PCE: núcleo da inflação americana sobe 0,32% em setembro, maior alta em sete meses, com pressão em serviços
Dado em linha com o esperado, mas inflação resistente acima da meta reforça projeções de alta de juros pelo Fed. Pressão vem de serviços e habitação
De acordo com os dados do PCE, a inflação dos EUA acelerou de +0,32% para +0,49% em setembro, em linha com as expectativas. É o maior resultado desde março (+0,63%). No acumulado em 12 meses, a inflação acelerou de +3,44% para +3,65%, o maior patamar desde maio (+3,82%).
O núcleo do PCE, leitura mais importante por excluir itens mais voláteis (alimentos e energia), acelerou de +0,26% para +0,32%, também em linha com as expectativas e o maior resultado em pelo menos sete meses. Em 12 meses, o núcleo passou de +3,03% para +3,12%.




Dentro do núcleo, a aceleração veio de serviços, enquanto bens seguiram comportados. A inflação de serviços acelerou de +0,32% para +0,38%, o maior resultado desde maio (+0,41%). O maior contribuinte dentro de serviços foi a categoria de transportes, em um mês de combustíveis mais caros.

Olhando para a parte mais estrutural de serviços, a inflação de habitação acelerou de +0,19% para +0,32%, o maior resultado desde abril (+0,53%). Em 12 meses, habitação passou de +2,99% para +3,15%, patamar ainda condizente com o período pré-pandemia, mas que mostra aceleração na margem.

O setor de saúde, que possui o maior peso no cálculo da inflação ao lado de habitação, acelerou de +0,08% para +0,15%, ainda em ritmo moderado.

O que o PCE indica para a próxima decisão do Fed?
Vimos um dado em linha com o esperado, mas com uma composição menos favorável do que a do mês anterior: a pressão veio de serviços e chegou à habitação, a parcela mais estrutural da inflação.
O cenário nos EUA segue sendo de atividade resiliente, como mostrou o PIB do 3º trimestre, e de uma inflação que, apesar de não trazer grandes preocupações, encontra resistência para convergir à meta de 2%. Ainda há trabalho a ser feito, o que sustenta nossa visão de juros altos por bastante tempo nos EUA e explica as projeções de novas altas pelo Fed.
Na nossa perspectiva, o Fed deve promover mais uma ou duas altas de juros, em linha com o debate do mercado, muito provavelmente com uma alta já em dezembro.

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