Payroll mais fraco: EUA criam menos vagas, desemprego sobe e salários vêm fracos
Apesar da leitura mais fraca que o esperado, desemprego segue baixo e mercado ainda projeta alta de juros
O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 29 mil vagas em setembro, bem abaixo das expectativas de 90 mil. Além disso, o resultado do mês anterior foi revisado para baixo, de 162 mil para 133 mil.

A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%, ante expectativas de permanência em 4,1%, mas segue em um patamar baixo e considerado dentro do pleno emprego.

A taxa de participação, que vinha em uma trajetória de queda, subiu pelo segundo mês seguido, de 61,6% para 61,8%. Ainda assim, desconsiderando o período da pandemia, segue em uma das menores taxas desde 1976, o que vem ajudando a manter o desemprego em patamares historicamente baixos.
O motivo para essa baixa participação é o menor fluxo imigratório e o envelhecimento da população.

Os salários por hora trabalhada subiram apenas +0,1%, bem abaixo das expectativas de +0,3%.
Os salários apresentam uma trajetória benigna, com a média móvel de três meses ficando no menor patamar desde março de 2021 (0,13%).
Desconsiderando o ano de 2020, por ter sido impactado pela pandemia, a média de três meses do crescimento dos salários está no segundo menor patamar (após março de 2021) desde dezembro de 2017 (0,17%).


O Payroll tem mostrado uma volatilidade importante em 2026. Após um início de ano forte em termos de criação de vagas, especialmente em janeiro, março e abril, vimos dados fracos, interrompidos pela forte leitura de agosto, e, agora, uma nova leitura fraca em setembro.
Apesar dessa volatilidade nas vagas, o desemprego não apresentou movimentações relevantes, permanecendo na faixa de 4,1% a 4,4%.
E é isso que o Federal Reserve vem pontuando: o mercado de trabalho continua com um nível de desemprego saudável e dentro dos objetivos, enquanto a inflação, apesar de benigna nas leituras recentes, ainda se encontra longe do objetivo de inflação anualizada de 2%.
Sendo assim, o Fed continua (corretamente) com uma postura dura no controle da inflação e deve promover mais uma ou duas altas de juros nos próximos meses.
Atualmente, para as próximas três reuniões (outubro, dezembro e janeiro), o mercado precifica alta de juros, com 48% de probabilidade para uma alta e 33% para duas altas de 0,25 p.p.

O que é Payroll?
O Payroll é o principal indicador sobre o mercado de trabalho formal dos Estados Unidos.

Quando é o Payroll?
Na primeira sexta-feira de cada mês, sempre às 10h30 do horário de Brasília.
Quem divulga o Payroll?
A agência governamental U.S. Bureau of Labor Statistics.
Do que o Payroll é composto?
O Payroll é calculado a partir de uma pesquisa com 119 mil empresas, representando aproximadamente 629 mil locais de trabalho nos EUA.
A partir dessa amostra, calculam-se números como empregos criados, taxa de desemprego, horas de trabalho, salários por hora trabalhada e taxa de participação na força de trabalho.
Vale ressaltar que as estimativas consideram empregos formais e excluem os trabalhadores agrícolas, autônomos e empregos domiciliares.
Como o Payroll afeta a economia?
O Payroll reflete a dinâmica do mercado de trabalho americano, estando relacionado ao nível de aquecimento da atividade econômica local.
Em cenários de aquecimento da economia, o número de criação de vagas e os ganhos salariais tendem a ser maiores, assim como a taxa de desemprego tende a ser mais baixa.
Quanto mais forte o Payroll, maiores os seus efeitos sobre a inflação, diante das maiores pressões salariais que levam a um maior consumo.
Como analisar o Payroll?
Diversos números devem ser levados em consideração ao analisar o Payroll, sendo os principais deles: empregos formais criados, taxa de desemprego e salários.
Uma análise bem feita demanda um olhar para dentro desses números, como os setores que mais criaram vagas. Além disso, é possível investigar outros detalhes, como empregos de período integral vs. empregos de meio período.
São detalhes como esses que tornam a análise mais completa para que seja possível interpretar os efeitos do Payroll sobre a inflação e, consequentemente, sobre a política monetária a ser adotada pelo Federal Reserve.
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