Mercado de trabalho mais forte em março nos EUA, aponta Payroll
Dado de março vem acima do esperado e desemprego segue em níveis baixos, pela combinação de menor criação de vagas e menor oferta de mão de obra
O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 178 mil vagas de emprego em março, de acordo com os dados do Payroll, bem acima das expectativas de 65 mil. O dado do mês anterior, contudo, foi revisado para baixo, de -92 mil para -133 mil.
O destaque do mês ficou para o setor de saúde, com aumento de 76 mil vagas, após a greve de trabalhadores no mês anterior.

A taxa de desemprego voltou a cair, de 4,4% para 4,3%. Temos visto um menor ritmo de contratação, mas que vem sendo acompanhado por uma menor oferta de mão de obra, fruto da queda do fluxo imigratório, resultando, portanto, em um desemprego historicamente baixo.

Enquanto isso, os salários vieram benignos, com alta de +0,2%, abaixo das expectativas de +0,3%.

Temos observado um Payroll mais volátil ao longo dos últimos meses, e alguns economistas atribuem parte dessa volatilidade à mudança de metodologia do indicador, que alterou o cálculo do modelo de nascimento-morte das empresas, ou seja, do saldo de empregos gerados por aberturas e fechamentos de empresas entre as pesquisas.
O fato é que o mercado de trabalho americano vem desacelerando gradualmente, mas ainda apresenta uma taxa de desemprego baixa, interpretada como próxima do pleno emprego.
O Fed possui um mandato duplo: inflação de longo prazo em 2% e economia em pleno emprego. A inflação segue acima de 2% e a economia se encontra próxima do pleno emprego. Isso significa, portanto, que o Fed não precisa ter pressa para realizar novos cortes de juros.
Não por acaso, atualmente o mercado atribui mais de 80% de probabilidade de o Fed não cortar juros neste ano.
Eu concordo com o mercado: o Fed não precisa cortar juros. Mas é importante diferenciar o que acreditamos que deveria ser feito (não cortar juros) e o que acreditamos que de fato será feito.
Ainda vejo chances de Kevin Warsh executar pelo menos mais um corte de 0,25 p.p., que, na prática, não fará tanta diferença, mas tende a agradar o presidente que o indicou ao cargo, Donald Trump.
O que é Payroll?
O Payroll é o principal indicador sobre o mercado de trabalho formal dos Estados Unidos.

Quando é o Payroll?
Na primeira sexta-feira de cada mês, sempre às 10h30 do horário de Brasília.
Quem divulga o Payroll?
A agência governamental U.S. Bureau of Labor Statistics.
Do que o Payroll é composto?
O Payroll é calculado a partir de uma pesquisa com 119 mil empresas, representando aproximadamente 629 mil locais de trabalho nos EUA.
A partir dessa amostra, calculam-se números como empregos criados, taxa de desemprego, horas de trabalho, salários por hora trabalhada e taxa de participação na força de trabalho.
Vale ressaltar que as estimativas consideram empregos formais e exclui os trabalhadores agrícolas, autônomos e empregos domiciliares.
Como o Payroll afeta a economia?
O Payroll reflete a dinâmica do mercado de trabalho americano, estando relacionado ao nível de aquecimento da atividade econômica local.
Em cenários de aquecimento da economia, o número de criação de vagas e os ganhos salariais tendem a ser maiores, assim como a taxa de desemprego tende a ser mais baixa.
Quanto mais forte o Payroll, maiores os seus efeitos sobre a inflação, diante das maiores pressões salariais que levam a um maior consumo.
Como analisar o Payroll?
Diversos números devem ser levados em consideração ao analisar o Payroll, sendo os principais deles: empregos formais criados, taxa de desemprego e salários.
Uma análise bem feita demanda um olhar para dentro desses números, como os setores que mais criaram vagas. Além disso, é possível investigar outros detalhes como empregos de período integral vs empregos de meio período.
São detalhes como esses que tornam a análise mais completa para ser possível interpretar os efeitos do Payroll sobre a inflação e, consequentemente, sobre a política monetária a ser adotada pelo Federal Reserve.

