Panvel (PNVL3) tem lucro líquido de R$ 45,2 mi no 4T25, alta de 35%
Empresa entrega resultados sólidos e crescentes em 2025, conclui seu objetivo definido em 2020 e agora olha para um novo ciclo de crescimento
A Panvel (PNVL3) registrou uma receita bruta de R$ 1,69 bilhão no 4T25, alta de +16% na comparação anual. Já o Ebitda foi de R$ 105 milhões (+28%), enquanto o lucro líquido totalizou R$ 45 milhões, +35% de crescimento em relação ao 4T24.


GLP-1: Emagrecendo os clientes, engordando os resultados
A Panvel registrou uma abertura líquida de 8 novas lojas no 4T25 (12 aberturas e 4 lojas encerradas), atingindo um total de 659 unidades em operação (sendo 77% já maduras) e mantendo sua forte presença na região sul do país (market share recorde de 13,9%, +0,7 p.p.) – esse foi, inclusive, o 23º trimestre consecutivo de crescimento de market share na região.

Com abertura de novas lojas, maturação das já existentes e iniciativas digitais, a receita atingiu R$ 1,69 bilhão, alta de +16% na comparação anual. Vale lembrar que, no 4T24, a companhia ainda contava com sua operação de atacado (encerrada no final de 2024). Dessa forma, a receita total foi impulsionada, mais uma vez, por um crescimento de +17% na receita de varejo.
Ainda no varejo, a venda média por loja voltou a crescer, atingindo R$ 849 mil/mês, alta de +13%. Já as vendas nas mesmas lojas (Same Store Sales) subiram +15%, enquanto o desempenho das mesmas lojas maduras (Mature Same Store Sales) foi +12% superior.
Abrindo o mix de vendas no varejo, o destaque foi, mais uma vez, para a expansão de medicamentos de marca (+21%), impulsionado pelo aumento nas vendas de medicamentos GLP-1. A venda de Produtos Panvel (margens mais elevadas) tiveram incremento de +35%.
Lucrando e voltando a gerar caixa
O lucro bruto consolidado (varejo + outras unidades de negócio) da Panvel totalizou R$ 503 milhões, alta de +19%, com aumento de +0,5 p.p. na margem bruta. Já as despesas com vendas crescendo a um ritmo inferior, de +16% (passando a representar 21,2% da receita, -0,1 p.p.) contribuíram para que o Ebitda subisse +28%, totalizando R$ 105 milhões.

Enquanto isso, mesmo com um resultado financeiro (negativo) maior, a depreciação em patamares estáveis e a queda na linha de imposto de renda (devido à distribuição de JCP no período) levaram a uma alta ainda maior do lucro líquido, que foi de R$ 45 milhões (+35%).
A Panvel apresentou uma melhora de nove dias em seu ciclo de caixa, com redução no prazo médio de estoques. No período, a empresa ainda registrou um fluxo de caixa livre positivo em R$ 42 milhões (vs. R$ -30 milhões). Com dívida bruta de R$ 717 milhões e um caixa de R$ 430 milhões, sua dívida líquida ficou em R$ 287 milhões e sua alavancagem em 0,9x (vs. 1,2x).
De olho em 2030
O ano de 2025 marcou o fechamento de um importante ciclo de crescimento para a Panvel, que teve seu início em 2020, com a realização de um follow-on que permitiu com que a companhia acelerasse o ritmo de seus investimentos e dobrasse de tamanho em cinco anos.
De fato, a empresa cumpriu com seus objetivos e atingiu uma receita de, aproximadamente, R$ 6 bilhões no último ano. Para atingir tal feito, a Panvel investiu, principalmente, na expansão de suas lojas pela região sul (cuja presença da companhia segue aumentando) e também em São Paulo. Além disso, também ampliou o alcance de suas vendas digitais, que atingiram R$ 1,5 bilhão em 2025 (penetração recorde de ~29% nas vendas do varejo).
Inclusive, analisando o desempenho do varejo (hoje, praticamente 100% da receita da companhia), a receita que, até 2020, crescia cerca de +12% a.a. em média, passou a crescer +17% a.a. entre 2020 e 2025. Vale destacar também que, além do crescimento de top line, a companhia também registrou melhora de suas margens, com seu Ebitda crescendo ainda mais na média (+20% a.a.) e atingindo uma margem de 5,4% (+1,1 p.p. vs. 2024).
Outro ponto chave que explica seus números operacionais e financeiros recentes é a eficiência que a empresa vem apresentando na execução da marca Panvel (que também vem sendo impulsionada pelos canais digitais), que já representa quase 40% do mercado de marcas próprias da região sul. Por fim, seu programa de fidelização (Panvel Prime) também vem ajudando a reter clientes e ainda aumentar a rentabilidade sobre a base.
Agora, após atingir seu objetivo de 2020, a Panvel se prepara para um novo ciclo de crescimento ainda mais ambicioso e sem a necessidade de um follow-on (seus investimentos serão sustentados por sua própria geração de caixa). A meta para 2030 (mesmo prazo de cinco anos do ciclo anterior) é de atingir de 950 a 1.000 lojas em operação, uma receita entre R$ 11,5 bilhões e R$ 12 bilhões e uma margem Ebitda entre 6,7% e 7%.

Além de uma nova expansão de suas unidades (+44% a +52%), a companhia enxerga outras avenidas de crescimento, como o aumento das vendas de GLP-1, a expansão da marca Panvel, uma maior penetração digital, a fidelização de seus clientes, entre outras. A Panvel ainda buscará melhorar suas margens com iniciativas voltadas à inteligência artificial (precificação, revisão de processos etc.) e reduções de despesas operacionais.
Com o guidance apresentado, a Panvel poderá atingir um Ebitda entre R$ 770 milhões (no piso das projeções) e R$ 840 milhões (no teto) – ou seja, um crescimento entre +141% e +163% até 2030. Com suas ações negociando a apenas 7,6x Ebitda, vemos que o mercado não precifica corretamente nem os resultados passados, que dirá o que a empresa ainda pode entregar no futuro.

