ser demorado e custoso.

Uma modalidade comum é a doação com reserva de usufruto, que permite ao doador continuar usando e usufruindo dos bens enquanto estiver vivo, garantindo segurança financeira.

No entanto, é preciso considerar o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), que varia conforme o estado e incide sobre o valor doado. Planejar a doação de forma estratégica pode minimizar custos tributários.

A doação costuma ser vantajosa para quem deseja organizar a sucessão de forma antecipada, reduzir conflitos familiares e otimizar a gestão patrimonial, especialmente quando a transferência gradual é possível.

Previdência privada e seguros de vida

Produtos financeiros como planos de previdência privada (PGBL e VGBL) e seguros de vida desempenham papel importante no planejamento sucessório, pois permitem a transferência direta dos recursos para os beneficiários indicados, sem necessidade de inventário.

Esses instrumentos já possuem outras vantagens fiscais relevantes: no caso do PGBL, é possível deduzir contribuições da base de cálculo do IR para quem opta pela declaração completa, e em ambos os planos é possível atingir alíquotas de 10% no longo prazo e também evitar o come-cotas: imposto cobrado antecipadamente em outros fundos mesmo antes do resgate.

Além disso, a previdência privada pode ser usada para garantir liquidez imediata aos herdeiros, evitando a venda de ativos para o pagamento do ITCMD.

Comparados a outros ativos, esses produtos possuem uma tributação diferenciada e oferecem praticidade, mas é importante avaliar seu papel dentro da estratégia global de sucessão.

Quais os custos e tributos envolvidos?

Confira os principais custos envolvidos no processo sucessório — e como o planejamento pode ajudar a reduzi-los:

  • ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação): tributo estadual com alíquotas entre 2% e 8%, que pode ser diluído com doações em vida feitas de forma escalonada;
  • taxas cartorárias: envolvem escrituras, registros e testamentos, e podem ser reduzidas com instrumentos como previdência privada ou doação com usufruto;
  • custas judiciais: incluem taxas processuais e honorários advocatícios, evitáveis com o uso de inventário extrajudicial ou estruturas como holding;
  • imposto sobre ganho de capital: incide sobre a valorização de bens herdados e pode ser minimizado com doações atualizadas em vida;
  • despesas com estruturas jurídicas: abrangem custos de criação e manutenção de holdings familiares, que podem trazer ganhos fiscais no longo prazo.

Diferença entre inventário e planejamento sucessório

Confira abaixo uma comparação entre o processo de inventário e o planejamento sucessório feito em vida:

AspectoInventárioPlanejamento sucessório
Quando ocorreApós o falecimento do titularEm vida, com decisões estruturadas antecipadamente
Tempo de duraçãoPode levar anos, especialmente se houver litígiosPode ser executado de forma imediata, conforme a estratégia definida
Custos envolvidosElevados: ITCMD, custas judiciais, taxas cartorárias e honorários advocatíciosMenores: permite antecipar gastos e evitar a judicialização
ImprevisibilidadeAlta: decisões dependem da Justiça e podem gerar disputas entre herdeirosBaixa: define previamente o destino dos bens conforme a vontade do titular
BurocraciaAlta: exige processo formal e muitas vezes judicialReduzida: instrumentos como doações, testamento e previdência agilizam tudo
Impacto emocional nos herdeirosMaior: conflitos e demora aumentam o desgasteMenor: evita disputas e facilita o entendimento entre os beneficiários

Resumo: o inventário é uma obrigação legal quando não há planejamento. Já o planejamento sucessório permite controlar o processo, reduzir custos e preservar o patrimônio e os vínculos familiares.

Planejamento sucessório para empresas familiares

A sucessão em empresas familiares traz desafios específicos, pois envolve não apenas a transferência de bens, mas também a continuidade do negócio e a preservação do legado familiar. 

Um dos principais pontos é a necessidade de separar o patrimônio pessoal do empresarial, já que misturá-los pode dificultar o processo sucessório e comprometer a saúde financeira da empresa. Para isso, a criação de estruturas jurídicas, como holdings familiares, facilita essa separação e otimiza a gestão dos ativos.

Além disso, a adoção de práticas de governança corporativa é fundamental para garantir transparência e estabilidade durante a transição. Elementos como acordos de sócios com cláusulas claras sobre sucessão, a existência de conselhos consultivos ou de administração, e regras definidas para votação e transferência de cotas ajudam a evitar conflitos e a assegurar o alinhamento entre os envolvidos.

Outro aspecto essencial é a preparação dos herdeiros para assumirem o comando do negócio. Identificar quem possui perfil e interesse para liderar, oferecer formação técnica e prática, e incluir esses sucessores no planejamento estratégico da empresa são medidas que aumentam as chances de sucesso na transição e garantem a longevidade do empreendimento.

Como começar seu planejamento sucessório?

Siga este passo a passo simplificado para iniciar seu planejamento sucessório de forma organizada e eficiente:

1. Levantamento patrimonial
Faça um inventário completo dos bens, direitos e dívidas para ter uma visão clara do seu patrimônio.

2. Definição de herdeiros
Identifique quem serão os beneficiários e qual a participação de cada um no seu patrimônio.

3. Consulta jurídica especializada
Procure um profissional qualificado para esclarecer dúvidas, apresentar os instrumentos legais disponíveis e adequar o planejamento ao seu perfil.

4. Estruturação dos instrumentos
Escolha e organize os meios jurídicos mais adequados, como testamento, doação, holding familiar ou previdência privada, para garantir a efetividade do seu plano.

Dê o próximo passo para uma sucessão clara e sem conflitos

Organizar a sucessão exige conhecimento jurídico, financeiro e patrimonial — e o estudo mostra que grande parte dos brasileiros não se sente pronta para lidar com esse processo.

A Nord Liberta foi criada para ajudar você a estruturar sua vida financeira de forma completa, incluindo a organização da sucessão, a proteção da família e a clareza sobre os instrumentos que fazem sentido para a sua realidade.

Se você quer:

  • evitar custos desnecessários;
  • reduzir conflitos familiares;
  • garantir clareza na divisão dos bens;
  • deixar sua família protegida.

É o primeiro passo para garantir que seu patrimônio será transferido da forma certa — com segurança, transparência e respeito ao seu legado.

Perguntas frequentes sobre planejamento sucessório

Planejamento sucessório é só para quem tem muito dinheiro?

Não. Qualquer pessoa com bens, dependentes ou investimentos já deveria planejar.

Planejar reduz impostos?

Sim. Doações escalonadas e previdência privada podem reduzir custos.

Posso evitar o inventário?

Alguns bens são transferidos sem inventário; outros requerem o processo formal.

Devo fazer um testamento?

Sim, se quiser clareza na divisão dos bens ou regras especiais.

Compartilhar

Receba conteúdos e recomendações de investimento gratuitamente

Obrigado pelo seu cadastro!

Acompanhe nossos conteúdos por e-mail para ficar por dentro das novidades.