ETFs de IPCA da Nu Asset prendem a duration em 2, 5 e 10 anos

NB0211, NB0511 e NB1011 cobram 0,19% ao ano e pagam 15% de IR. Entenda como funcionam e em que ponto da curva superam os ETFs de IMA-B

Christopher Gomes Galvão 04/08/2026 11:23 9 min
ETFs de IPCA da Nu Asset prendem a duration em 2, 5 e 10 anos

A Nu Asset, gestora de investimentos do Nubank, anunciou em 16 de julho o lançamento de três ETFs de renda fixa ligados à inflação: o NB0211, o NB0511 e o NB1011. Os fundos compõem a família Nu Tesouro IPCA B3 e já são negociados na Bolsa. 

Cada um dos três produtos replica o Índice B3 Tesouro IPCA, mas com um horizonte de tempo diferente: dois anos no caso do NB0211, cinco anos no NB0511 e dez anos no NB1011. 

A B3 já não era exatamente carente de ETFs de inflação. Fundos como IMAB11, B5P211 e IB5M11 dão acesso, há anos, às NTN-Bs (os títulos públicos que pagam IPCA mais uma taxa de juros) por meio de uma única cota negociada em Bolsa. Veremos, abaixo, os detalhes dos novos produtos.

Como funcionam os ETFs de IPCA da Nu Asset

São três ETFs de renda fixa que replicam a família de índices Nu Tesouro IPCA B3, cada um mirando um prazo diferente: o NB0211, com duration de 2 anos; o NB0511, de 5 anos; e o NB1011, de 10 anos. 

Todos investem exclusivamente em NTN-Bs, também conhecidas como Tesouro IPCA+.

A palavra que organiza tudo aqui é duration. De forma simples, ela mede quanto o preço do título sobe ou cai quando o juro real se mexe. Quanto maior a duration, mais o preço da cota balança a cada variação de juros, para os dois lados. 

Por isso, o NB1011 (dez anos) tende a oscilar mais que o NB0211 (dois anos) diante do mesmo movimento de mercado. Não é que um seja melhor que o outro. É uma escolha de quanto risco de marcação a mercado, ou seja, de variação diária de preço, o investidor quer carregar.

O que diferencia esses ETFs dos de IMA-B

Aqui, é preciso separar o que é diferencial de verdade do que é discurso de lançamento. Não é correto dizer que todos os ETFs de IMA-B tenham uma duration que "voa" pela curva. 

O IMA-B 5, que o B5P211 segue, fica em torno de dois anos e tem até um controle formal para manter o prazo médio da carteira acima de dois anos. Nesse ponto específico da curva, a trava da Nu Asset acrescenta pouco.

A conversa muda quando olhamos para os índices mais amplos. 

O IMA-B, do IMAB11, é uma cesta de todas as NTN-Bs em mercado, e o IMA-B 5+, do IB5M11, reúne as mais longas. 

Nos dois, o peso de cada papel é definido pelo tamanho do estoque emitido, e não por um alvo de prazo. Isso tem uma implicação importante: a duration não é uma escolha do índice, é um resultado. Ela é o que sobra depois que o Tesouro decide o que emitir e o mercado decide quanto vale cada título.

Na maior parte do tempo, essa deriva é lenta e quase não incomoda. Mas houve um período em que ela foi grande. 

Entre 2020 e 2021, a duration do IMA-B saiu de algo perto de seis anos e passou para nove, voltando apenas posteriormente. No IMA-B 5+, o deslocamento foi de cerca de nove para quase catorze anos.

Duas forças se somaram ali. 

A primeira foi o alongamento da dívida pública. O Tesouro vinha empurrando NTN-Bs cada vez mais longas, movimento que segue até hoje, e a NTN-B 2060 estreou em janeiro de 2022. Quanto mais papel longo entra na cesta, mais a duration do índice sobe. 

A segunda força, menos evidente, foi o próprio nível dos juros. Com a Selic em 2% em 2020, o juro real desabou para mínimas históricas, e títulos longos se valorizam bem mais que os curtos quando isso acontece. 

Como o índice pondera pelo valor de mercado, esses papéis ganharam peso sozinhos, empurrando a duration da carteira para cima sem que ninguém decidisse nada.

O detalhe incômodo é a direção desse movimento. 

O índice alongou justamente quando o juro real estava na mínima e voltou a encurtar depois, com o prêmio já na casa dos 7% a 8%. 

Quem comprou IMAB11 em 2019, imaginando carregar seis anos de risco, se viu com nove pouco antes de as taxas dispararem. 

Não é erro de cálculo do índice; é consequência de ponderar por estoque em mercado: a cesta assume mais risco de juros quando os preços estão altos e menos quando estão baixos.

É nesse ponto que os produtos da Nu Asset têm uma melhor resposta

Como o índice persegue uma duration-alvo e rebalanceia a cada trimestre para voltar a ela, o prazo de risco fica bem mais preso. Pelas contas da própria gestora, usando a duration dos índices ANBIMA como referência, o índice de cinco anos oscilou cerca de 4,5 vezes menos que o IMA-B entre 2010 e 2026, e o de dez anos, cerca de 3,5 vezes menos que o IMA-B 5+.

Vale separar os três produtos, porque o ganho não é igual em todos. 

No vértice de dois anos, o NB0211, na prática, se sobrepõe ao que o B5P211 já entrega, e a trava adicional é pequena. 

O NB0511, de cinco anos, preenche uma lacuna mais clara: entre os ETFs de inflação que carregam NTN-B, não havia um produto ancorado nesse prazo, já que o IMA-B inteiro fica mais para os seis ou sete anos. 

A diferença fica mais visível no NB1011, porque entrega exposição longa com a duration cravada em um número fixo, em vez de acompanhar o que o Tesouro emitiu e o mercado reprecificou.

Sobre a construção da carteira, a NTN-B com duration mais próxima do alvo vira a âncora, com peso fixo de 50%, e os outros 50% se dividem entre quatro títulos vizinhos, dois de prazo acima e dois abaixo.

O resultado é uma cesta enxuta, de cinco papéis, sempre girando em torno do prazo escolhido. No índice de dois anos, a regra muda um pouco, com os cinco títulos ponderados por liquidez para manter o prazo médio no ponto certo, mas a ideia é a mesma.

A forma de ponderar também difere. Como vimos, nos índices IMA-B, o peso vem do estoque emitido. Nos da Nu Asset, os títulos ao redor da âncora são ponderados por liquidez, medida pelo volume médio negociado nos últimos três meses (o ADTV).

Priorizar os papéis mais negociados tende a apertar o spread entre compra e venda quando o fundo monta e desmonta a carteira, o que reduz o custo de transação embutido. Em compensação, concentrar tudo em cinco papéis é, por definição, menos diversificado ao longo da curva do que um IMA-B que carrega dezenas de vencimentos. Não é um defeito, é um trade-off: você troca amplitude por precisão no prazo e por liquidez.

ETF de IPCA da Nu Asset ou Tesouro IPCA+ direto: qual a diferença?

Como o ativo por baixo é o mesmo, a NTN-B, essa é a comparação que mais importa na prática. 

A primeira diferença é a manutenção da duration. No Tesouro Direto, se você quer manter uma exposição de, digamos, dez anos, precisa rolar os títulos manualmente conforme eles encurtam, e cada rolagem paga o spread entre o preço de compra e o de venda, que costuma ser maior nos vencimentos mais longos. O ETF faz esse giro por dentro, seguindo a regra do índice, e o cotista não arca com o custo de cada rotação individual.

A segunda diferença está na tributação, e ela é sutil. No Tesouro Direto, o Imposto de Renda é regressivo pelo tempo de aplicação: começa em 22,5% e só cai para 15% após dois anos. Além disso, se o título paga cupom semestral, cada cupom é tributado na fonte na hora, o que reduz o valor que segue rendendo. 

Nos ETFs da Nubank, o IR é de 15% independentemente de quanto tempo você segurou a cota, e incide só na venda, porque o fundo reinveste os fluxos internamente. 

Para quem fica pouco tempo, o ETF larga na frente no imposto. Para quem carrega um Tesouro IPCA+ Principal, sem cupom, por muitos anos, a alíquota final acaba parecida, e a vantagem do ETF migra mais para a conveniência de não precisar rebalancear nada.

Nada disso é de graça, claro. O ETF cobra 0,19% de administração ao ano e, como qualquer ação, tem corretagem e emolumentos na negociação, enquanto o Tesouro Direto cobra 0,20% de custódia da B3. As pontas de custo ficam parecidas. O que o Tesouro Direto oferece em troca é controle total: você escolhe o vencimento exato e o momento de comprar e vender, sem depender da regra de um índice.

Quanto custa e como funciona o Imposto de Renda

A taxa de administração dos três é de 0,19% ao ano, sem taxa de performance. É um valor competitivo dentro da categoria: os ETFs de IMA-B do mercado cobram entre 0,20% e 0,25%, e os outros ETFs de renda fixa da própria Nu Asset saem por 0,20% a 0,30%. A cota inicial foi lançada a R$ 50 e a liquidação é em D+1.

No Imposto de Renda, os ETFs de renda fixa seguem um regime próprio, criado pela Lei 13.043/2014

A alíquota não depende de quanto tempo você ficou com a cota, e sim do prazo médio de repactuação da carteira do fundo: 15% para prazo acima de 720 dias, 20% entre 180 e 720 dias e 25% até 180 dias. 

Como os três produtos têm carteira longa, todos se enquadram nos 15%. Aqui aparece um cuidado bem pensado no índice de dois anos: a metodologia otimiza a ponderação para manter o prazo médio acima de 830 dias, justamente para não escorregar da faixa de 15% para a de 20%. 

O imposto é retido na fonte, sem necessidade de emitir DARF, e não há come-cotas, aquela antecipação semestral de IR que corrói o capital nos fundos de renda fixa tradicionais. Vale notar que a ausência de come-cotas é uma característica dos ETFs de renda fixa em geral, e não uma exclusividade da Nu Asset.

No fim, a decisão é sobre duration

Na minha leitura, o valor desses fundos está em juntar duas coisas: pontos de prazo limpos e selecionáveis e uma trava de duration que os índices IMA-B mais amplos, por construção, não oferecem. 

Para quem monta carteira com renda fixa indexada à inflação e quer escolher com precisão qual sensibilidade a juros vai carregar, ter dois, cinco e dez anos bem definidos, e poder combiná-los para chegar a qualquer prazo no meio, é uma ferramenta útil.

O ponto não é que os ETFs de IMA-B sejam ruins, e no vértice curto o B5P211 já resolvia bem a questão. É que, nos índices mais amplos, a duration é consequência do que o Tesouro emite e de como o mercado precifica, não uma decisão do investidor. Quem quer carregar um prazo específico de propósito ganha algo real aqui, sobretudo no NB0511 e no NB1011.

Em compensação, quem prefere escolher vencimento e timing na mão, ou quer uma cesta mais ampla ao longo da curva, tem motivos legítimos para seguir no Tesouro Direto ou nos ETFs de IMA-B já existentes.

Como sempre, a escolha do prazo, e, portanto, do risco, é do investidor. Estes fundos apenas tornam esse controle um pouco mais direto.

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