NUCL11 sobe 15%: vale a pena investir no ETF nuclear?
NUCL11 sobe 15% em janeiro. Entenda como funciona o ETF de energia nuclear, riscos, taxa, exposição e se vale a pena investir
Uma rentabilidade de 15% em um ano já chama a atenção. Em um mês, parece milagre. Mas foi exatamente isso que aconteceu com o NUCL11, um ETF listado na B3 que avançou 15,03% apenas em janeiro.
Um movimento dessa magnitude naturalmente desperta o interesse. No entanto, antes de decidir se faz sentido ter esse ativo na carteira, é preciso entender o que ele é, o que carrega dentro de si e quais riscos você está assumindo ao buscar esse tipo de retorno.
O que é o NUCL11?
O NUCL11 é um ETF (Exchange Traded Fund), ou fundo de índice, que oferece exposição a empresas globais envolvidas no desenvolvimento de energia nuclear.
Lançado pela gestora Investo em maio de 2025, o fundo replica o desempenho do ETF NLR (VanEck Uranium and Nuclear ETF), que, por sua vez, replica o índice MVIS Global Uranium & Nuclear Energy Index.
Assim, o ETF tem como objetivo refletir o desempenho de empresas envolvidas na mineração de urânio ou em projetos de mineração de urânio; na construção, engenharia e manutenção de usinas e reatores nucleares; na geração de eletricidade a partir de fontes nucleares; e no fornecimento de equipamentos, tecnologias e/ou serviços para a indústria de energia nuclear.
A proposta é oferecer uma alternativa de investimento para quem deseja se expor a empresas envolvidas na produção de energia nuclear, urânio e tecnologias relacionadas, aproveitando o crescimento desse setor.
Nos EUA, o ETF NLR tem um tamanho considerável, com patrimônio de US$ 4,82 bilhões. No Brasil, o NUCL11 conta com patrimônio de R$ 40 milhões.
Como funciona o ETF de energia nuclear?
Ao comprar NUCL11, você não está comprando “energia nuclear” de forma abstrata. Está adquirindo participação em empresas como:
- Mineradoras de urânio
- Companhias que operam usinas nucleares
- Empresas envolvidas na cadeia de suprimentos e tecnologia nuclear
Ou seja, trata-se de uma exposição temática e concentrada. Não é um ETF amplo como um IVVB11 (S&P 500) ou BOVA11 (Ibovespa).
A carteira do NUCL11 tem exposição principalmente aos EUA (44,34%) e ao Canadá (20,01%), seguidos por Austrália (9,66%), China (8,48%) e outros países.
A carteira conta com 28 ações, com as principais alocações em Cameco (9,31%), Denison Mines (5,89%) e BWX Technologies (5,58%).


Por que o NUCL11 subiu 15%?
O movimento está relacionado à oscilação do preço do urânio, tendo em vista que o setor nuclear vem ganhando tração global não apenas agora, mas desde 2020, por alguns motivos estruturais:
- Transição energética: governos buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
- Segurança energética: conflitos geopolíticos reacenderam o debate sobre autonomia energética.
- Explosão da demanda por energia: data centers e inteligência artificial têm elevado significativamente a demanda global por eletricidade, aumentando a busca por fontes de geração firme e estável, como a nuclear.
- Veículos elétricos: ampliam a necessidade de geração estável e limpa.
- Oferta restrita: após anos de preços baixos e subinvestimento pós-Fukushima, a capacidade de produção global segue limitada.
- Retomada de contratos de longo prazo: utilities vêm aumentando a contratação de suprimento para garantir segurança energética.
- Fluxo financeiro: a entrada de investidores institucionais e de veículos que compram urânio físico reduziu a liquidez do mercado.
A energia nuclear oferece geração constante (base load), baixa emissão de carbono e menor intermitência quando comparada a fontes como solar e eólica. Quando o mercado revisa as perspectivas de crescimento de um setor, os preços se ajustam rapidamente — às vezes até de forma exagerada no curto prazo.
A rentabilidade do NUCL11 é sustentável?
Aqui entra a parte que o investidor responsável precisa ouvir: alta passada não é garantia de alta futura. Um avanço de 15% em um mês pode refletir:
- Reprecificação estrutural legítima
- Excesso de otimismo
- Movimento especulativo
Como se trata de renda variável e de um setor específico, oscilações relevantes fazem parte do jogo. Se o ciclo virar — por mudança regulatória, queda no preço do urânio ou alteração no cenário macroeconômico — o movimento pode ser igualmente intenso para baixo.
Taxas do NUCL11
A Investo cobra uma taxa de administração de 0,60%. O ETF NLR cobra uma taxa de 0,56% no exterior. Como o NUCL11 investe no NLR, a taxa total de administração para o cotista é de 1,16% ao ano.
Número de cotistas e tamanho
O NUCL11 ainda é um ETF relativamente pequeno quando comparado aos produtos mais populares da Bolsa brasileira. Atualmente, conta com cerca de 4,6 mil cotistas e patrimônio líquido de aproximadamente R$ 40,5 milhões.
Para efeito de comparação, ETFs amplamente consolidados como o IVVB11 superam a marca de 200 mil investidores, o HASH11 reúne mais de 120 mil cotistas e o BOVA11 se aproxima de 100 mil. Isso não significa que o NUCL11 seja um produto ruim, mas indica que ele ainda possui menor escala e liquidez.
O ETF NLR, no exterior, tem liquidez consideravelmente maior, dado seu patrimônio de 4,82 bilhões de dólares.
NUCL11 tem proteção do FGC?
Não. Fundos de investimento, incluindo ETFs, não contam com garantia do FGC. Também não há garantia do administrador ou do gestor. O risco aqui é de mercado: se as empresas do índice caírem, sua cota cairá junto.
Então, vale a pena investir?
Temas quentes costumam atrair capital justamente após movimentos fortes. O investidor prudente faz o contrário: avalia a tese com frieza, entende os riscos e dimensiona a posição de forma responsável.
A energia nuclear pode viver um ciclo estrutural positivo. Mas ciclos também passam por correções.
O papel do investidor não é perseguir a maior alta do mês — é construir patrimônio de forma consistente, entendendo exatamente onde está pisando.
E isso exige menos euforia e mais análise.
No Nord ETFs, avaliamos a possibilidade de investir no NUCL11. No entanto, optamos por outro ETF temático, mais relacionado ao mercado de semicondutores e composto por empresas que apresentam melhores resultados reais.

