PicPay: entenda a queda das ações após o IPO na Nasdaq
As ações do PicPay acumulam queda superior a 40% após o IPO. Entenda os processos, os riscos e nossa análise sobre a empresa
O banco digital PicPay fez sua estreia na Nasdaq, em janeiro, em uma abertura de capital cercada por expectativas positivas. Antes da oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês), a companhia destacava a expansão de suas operações de crédito, mas posteriormente passou a enfrentar questionamentos sobre a qualidade de sua carteira.
No entanto, esse otimismo do mercado não se refletiu no desempenho das ações, que acumulam desvalorização superior a -40% desde a abertura de capital.
PicPay: o que está acontecendo com o banco digital após o IPO?
O banco controlado pelo grupo J&F tem sido alvo de uma ação coletiva protocolada na Justiça dos Estados Unidos. A notícia ajudou a pressionar ainda mais os papéis. Desde a abertura de capital, as ações da companhia acumulam desvalorização superior a -40%.

Entenda o caso
Segundo ação coletiva movida nos Estados Unidos pelo fundo de investimentos FirstFire Global Opportunities, o PicPay teria fornecido informações falsas acerca de seus modelos de concessão de crédito e da qualidade de sua carteira.
O fundo alega que a instituição detectou falhas em seus modelos, mas não revelou essas informações aos investidores antes de realizar o IPO. Com isso, o PicPay reclassificou cerca de R$ 590 milhões em operações de crédito do estágio 2 para o estágio 3 — faixa que concentra créditos de maior risco.
Paralelamente, o banco digital é alvo de uma operação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que investiga descontos irregulares na folha de pagamento de servidores. A instituição teria realizado descontos indevidos nos contracheques por meio do serviço de adiantamento salarial.
O que diz o PicPay
Em nota, o PicPay informou que "a antecipação salarial é um benefício gratuito, oferecido diretamente no aplicativo, sem intermediários e sem cobrança de juros. O usuário antecipa parte do salário referente aos dias já trabalhados no mês e recebe o valor imediatamente em um cartão de uso pessoal gratuito, protegido por biometria facial.
Na modalidade gratuita, o valor é disponibilizado no cartão. Caso o usuário opte por receber o recurso diretamente em conta corrente, a antecipação deixa de ser gratuita e passa a contar com uma taxa operacional, apresentada de forma clara antes da confirmação da transação. No dia do pagamento, o valor antecipado é compensado automaticamente, sem acesso do PicPay à folha de pagamento."
Nossa opinião: Evitar
A entrada do PicPay no segmento de cartão de crédito, em 2024, provocou mudanças relevantes nos resultados da instituição.
A carteira de crédito cresceu mais de seis vezes, impulsionando as receitas com operações de crédito, a margem financeira e o lucro líquido, resultando em um ROE elevado.
Por outro lado, o conglomerado passou a estar sujeito, desde 2024, a um Índice de Basileia equiparado ao exigido dos grandes bancos, o que resultou em seu desenquadramento no ano.
Em resposta, o controlador iniciou um plano de capitalização para retomar a conformidade ao longo dos próximos exercícios.
Somado a isso, houve uma deterioração da qualidade da carteira, inicialmente observada no aumento da carteira D-H e, posteriormente, no ganho de relevância das operações nos estágios 2 e 3.
Com as mudanças promovidas recentemente, optamos por seguir acompanhando a evolução da estratégia antes de qualquer mudança de recomendação. Até lá, continuaremos evitando os produtos de renda fixa emitidos pelo PicPay.
O que é o PicPay?
Fundada como uma fintech em Vitória (ES), em 2012, a empresa recebeu licença do Banco Central (BC) para atuar como instituição financeira em 2022 e abriu capital no início de 2026, na Nasdaq.
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