Movida (MOVI3): o lucro dobrou no 2T26 e a ação caiu 28% no ano
A Movida dobrou o lucro no 2T26, alcançou ROIC recorde de 16,7% e projeta lucro ainda maior no 3T26. Veja a análise do balanço e as perspectivas de MOVI3
A Movida (MOVI3) fechou o 2T26 com lucro líquido de R$ 135,6 milhões, alta de 101%, e ROIC recorde de 16,7%. A companhia ainda projeta um 3T26 com lucro entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões, o dobro do mesmo trimestre de 2025.
No ano, porém, a ação acumula queda de 28% e negocia a 8x lucros. Confira mais detalhes sobre o segundo semestre de 2026 da empresa.

A Movida encerrou o 2T26 com uma frota total de 286 mil veículos, alta de +9% na comparação com o segundo trimestre de 2025 da empresa, com a frota de Aluguel de Veículos (RAC) totalizando 140 mil carros (+16%) e a frota de Gestão e Terceirização de Frotas (GTF) alcançando 146 mil veículos (+2,5%).
No RAC, a diária média foi de R$ 165, alta de 7%, enquanto o número de diárias avançou expressivos 22%, impulsionando um crescimento de 30% na receita. A taxa de ocupação alcançou 76%, expansão de 2,1 p.p. Beneficiado pelo maior volume, pela evolução dos preços e pelos ganhos estruturais de eficiência, o Ebitda cresceu 31%, com a margem Ebitda atingindo 69% (+0,2 p.p.).
No GTF, a receita média mensal por carro avançou +12% (à medida que tickets mais altos dos novos contratos foram sendo capturados nas renovações) e o número de diárias também subiu +4%, levando a um crescimento de +16% na receita. Refletindo a evolução da precificação e os ganhos da escala operacional, o Ebitda cresceu ainda mais, subindo +18% (margem Ebitda de 78%, +1,8 p.p.)
Em Seminovos, a companhia vendeu 19,4 mil veículos, -25% a menos, tendo em vista a necessidade de atender à forte demanda do RAC. O ticket médio foi de R$ 77,3 mil (+10%), o que resultou em uma receita -18% menor. Ainda assim, a margem Ebitda permaneceu estável no patamar de 1%, possível por conta da maior eficiência na gestão do estoque de seminovos (giro mensal subiu de 0,5x para 0,8x).

No consolidado, a receita cresceu +2% e o Ebitda cresceu +22%. No segmento de Locação (RAC + GTF), a receita e o Ebitda avançaram +21% e +23%, respectivamente, com margem Ebitda de 73%, +1 p.p. Mesmo com o avanço de +13% na depreciação (as taxas permaneceram estáveis), e a piora de +22% do resultado financeiro (negativo), a queda da alíquota efetiva de impostos, impulsionada pelo benefício fiscal da distribuição de JCP, contribuiu para que o lucro da Movida avançasse +101%.
Apesar de um capex líquido (após a venda de ativos) 109% maior, refletindo a renovação e a expansão da frota para atender à demanda e à sazonalidade de julho, a alavancagem da companhia encerrou o trimestre em 2,7x Dívida Líquida/Ebitda, estável em relação ao trimestre anterior e abaixo dos 2,9x registrados no 2T25.
Em função da melhoria operacional e da maior eficiência no uso do capital, o Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) alcançou o patamar recorde de 16,7% (também beneficiado pela redução na alíquota efetiva de impostos). Com isso, o spread em relação ao custo da dívida foi de 5,7 p.p., mesmo com a Selic mais alta na comparação anual.

Perspectivas da Movida (MOVI3)
Apesar dos ventos contrários do cenário macro desfavorável, os acertos na estratégia e execução da gestão da Movida estão permitindo um forte avanço em seus resultados ao mesmo tempo em que a empresa está ganhando market share.
Movida x Localiza: a comparação de volumes e tarifas
Para comparação, enquanto a Movida cresceu +22% o volume de diárias e subiu +7% a tarifa média no RAC, a Localiza cresceu +7% seu volume e avançou +4% sua tarifa. No GTF os volumes e diárias cresceram +4% e +12% vs. +1% e +6% da Localiza.
Além disso, as margens da Movida são maiores tanto no RAC quanto no GTF e seu ROIC também já é superior, ou seja, a companhia está liderando não apenas a disputa pelo ganho de market share, como também é o benchmark de rentabilidade do setor.
Vale destacar que a discrepância entre a Movida e seus demais concorrentes de menor porte tende a ser maior ainda.


Depreciação e o risco dos carros chineses
Para afastar eventuais preocupações em relação às taxas de depreciação e o potencial impacto negativo dos carros chineses na desvalorização de sua frota, a Movida ressaltou que já vendeu 99% da sua frota ao final de 2023 sem realizar nenhum impairment e mantendo a margem de Seminovos estável nos últimos 2,5 anos (a Localiza precisou fazer um impairment de quase R$ 1 bilhão em 2025 e sua margem de Seminovos caiu nos últimos anos).
O desempenho superior em depreciação decorre da acertada decisão de focar a frota em veículos de entrada, que hoje representam 84% do valor do imobilizado.
Esses veículos possuem preço médio projetado de venda de R$ 66 mil, substancialmente abaixo do preço médio dos carros chineses da categoria, de R$ 130 mil. Isso reduz o risco de a companhia precisar elevar suas taxas de depreciação no futuro em função de uma desvalorização dos veículos superior à projetada.

Guidance do 3T26 e a projeção para o ano
Por fim, a Movida divulgou novamente projeções para o próximo trimestre, com expectativa de crescimento entre 86% e 114% no lucro. Caso entregue o avanço de 100%, correspondente ao ponto médio da faixa indicada, o lucro acumulado nos 9M26 deverá alcançar R$ 400 milhões, superando com folga os R$ 318 milhões registrados em todo o ano de 2025.
Embora a magnitude do crescimento anual no 4T26 tenda a ser um pouco menor — já que o 4T25 capturou o benefício fiscal decorrente do início dos pagamentos de JCP —, o Lucro Antes dos Impostos (EBT) avançou 86% neste trimestre. Assim, a combinação entre ganhos de eficiência e redução da alavancagem deve continuar sustentando um forte crescimento no último trimestre do ano, tornando plausível um lucro próximo de R$ 600 milhões em 2026.
MOVI3 vale a pena no preço atual?
Apesar dos excelentes resultados entregues nos últimos anos e de perspectivas ainda mais favoráveis à frente, o mercado segue penalizando a ação. Os papéis da Movida acumulam queda de 28% no ano, após registrarem uma das maiores altas da bolsa em 2025 (+199%), e negociam atualmente a apenas 8x lucro e 3,5x Ebitda.
Certamente é um papel que poderemos aumentar nossa alocação quando o mercado começar a retomar um nível mínimo de racionalidade.

Perguntas frequentes sobre MOVI3
Qual foi o lucro da Movida no 2T26?
R$ 135,6 milhões, alta de 101% na comparação anual. No semestre, o lucro soma R$ 260,2 milhões.
Qual é o guidance da Movida para o 3T26?
Lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões, o que representa crescimento de 86% a 114% sobre o 3T25.
Qual é o ROIC da Movida?
16,7% no 2T26, patamar recorde, com spread de 5,7 pontos percentuais sobre o custo da dívida.
A Movida está crescendo mais que a Localiza?
No RAC, a Movida cresceu 22% em volume de diárias e 7% em tarifa média, contra 7% e 4% da Localiza. No GTF, 4% e 12%, contra 1% e 6%.
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