MRV (MRVE3): prejuízo de R$ 627 milhões no consolidado e alta de 14% na ação
A MRV reportou prejuízo consolidado de R$ 627 milhões no 2T26 por conta da venda de ativos da Resia, enquanto o lucro da operação brasileira cresceu 28%
A MRV (MRVE3) reportou prejuízo consolidado de R$ 627 milhões no 2T26, decorrente da liquidação de ativos da Resia nos Estados Unidos.
Na operação de Incorporação no Brasil, o lucro cresceu 28% e a alavancagem caiu para 1,1x dívida líquida sobre Ebitda.
Confira mais detalhes a seguir.
Destaques da MRV (MRVE3) no 2T26

Em sua operação de Incorporação no Brasil, a MRV lançou R$ 3 bilhões no 2T26, queda de -14% em relação ao mesmo período do ano anterior, em função da forte base de comparação do 2T25. As vendas, por sua vez, totalizaram R$ 2,8 bilhões, alta de 3%.
O ticket médio foi de R$ 271 mil, avanço de +1%. Vale destacar, porém, que os preços subiram em linha com a inflação, mesmo após a aceleração do INCC a partir de abril, em decorrência da guerra. A menor variação do ticket médio refletiu principalmente uma mudança no mix de vendas, com menor participação das faixas superiores e de empreendimentos fora do MCMV.
O descasamento entre produção e repasse segue pressionando negativamente as vendas, as receitas e a geração de caixa.
O gap foi de 1,1 mil unidades no trimestre, e o saldo de imóveis ainda não repassados alcançou 9 mil unidades. A companhia estima que serão necessários cerca de seis trimestres para consumir esse estoque. Além disso, as vendas tendem a acelerar no 2S26, enquanto a produção deve permanecer estável.
A receita da Incorporação Brasil foi de R$ 2,8 bilhões, alta de +9%, enquanto a margem bruta contábil atingiu 31% (+1 p.p.), mesmo após uma revisão não recorrente nos distratos dos clientes fora do MCMV, refletindo o reconhecimento antecipado dos impactos do perfil financeiro mais frágil das famílias brasileiras.
Enquanto as despesas comerciais cresceram +10%, em função da ampliação das equipes internas de vendas, as despesas administrativas e o resultado financeiro líquido (negativo) avançaram +5%. Ainda assim, o lucro aumentou 28% no período.
Além disso, a companhia gerou R$ 149 milhões de caixa, praticamente em linha com o lucro e revertendo o consumo de R$ 36 milhões registrado no 2T25. Com isso, a alavancagem da operação brasileira caiu para apenas 1,1x Dívida Líquida/Ebitda anualizado.

Na Urba (loteamentos), foi registrado o maior volume de vendas para um segundo trimestre, com alta de +51%. O lucro foi de R$ 0,8 milhão, ante R$ 5,6 milhões no 2T25, enquanto o consumo de caixa foi de R$ 47 milhões. A expectativa da companhia é que a geração de caixa volte a ser positiva no segundo semestre de 2026.
Na Luggo (imóveis para aluguel), o prejuízo foi reduzido para R$ 10 milhões, ante R$ 19 milhões no mesmo período do ano anterior, enquanto o consumo de caixa foi de R$ -12 milhões (vs. R$ -30 milhões).
Além disso, a companhia vendeu seus três últimos empreendimentos por R$ 166 milhões (com lucro e a geração de caixa entrando nos próximos meses).
Diante do atual cenário de juros elevados, que afeta a capacidade de reciclagem do portfólio, a companhia não possui novos projetos em construção no momento.
Na Resia (EUA), o prejuízo foi de US$ -124 milhões, refletindo a perda reconhecida na última venda de ativos. Com isso, as perdas acumuladas nessas operações já superam US$ 400 milhões em 2026. Por outro lado, a estratégia de priorizar a redução da dívida e do risco deverá gerar uma desalavancagem de aproximadamente US$ 290 milhões, considerando os recursos já recebidos e os valores que ainda entrarão nos próximos meses.
No consolidado, a MRV reportou um crescimento de +11% em sua receita, um Ebitda de R$ 105 milhões (vs. R$ -92 milhões), prejuízo de R$ -627 milhões, geração de caixa total de R$ 70 milhões (vs. R$ 138 milhões) e encerrou o trimestre com uma dívida líquida de R$ 5,9 bilhões. Isso representa 3,6x seu Ebitda dos últimos 12 meses (forte redução ante os 11,2x DL/Ebitda do 2T25).
Contudo, desconsiderando o prejuízo da venda dos ativos da Resia, o lucro ajustado consolidado do trimestre foi de R$ 74 milhões. Além disso, considerando os valores a receber das vendas na Luggo e na Resia nos próximos meses, a alavancagem já cai para 2,8x Ebitda (sem ajustar o Ebitda).

Perspectivas para a MRV (MRVE3)
Enquanto a operação no Brasil já apresenta fortes resultados e segue evoluindo trimestre após trimestre, a decisão estratégica de priorizar a redução da alavancagem, em vez de esperar pelo momento ideal de venda de ativos nos EUA, está permitindo também uma forte redução da dívida total. Além disso, está “limpando” os resultados consolidados da MRV, para que, em breve, eles possam refletir o bom desempenho no Brasil.

Resia: liquidação prevista para o começo de 2027
Resta apenas um empreendimento (já 86% locado e que será vendido com lucro) e três terrenos no balanço da Resia. Com isso, a liquidação dos ativos nos EUA, bem como o processo de desalavancagem associado, deverá ser concluída no início de 2027.
Margem bruta no maior patamar em 7 anos
Por aqui, a margem bruta contábil alcançou o maior patamar dos últimos sete anos e segue convergindo para a margem bruta das novas vendas, de 35%, nível que já vem sendo registrado desde meados de 2024.
A geração de caixa também segue evoluindo de maneira significativa, acompanhando a evolução no lucro.
Esses resultados são fruto da combinação entre a redução do custo relativo dos terrenos, a simplificação do portfólio de produtos, a diminuição do número de praças de atuação e uma execução operacional cada vez mais eficiente. Atualmente, a companhia produz cerca de 170 apartamentos por dia útil e tem entregue obras antes do prazo.
Como consequência, os custos têm avançado abaixo do INCC, em um ambiente setorial extremamente favorável, que permite reajustes de preços ao menos em linha com a inflação. Ao mesmo tempo, a necessidade de financiamento próprio aos clientes vem diminuindo, contribuindo para a melhora da geração de caixa e da rentabilidade do negócio.
Estoque de terrenos e capital empregado
A projeção da companhia é de que o estoque pago de terrenos encerre 2026 em R$ 1,9 bilhão (vs. R$ 2,4 bilhões em 2024) e continue caindo cerca de R$ 200 milhões por ano até alcançar o patamar de R$ 1 bilhão. Atualmente, 93% das aquisições de terrenos são realizadas por meio de permuta, o que reduz a necessidade de capital investido, otimiza o capital empregado e favorece uma geração de caixa mais robusta nos novos lançamentos.
No comercial, a companhia está investindo em equipe, infraestrutura física e tecnologia para o seu canal próprio de vendas, sem diminuir o volume de vendas via imobiliárias, com o objetivo de acelerar as vendas e os repasses. O número de gerentes já aumentou de 235 para 307 nos últimos 12 meses, e a meta é alcançar 330 até o fim do ano.
Risco percebido em queda
Com a execução do plano de desalavancagem e a desaceleração do INCC após a forte alta que gerou preocupação em abril, o nível de risco percebido pelo mercado em relação à MRV vem diminuindo gradualmente. Além disso, o ambiente setorial segue extremamente favorável, combinando fatores microeconômicos e macroeconômicos positivos para a companhia.
MRVE3 vale a pena no preço atual?
No ano, MRVE3 está caindo -38%. No entanto, no pregão após a divulgação dos resultados do 2T26, suas ações subiram +14%, o que é uma sinalização relevante diante do péssimo humor da Bolsa nos últimos meses, intensificado nas últimas semanas.
Valendo apenas R$ 2,7 bilhões e com perspectiva de entregar um lucro de R$ 1,5 bilhão em apenas alguns anos, entendemos que é uma questão de tempo para que a racionalidade volte ao mercado, o preço da ação comece a convergir aos seus fundamentos e o expressivo potencial de valorização seja capturado.
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