PIB dos EUA acelera para +2% com impacto da inteligência artificial
No trimestre, o destaque positivo ficou para os investimentos em equipamentos, puxados pelo ambiente de inteligência artificial
O PIB anualizado dos EUA cresceu +2,0% no primeiro trimestre deste ano, abaixo das expectativas de +2,3%, de acordo com o Departamento de Comércio do governo norte-americano. O resultado veio após uma alta de +0,5% no trimestre anterior.
O crescimento foi sustentado, principalmente, pelo avanço dos investimentos em equipamentos, que passaram de +1,5% para +6,2%. O movimento foi impulsionado pela demanda por infraestrutura de data centers e processamento de informação, ligada à corrida por inteligência artificial.
Os gastos dos consumidores, porém, desaceleraram de +1,9% para +1,6%.
Também vale destacar a retomada dos gastos do governo, que passaram de -5,6% para +4,4%. Esse movimento ocorre após a forte compressão causada pelo shutdown de outubro e novembro do ano passado.
Assim, os maiores impactos positivos para o resultado de +2,0% vieram dos investimentos em equipamentos (+1,08 p.p.), dos gastos dos consumidores, pelo seu maior peso no cálculo (+1,08 p.p.), e dos gastos do governo (+0,73 p.p.).
O setor externo teve contribuição negativa de -1,3 p.p., em função do aumento das importações. Esse movimento reflete a antecipação de compras antes do efeito das tarifas anunciadas por Donald Trump.


Nossa leitura
Para o Fed, o dado reforça o cenário de crescimento modesto com inflação pressionada, uma combinação que limita o espaço para cortes de juros. O banco central manteve a taxa entre 3,50% e 3,75% na decisão de quarta-feira, 29.
A leitura do PIB não altera essa postura cautelosa, diante de um cenário de desaceleração gradual da atividade, ainda que com resiliência.
O investimento em inteligência artificial segue como principal vetor de sustentação do crescimento. No entanto, é importante acompanhar se a demanda privada continuará arrefecendo.


