Payroll mais fraco: EUA criam menos vagas, desemprego sobe e salários vêm fracos

Apesar da leitura mais fraca que o esperado, desemprego segue baixo e mercado ainda projeta alta de juros

Christopher Gomes Galvão 02/10/2026 10:00 4 min Atualizado em: 02/10/2026 18:22
Payroll mais fraco: EUA criam menos vagas, desemprego sobe e salários vêm fracos

O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 29 mil vagas em setembro, bem abaixo das expectativas de 90 mil. Além disso, o resultado do mês anterior foi revisado para baixo, de 162 mil para 133 mil. 

Gráfico com a criação mensal de vagas não agrícolas nos EUA de 2022 a setembro de 2026, por setor. Em setembro foram criadas 29 mil vagas, puxadas por educação e saúde (20 mil), comércio e transporte (18 mil) e construção (11 mil), enquanto o governo cortou 17 mil.
 Fonte: Bloomberg

A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%, ante expectativas de permanência em 4,1%, mas segue em um patamar baixo e considerado dentro do pleno emprego.

Gráfico com a taxa de desemprego dos EUA de 1948 a setembro de 2026. Destaca os picos de 10,8% em dezembro de 1982, 10% em outubro de 2009 e 14,8% em abril de 2020, além das mínimas de 2,5% em 1953 e 3,4% em abril de 2023. Em setembro de 2026, a taxa está em 4,2%
 Fonte: Bloomberg

A taxa de participação, que vinha em uma trajetória de queda, subiu pelo segundo mês seguido, de 61,6% para 61,8%. Ainda assim, desconsiderando o período da pandemia, segue em uma das menores taxas desde 1976, o que vem ajudando a manter o desemprego em patamares historicamente baixos.

O motivo para essa baixa participação é o menor fluxo imigratório e o envelhecimento da população.

Gráfico com a taxa de participação na força de trabalho dos EUA desde 1948. A taxa chegou ao pico de 67,3% em 2000, caiu desde então e está em 61,8% em setembro de 2026.
 Fonte: Bloomberg

Os salários por hora trabalhada subiram apenas +0,1%, bem abaixo das expectativas de +0,3%.

Os salários apresentam uma trajetória benigna, com a média móvel de três meses ficando no menor patamar desde março de 2021 (0,13%). 

Desconsiderando o ano de 2020, por ter sido impactado pela pandemia, a média de três meses do crescimento dos salários está no segundo menor patamar (após março de 2021) desde dezembro de 2017 (0,17%).

Gráfico com a média móvel de três meses do crescimento dos salários por hora nos EUA, de janeiro de 2021 a setembro de 2026.
 Fonte: Bloomberg
Gráfico com a média móvel de três meses do crescimento dos salários por hora nos EUA, de janeiro de 2016 a setembro de 2026, com forte distorção em 2020 por causa da pandemia.
 Fonte: Bloomberg

O Payroll tem mostrado uma volatilidade importante em 2026. Após um início de ano forte em termos de criação de vagas, especialmente em janeiro, março e abril, vimos dados fracos, interrompidos pela forte leitura de agosto, e, agora, uma nova leitura fraca em setembro.

Apesar dessa volatilidade nas vagas, o desemprego não apresentou movimentações relevantes, permanecendo na faixa de 4,1% a 4,4%. 

E é isso que o Federal Reserve vem pontuando: o mercado de trabalho continua com um nível de desemprego saudável e dentro dos objetivos, enquanto a inflação, apesar de benigna nas leituras recentes, ainda se encontra longe do objetivo de inflação anualizada de 2%. 

Sendo assim, o Fed continua (corretamente) com uma postura dura no controle da inflação e deve promover mais uma ou duas altas de juros nos próximos meses.

Atualmente, para as próximas três reuniões (outubro, dezembro e janeiro), o mercado precifica alta de juros, com 48% de probabilidade para uma alta e 33% para duas altas de 0,25 p.p.

Gráfico de barras do CME Group com as probabilidades para a taxa de juros dos EUA em janeiro de 2027, comparando 31 de agosto e 2 de outubro de 2026. Em outubro, o cenário mais provável é de 4,00% a 4,25% (48,1%), seguido de 4,25% a 4,50% (32,9%). A chance de manutenção na faixa atual, de 3,75% a 4,00%, caiu de 31,4% para 13,5%.
 Fonte: CME Group

O que é Payroll?

O Payroll é o principal indicador sobre o mercado de trabalho formal dos Estados Unidos.

Quando é o Payroll?

Na primeira sexta-feira de cada mês, sempre às 10h30 do horário de Brasília.

Quem divulga o Payroll?

A agência governamental U.S. Bureau of Labor Statistics.

Do que o Payroll é composto?

O Payroll é calculado a partir de uma pesquisa com 119 mil empresas, representando aproximadamente 629 mil locais de trabalho nos EUA. 

A partir dessa amostra, calculam-se números como empregos criados, taxa de desemprego, horas de trabalho, salários por hora trabalhada e taxa de participação na força de trabalho.

Vale ressaltar que as estimativas consideram empregos formais e excluem os trabalhadores agrícolas, autônomos e empregos domiciliares.

Como o Payroll afeta a economia?

O Payroll reflete a dinâmica do mercado de trabalho americano, estando relacionado ao nível de aquecimento da atividade econômica local.

Em cenários de aquecimento da economia, o número de criação de vagas e os ganhos salariais tendem a ser maiores, assim como a taxa de desemprego tende a ser mais baixa.

Quanto mais forte o Payroll, maiores os seus efeitos sobre a inflação, diante das maiores pressões salariais que levam a um maior consumo.

Como analisar o Payroll?

Diversos números devem ser levados em consideração ao analisar o Payroll, sendo os principais deles: empregos formais criados, taxa de desemprego e salários.

Uma análise bem feita demanda um olhar para dentro desses números, como os setores que mais criaram vagas. Além disso, é possível investigar outros detalhes, como empregos de período integral vs. empregos de meio período.

São detalhes como esses que tornam a análise mais completa para que seja possível interpretar os efeitos do Payroll sobre a inflação e, consequentemente, sobre a política monetária a ser adotada pelo Federal Reserve.

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