PIB dos EUA surpreende e reduz chance de corte de juros
Economia saudável e inflação acima da meta devem motivar pausa nos cortes de juros dos EUA; veja a análise completa
O PIB dos EUA subiu +4,3% no terceiro trimestre (em base anualizada), bem acima das expectativas do mercado, de +3,3%. Esse forte resultado vem após alta de +3,8% no segundo trimestre e de +3,3% no terceiro trimestre de 2024.
Da alta de +4,3%, os gastos dos consumidores foram responsáveis por +2,39 pontos percentuais (p.p.), saldo líquido das exportações em +1,59 p.p., gastos do governo em +0,39 p.p., investimentos em capital fixo (máquinas, equipamentos, etc.) em +0,19 p.p. e variação de estoques em -0,22 p.p.


O resultado positivo foi motivado especialmente pelo bom resultado nos gastos dos consumidores (que possui o maior peso no cálculo), que aceleraram de +2,5% para +3,5%.

Esse aumento dos gastos dos consumidores veio, principalmente, por meio do setor de serviços, que acelerou de +2,6% para +3,7%, o que mostra que a economia americana segue saudável.

Apesar do bom número dos gastos dos consumidores em serviços indicar uma economia resiliente, vale ressaltar que uma parcela importante desse resultado veio dos gastos com saúde (health care), cuja contribuição para o PIB acelerou de +0,54 p.p. para +0,76 p.p.
Sendo assim, o aumento dos gastos com saúde contribuiu para o resultado positivo do PIB, mas não foi o único motivo. Mesmo sem a aceleração de health care no trimestre, ainda veríamos um PIB surpreendendo positivamente.

Além disso, gastos do governo aceleraram de -0,1% para +2,2%, exportações subiram de -1,8% para +8,8% e importações passaram de -29,3% para -4,7%. No entanto, investimentos em capital fixo desaceleraram de +4,40% para +1,10%

Nossa visão para o PIB dos EUA
Vemos, portanto, uma economia americana saudável. Apesar do processo de desaceleração gradual da economia, que sustentou os cortes de juros do Fed até aqui, novos cortes adiante são mais incertos, ao menos para o curto prazo.
Diante de uma economia saudável e uma inflação ainda acima da meta, vejo chances de a taxa de juros dos EUA permanecer inalterada até o fim do mandato de Powell na presidência do Fed (até maio).
Claro, é difícil cravar o que acontecerá exatamente, pois as decisões dependerão dos próximos dados; sendo assim, seguiremos monitorando o cenário.


