PIB dos EUA acelera para +3,4% no 3º trimestre, acima das expectativas, com forte impulso do capex em IA

Demanda doméstica segue aquecida, mas a inflação no trimestre desacelera. Fed deve subir juros em dezembro

Christopher Gomes Galvão 29/10/2026 14:32 2 min
PIB dos EUA acelera para +3,4% no 3º trimestre, acima das expectativas, com forte impulso do capex em IA

A primeira leitura do PIB anualizado dos EUA no 3º trimestre mostrou crescimento de +3,4%, acima das expectativas de +3,2% e acelerando frente aos +2,2% do trimestre anterior. É o ritmo mais forte do ano.

O destaque ficou com os investimentos, que cresceram +19,4%. O investimento em equipamentos avançou +20,9%, liderado por equipamentos de processamento de informação, principalmente computadores e periféricos, ligados à infraestrutura de data centers. Também vale mencionar a recuperação das estruturas não residenciais (+5,4%), com o setor de petróleo e mineração investindo mais diante dos preços elevados de energia, e a recomposição de estoques, puxada por atacado e indústria.

O consumo das famílias manteve o ritmo forte (+3,8%), com serviços acelerando para +4,1%, liderados por saúde e alimentação fora de casa.

Assim, os maiores impactos positivos para o resultado de +3,4% foram o consumo das famílias (+2,52 p.p.), o investimento fixo (+1,66 p.p.), os estoques (+1,61 p.p.) e os gastos do governo (+0,90 p.p.).

Gráfico de barras empilhadas com as contribuições ao PIB dos EUA do 1T25 ao 3T26. A linha do PIB anualizado passa por 0,1%, 4,0%, 3,9%, 0,2%, 2,5%, 2,2% e 3,4%. No 3T26, consumo (+2,52 p.p.), investimento fixo (+1,66 p.p.), estoques (+1,61 p.p.) e governo (+0,90 p.p.) somam positivamente. As exportações líquidas subtraem 3,32 p.p.
 

O setor externo, por outro lado, teve contribuição negativa de -3,32 p.p., a terceira maior subtração da série histórica iniciada em 1947. As importações saltaram +19,7%, lideradas por bens de capital; ou seja, boa parte do boom de investimento em IA foi atendida por equipamentos importados. As exportações caíram -5,7%, puxadas por petróleo e derivados.

Gráfico de barras comparando o investimento em equipamentos e as importações dos EUA, em % anualizado, do 1T25 ao 3T26. As duas séries sobem juntas em 2026 e chegam ao 3T26 com equipamentos em +20,9% e importações em +19,7%. Isso indica que boa parte do capex em IA foi atendida por bens importados.
 

O núcleo da demanda segue muito forte: as vendas finais a compradores domésticos privados cresceram +4,9%, acima dos +4,6% do 2º trimestre.

A boa notícia veio dos preços. O núcleo do PCE desacelerou de +3,3% para +2,5% anualizado no trimestre, e o PCE cheio caiu de +5,0% para +2,1%.

Gráfico de barras com a inflação PCE cheia e o núcleo do PCE nos EUA, em % anualizado, do 1T26 ao 3T26, com a meta de 2% como referência. O PCE cheio vai de 4,2% para 5,0% e cai para 2,1%. O núcleo recua de 3,9% para 3,3% e depois para 2,5%.

O que esperar do Fed

A economia americana segue mostrando resiliência, o que sustenta as precificações de continuidade de alta de juros. Em dezembro, o Fed deve elevar o juro em 0,25 p.p. para a faixa de 4% a 4,25%.

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