PCE: inflação dos EUA vem em linha com o esperado, mas debate sobre alta de juros permanece
PCE de julho: número cheio vem acima do esperado, mas núcleo vem em linha e sem grandes atenções
De acordo com os dados do PCE, a inflação dos EUA subiu +0,16% em julho, acima das expectativas de +0,10%, após deflação de -0,09% no mês anterior. No acumulado em 12 meses, a inflação recuou de +3,72% para +3,70%.
A deflação do mês anterior foi motivada pela forte queda dos combustíveis, que recuaram -9,2%. Em julho, os combustíveis recuaram novamente, em -2,7%.

Já o núcleo do PCE, leitura mais importante por excluir itens mais voláteis (alimentos e energia), subiu +0,25%, em linha com as expectativas, após +0,15% no mês anterior. Em 12 meses, o núcleo manteve alta acumulada de +3,34%.


A inflação de serviços mostrou uma leve aceleração de +0,22% para +0,28%, e ainda acumula alta de +3,80% em 12 meses.


No entanto, essa aceleração de serviços veio pela pressão da inflação de serviços financeiros, que possui uma característica mais volátil e acelerou de +0,39% para +1,61%.

Quando olhamos para o lado mais estrutural do dado, a inflação de habitação mostrou uma leve aceleração de +0,22% para +0,26%, condizente com o processo de desaceleração desde 2022.

A inflação de saúde, que possui o maior peso no cálculo do dado junto à inflação de habitação, desacelerou de +0,32% para +0,20%.
Portanto, o PCE de julho veio relativamente comportado, sem grandes surpresas.
Mesmo assim, o mercado reagiu com alta dos juros futuros curtos, que sobem cerca de 4 pontos-base nos EUA (juros de 2 e 5 anos), talvez devido ao número cheio acima das expectativas.
O que o PCE indica para a próxima decisão do Fed?
Atualmente, o mercado está dividido em relação à decisão do Fed em sua próxima reunião de política monetária de setembro, com 60% de probabilidade para manutenção de juros e 40% para alta de 0,25 p.p. Até o final do ano, o mercado coloca apenas 25% de manutenção de juros.
Ou seja, o debate sobre alguma alta continua aquecido, e eu concordo. Vejo uma ou duas altas de juros neste ano como uma decisão mais apropriada para Kevin Warsh, atual presidente do Fed, reforçar a sua credibilidade.
Os últimos dados de inflação não nos trazem grandes preocupações, mas ainda há um desafio importante para levar esse indicador para a meta de 2%; além disso, a última decisão do Fed já apontou para três votos a favor de alta de juros já em julho, o que mostra que há membros inclinados para esse movimento neste ano.

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