Payroll: EUA criam menos vagas que o esperado, mas desemprego cai

Taxa de desemprego cai para 4,2% e mostra um mercado de trabalho americano aquecido ; veja análise

Christopher Gomes Galvão 02/07/2026 10:59 3 min Atualizado em: 02/07/2026 14:44
Payroll: EUA criam menos vagas que o esperado, mas desemprego cai

O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 57 mil vagas em junho, de acordo com os dados do Payroll, abaixo das expectativas de 113 mil.

O resultado de maio foi revisado de 172 mil vagas para 129 mil, enquanto o de abril foi revisado de 179 mil para 148 mil. 

Ou seja, houve uma revisão negativa de 74 mil vagas nos dois meses anteriores. 

Por outro lado, mesmo com essas revisões, os dados de março a maio ficaram bem acima das expectativas, que, na época da divulgação, eram de cerca de 65 mil vagas. Isto é, mesmo após as revisões, os dados dos últimos meses continuam mostrando leituras bastante fortes.

Fonte: Bloomberg

Apesar da criação de vagas abaixo do esperado, a taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2%, ante expectativa de 4,3%. Os EUA, portanto, seguem registrando uma das menores taxas de desemprego da história, em um patamar considerado de pleno emprego.

 Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Investimentos

A explicação para a queda da taxa de desemprego está na taxa de participação, que recuou de 61,8% para 61,5%, ante expectativa de 61,8%. Temos observado queda da taxa de participação nos últimos meses como efeito do menor fluxo imigratório. 

Fonte: Bloomberg

Os salários continuam relativamente comportados, com alta de +0,30%, em linha com o esperado.

 Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Investimentos

Portanto, vemos um cenário de mercado de trabalho ainda aquecido nos EUA.

O Federal Reserve tem um mandato duplo: estabilidade de preços e máximo emprego. Com a economia em pleno emprego e a inflação se afastando da meta, a curva de juros precifica cerca de 80% de probabilidade de o Fed elevar os juros neste ano.

O que é Payroll?

O Payroll é o principal indicador sobre o mercado de trabalho formal dos Estados Unidos.

Quando é o Payroll?

Na primeira sexta-feira de cada mês, sempre às 10h30 do horário de Brasília.

Quem divulga o Payroll?

A agência governamental U.S. Bureau of Labor Statistics.

Do que o Payroll é composto?

O Payroll é calculado a partir de uma pesquisa com 119 mil empresas, representando aproximadamente 629 mil locais de trabalho nos EUA. 

A partir dessa amostra, calculam-se números como empregos criados, taxa de desemprego, horas de trabalho, salários por hora trabalhada e taxa de participação na força de trabalho.

Vale ressaltar que as estimativas consideram empregos formais e exclui os trabalhadores agrícolas, autônomos e empregos domiciliares.

Como o Payroll afeta a economia?

O Payroll reflete a dinâmica do mercado de trabalho americano, estando relacionado ao nível de aquecimento da atividade econômica local.

Em cenários de aquecimento da economia, o número de criação de vagas e os ganhos salariais tendem a ser maiores, assim como a taxa de desemprego tende a ser mais baixa.

Quanto mais forte o Payroll, maiores os seus efeitos sobre a inflação, diante das maiores pressões salariais que levam a um maior consumo.

Como analisar o Payroll?

Diversos números devem ser levados em consideração ao analisar o Payroll, sendo os principais deles: empregos formais criados, taxa de desemprego e salários.

Uma análise bem feita demanda um olhar para dentro desses números, como os setores que mais criaram vagas. Além disso, é possível investigar outros detalhes como empregos de período integral vs empregos de meio período.

São detalhes como esses que tornam a análise mais completa para ser possível interpretar os efeitos do Payroll sobre a inflação e, consequentemente, sobre a política monetária a ser adotada pelo Federal Reserve.

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