É possível perder dinheiro na Bolsa no longo prazo?

Perder dinheiro é praticamente impossível, mas você consegue. Entenda por que muitos investidores têm prejuízo mesmo com a estatística a favor

Rafael Ragazi 01/04/2026 10:53 5 min Atualizado em: 01/04/2026 12:06
É possível perder dinheiro na Bolsa no longo prazo?

Na última terça-feira, enquanto tomava um café com o Breia no Shopping Iguatemi, esperando o horário de prestigiar o lançamento do livro “Renda Fixa é a Mãe da Bolsa”, da Marília, soltei uma tese que parece polêmica à primeira vista: é muito difícil perder dinheiro na Bolsa no longo prazo.

Diante do olhar desconfiado dele, expliquei meu raciocínio. Se uma pessoa investir o mesmo valor em dez ações aleatórias e não fizesse mais nada por um período longo o suficiente, a matemática faria sua mágica e perder dinheiro seria impossível. 

Mas isso levanta uma dúvida importante: se a matemática favorece o investidor, por que tantas pessoas ainda perdem dinheiro na Bolsa?

Foi essa pergunta que me levou a analisar os dados históricos da Bolsa brasileira.

O que acontece com quem investe na Bolsa no longo prazo

Achei que precisaria de um horizonte mais alongado para ver a “matemágica” funcionar; contudo, o retorno das ações em um horizonte de dez anos já é suficiente para comprovar o meu ponto.

A média de valorização das empresas cujos papéis acumularam um retorno positivo foi de +737%. Esse número é fortemente impactado pela magnitude das altas mais expressivas, mas mesmo a mediana das altas, de +375%, já serve como referência para corroborar com a minha tese.

 Maiores retornos dos últimos 10 anos. Fonte: Bloomberg

Com apenas três ações aleatórias que subiram se multiplicando por 4,75x, mesmo que você seja azarado o suficiente para conseguir comprar sete ações de empresas que quebraram e foram para zero, sua carteira ainda teria subido +43%.

Se fosse um pouco menos azarado e comprasse seis ações que foram a zero, o retorno total da sua carteira aleatória subiria para +90%

Comprando cinco ações que quebraram, a rentabilidade da sua carteira já subiria +138%, praticamente em linha com o CDI no período (+144%).

 Maiores retornos em 20 e 30 anos. Fonte: Bloomberg

Se o horizonte de análise for estendido para 20 ou 30 anos, a mediana das altas é ainda maior e a matemática da Bolsa jogaria ainda mais a seu favor.

Mas o ponto principal é que, mesmo no pior dos cenários, o máximo que você pode perder é 100% do que investiu em uma ação, mas o retorno dos seus acertos no longo prazo tende a ser muito expressivo. Por isso, mesmo sem fazer absolutamente nenhum tipo de análise, é bastante difícil perder dinheiro na Bolsa.

A matemática da Bolsa: por que o prejuízo é limitado

Ao ler a última frase, você deve ter se lembrado imediatamente de alguém que conhece que investiu na Bolsa por um tempo, saiu com prejuízo acumulado e começou a falar para todo mundo no churrasco do fim de semana que Bolsa é um cassino e que é impossível ganhar dinheiro investindo em ações.

Acontece que, para a mágica que eu acabei de descrever acontecer, você precisa conseguir fazer uma coisa extremamente desafiadora por 10 anos seguidos: nada.

Não é por acaso que os estudos mostram que os melhores investidores são aqueles que morreram ou que simplesmente esqueceram que haviam investido em ações — talvez porque sejam os únicos realmente capazes de não fazer nada com seus papéis por uma década ou mais.

O comportamento que leva investidores ao prejuízo

A grande maioria dos investidores vai observar uma ação subindo ou caindo mais ou menos X% depois de um tempo e vai sentir uma necessidade enorme de fazer algo. Seja pela motivação de “colocar um dinheiro no bolso” ou pelo impulso de tomar alguma atitude qualquer frente a uma desvalorização.

O principal problema aqui não é a atitude em si, que, quando bem fundamentada, pode incrementar em muito o retorno da sua carteira. O grande problema é que a maioria das pessoas age olhando para a variável errada.

O quanto uma ação subiu ou caiu depois que investiu nela não significa absolutamente nada. Olhar para essa variável é se guiar pelo mapa errado. Não importa o que você faça, dificilmente vai alcançar o destino desejado.

Leia também: Hiato de comportamento: por que seu investimento rende menos que o esperado

O erro mais comum ao investir em ações

A variável que mais importa para tomar uma boa decisão de investimento é o quanto o preço da ação está próximo ou distante do valor potencial (também chamado de valor justo) daquele ativo, em relação às informações que estão disponíveis naquele momento.

Talvez seja por isso que as pessoas ganham dinheiro com imóveis e perdem dinheiro na Bolsa. 

Para tomar a decisão de vender um imóvel, as pessoas costumam partir da pergunta: “Quanto ele vale?”. No entanto, para vender uma ação, quem não sabe o que está fazendo provavelmente vai se perguntar: “Qual é a cotação atual da ação?” ou "Quanto ela subiu/caiu desde que o investimento foi realizado?”.

Como investidores consistentes realmente tomam decisões

No fim das contas, a matemática não falha; o erro está no investidor que, sem entender as empresas que compra, se guia pelas variáveis erradas.

Se você quer ser um investidor que vai poder abrir o home broker no churrasco e mostrar que é possível multiplicar o seu patrimônio na Bolsa ao longo dos anos, precisa se guiar por um mapa correto. Caso não queira ter todo o trabalho de construir o seu mapa certo sozinho, conte com a Nord para te dar todo o apoio necessário no processo, seja se tornando um cliente da nossa consultoria, assinando os nossos relatórios ou investindo em algum dos nossos fundos de investimento. 

Se você quer investir com mais segurança e evitar os erros mais comuns, conheça as estratégias e recomendações da Nord.

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