Payroll: EUA criam 162 mil vagas de emprego, bem acima do esperado
Após dados fracos, leitura de agosto supera expectativas e desemprego permanece baixo. Fed deve subir juros neste ano
O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 162 mil vagas em agosto, muito acima das expectativas de 55 mil. Além disso, o resultado do mês anterior teve uma revisão de alta importante, saindo de -23 mil para +21 mil.

A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, o menor patamar desde janeiro de 2025 (4%).

A taxa de participação, que vem em uma trajetória de queda, dessa vez subiu de 61,4% para 61,6%. No entanto, o patamar ainda é baixo, sendo um dos menores níveis desde 1976, desconsiderando o período da pandemia.
É essa menor taxa de participação, ocasionada pelo menor fluxo imigratório e pelo envelhecimento da população, que tem sustentado o desemprego baixo.

Os salários por hora trabalhada subiram +0,3%, em linha com as expectativas. O dado do mês anterior foi revisado para cima, de +0,1% para +0,2%. Ainda assim, os salários têm mostrado uma trajetória benigna, como vemos nos gráficos abaixo, com a média móvel de 3 meses e o acumulado em 12 meses, ambas as leituras em trajetória de desaceleração.


Payroll reforça a chance de novas altas de juros
Após uma sequência de dois dados fracos abaixo do esperado, vimos um Payroll mais forte em agosto.
Apesar de os salários estarem apresentando uma dinâmica benigna para a inflação, a economia está no pleno emprego. Como o Fed tem mandato duplo de pleno emprego e inflação em 2%, deve focar, nesse momento, na inflação.
Diante de uma economia em pleno emprego, da inflação acima da meta, da linguagem mais dura de Kevin Warsh contra a inflação em seu último discurso em Jackson Hole e de três membros votando por alta de juros já na reunião de julho, vemos uma maior chance de o Fed subir juros até o final do ano, com uma ou duas altas de 0,25 p.p.
O que é Payroll?
O Payroll é o principal indicador sobre o mercado de trabalho formal dos Estados Unidos.

Quando é o Payroll?
Na primeira sexta-feira de cada mês, sempre às 10h30 do horário de Brasília.
Quem divulga o Payroll?
A agência governamental U.S. Bureau of Labor Statistics.
Do que o Payroll é composto?
O Payroll é calculado a partir de uma pesquisa com 119 mil empresas, representando aproximadamente 629 mil locais de trabalho nos EUA.
A partir dessa amostra, calculam-se números como empregos criados, taxa de desemprego, horas de trabalho, salários por hora trabalhada e taxa de participação na força de trabalho.
Vale ressaltar que as estimativas consideram empregos formais e excluem os trabalhadores agrícolas, autônomos e empregos domiciliares.
Como o Payroll afeta a economia?
O Payroll reflete a dinâmica do mercado de trabalho americano, estando relacionado ao nível de aquecimento da atividade econômica local.
Em cenários de aquecimento da economia, o número de criação de vagas e os ganhos salariais tendem a ser maiores, assim como a taxa de desemprego tende a ser mais baixa.
Quanto mais forte o Payroll, maiores os seus efeitos sobre a inflação, diante das maiores pressões salariais que levam a um maior consumo.
Como analisar o Payroll?
Diversos números devem ser levados em consideração ao analisar o Payroll, sendo os principais deles: empregos formais criados, taxa de desemprego e salários.
Uma análise bem feita demanda um olhar para dentro desses números, como os setores que mais criaram vagas. Além disso, é possível investigar outros detalhes, como empregos de período integral vs. empregos de meio período.
São detalhes como esses que tornam a análise mais completa para que seja possível interpretar os efeitos do Payroll sobre a inflação e, consequentemente, sobre a política monetária a ser adotada pelo Federal Reserve.
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