Comprar ou vender? Minerva (BEEF3) reverte prejuízo e lucra R$ 185 milhões no 1T25
Empresa registra forte crescimento operacional e financeiro impulsionado pela incorporação de novos ativos
A receita líquida da Minerva (BEEF3) atingiu R$ 11,2 bilhões no 1T25, aumento de +56% na comparação anual, enquanto o Ebitda cresceu +53%, alcançando R$ 962,5 milhões, com margem de 8,6% (-0,2 p.p.). Já o lucro líquido totalizou R$ 185 milhões no trimestre, revertendo prejuízo de R$ -186 milhões no mesmo período do ano passado.

Revisamos nossas estimativas para Minerva e alteramos nossa recomendação de compra para venda.
Revertendo prejuízo em lucro
A receita líquida cresceu +56%, puxada pela consolidação dos novos ativos adquiridos da Marfrig e maior volume de vendas (+20%). O mercado interno subiu 65% e o externo 48%.
O Ebitda totalizou R$ 963 milhões, crescimento expressivo de +53%. Apesar do aumento absoluto, a margem Ebitda caiu de 8,8% para 8,6%, refletindo o impacto da integração e custos iniciais dos novos ativos.
A companhia reverteu prejuízo de R$ 186,2 milhões no 1T24 para um lucro líquido de R$ 185 milhões no 1T25, impulsionado pela maior escala operacional e efeito positivo da variação cambial no resultado financeiro.

Dívida ainda exige atenção
No 1T25, a companhia registrou um fluxo de caixa operacional baixo, de apenas R$ 48 milhões (vs. R$ 1,35 bi no 1T24). Já o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ -514 milhões (vs. R$ 990 milhões), em função de uma maior pressão do resultado financeiro.
Analisando a situação financeira do frigorífico, sua posição de caixa ficou em R$ 11,9 bilhões, enquanto sua dívida líquida totalizou R$ 15,6 bilhões.
Com isso, a alavancagem (dívida líquida/Ebitda) atual da Minerva ficou 3,7x – estável em relação ao trimestre anterior (4T24), mas uma alta expressiva de 0,9 p.p., em função das novas dívidas assumidas para pagar pela aquisição das plantas da Marfrig.
O que esperar da Minerva em 2025?
A Minerva entregou um trimestre forte operacionalmente, com ganhos de escala e receita recorde. O resultado líquido foi revertido, mas a alavancagem permanece elevada e o fluxo de caixa livre foi negativo, indicando que a desalavancagem ainda depende da execução das sinergias esperadas.
Além dos resultados apresentados, a Minerva também divulgou um guidance (projeções formais) para 2025, com a meta de atingir uma receita líquida entre R$ 50 bilhões e R$ 58 bilhões ao final do ano atual.

O resultado foi sólido do ponto de vista operacional, mas o elevado endividamento e consumo de caixa no trimestre exigem atenção. A tese depende da integração bem-sucedida dos ativos da Marfrig (MRFG3) e execução do guidance.
Vale a pena comprar Minerva (BEEF3)?
Apesar do potencial de receita crescente após a aquisição das plantas da Marfrig na América do Sul (já possui 21% de market share), a alavancagem financeira ainda é um ponto de atenção e deverá seguir pressionando os resultados e dividendos da Minerva.
Após as altas recentes, vendemos nossa posição na carteira do Nord Small Caps e, no momento, não temos recomendação de compra para BEEF3.
Publicamos análises todos os dias para te ajudar a investir melhor — marcar como favorita aumenta as chances dos nossos conteúdos chegarem até você.

