Mineração de criptomoedas: como funciona, para que serve e os impactos ambientais

A mineração de criptomoedas cria e valida moedas como o Bitcoin. Confira como minerar passo a passo, quanto dá para ganhar e se vale a pena

Nord Research 30/06/2024 18:57 14 min Atualizado em: 31/08/2026 19:28
Mineração de criptomoedas: como funciona, para que serve e os impactos ambientais

A mineração de criptomoedas é o processo pelo qual novas moedas digitais são criadas e as transações da rede são validadas. Uma rede de computadores resolve cálculos matemáticos complexos e, em troca do esforço computacional, recebe recompensas em criptomoedas, como o bitcoin.

Neste conteúdo, você vai encontrar o que é a mineração, como ela funciona, um passo a passo sobre como começar a minerar, quanto é possível ganhar com isso, se ainda vale a pena em 2026 e quais são os impactos ambientais da atividade.

Sumário

O que é mineração de criptomoedas?

A mineração de criptomoedas é o processo de criação da moeda virtual, feito por computadores que resolvem problemas matemáticos e algoritmos criptográficos. Esse processo consome energia elétrica e esforço computacional, e assim novas moedas entram em circulação.

Para ilustrar: uma nota de real tem um número de série que indica seu registro no Banco Central do Brasil (BCB).

Uma criptomoeda, como o bitcoin, não tem uma autoridade central fazendo essa contabilidade. Em vez disso, o registro é feito pela tecnologia blockchain, um livro-razão digital e distribuído, mantido por qualquer computador que se conecte à rede e queira participar da validação. 

É esse modelo descentralizado, sustentado pela blockchain, que substitui a função de uma autoridade central e diferencia as criptomoedas do sistema usado pelas moedas tradicionais de cada país.

À medida que as transações são validadas, os participantes desse processo, os mineradores, são recompensados com novas moedas. Minerar, portanto, é oferecer poder computacional à rede e receber recompensa proporcional ao esforço.

Como funciona a mineração de criptomoedas?

A mineração funciona com base em premiações. Cada vez que um dispositivo resolve um problema matemático com sucesso, ele ganha o direito de adicionar um novo bloco de transações à blockchain, com registro permanente, e recebe uma quantidade de criptomoeda como recompensa. 

Cada minerador recebe um problema matemático próprio, que varia conforme as informações do bloco, como transações validadas, valores movimentados e endereços de origem e destino.

Os blocos são agrupamentos de informações e transações da rede. Cada um, ao ser validado, recebe uma assinatura criptográfica chamada hash, que faz referência ao hash do anterior. Esse encadeamento torna os blocos indissociáveis e impede fraudes como o gasto duplo da mesma moeda.

Por exemplo, se uma pessoa tentar transferir duas vezes a mesma moeda, não seria possível porque a saída já foi registrada em um bloco anterior. Logo, não será validada no seguinte. 

A validação acontece por consenso entre os dispositivos da rede: todos fazem o cálculo, e a conta precisa estar correta para a transação ser registrada.

Os demais computadores verificam a resolução proposta por cada minerador e, havendo consenso, o bloco é inserido na blockchain e só então a recompensa é liberada (a única forma pela qual novas criptomoedas são emitidas).

A segurança vem da impossibilidade de fraudar a maioria dos dispositivos da rede, já que existem milhares a dezenas de milhares de computadores minerando ou participando da validação.

Para que serve a mineração de criptomoedas?

A mineração cumpre três funções centrais no funcionamento das criptomoedas.

Descentralizar o controle sobre o dinheiro

A atividade permite a criação de um sistema descentralizado para autenticar transações. Não existe um governo ou banco central que possa influenciar o valor da moeda simplesmente emitindo novas unidades.

Oferecer segurança contra fraudes

A mineração dá suporte ao processo de auditoria com livros públicos na rede da criptomoeda. É o que sustenta a segurança e a transparência do modelo, dado que qualquer pessoa pode verificar o histórico de transações registrado na blockchain. Além disso, a infraestrutura da blockchain a torna mais segura conforme ela cresce em número de computadores trabalhando. Quanto maior é a rede, maior é a necessidade de poder computacional para corrompê-la. 

Gerar escassez na moeda digital

É preciso empregar energia e processamento para criar cada nova unidade de criptomoeda, e essa recompensa se torna mais escassa com o tempo.

O halving e a escassez programada

O halving é o evento que reduz pela metade a recompensa paga por bloco minerado, em intervalos programados. No caso do bitcoin, em 2009 era possível minerar 50 BTC por bloco resolvido. A cada 210 mil blocos validados, o que acontece aproximadamente a cada 4 anos, essa recompensa cai pela metade.

Histórico de halvings entre 2009 e 2024
Histórico de halvings entre 2009 e 2024

O halving é o mecanismo que garante que o bitcoin tenha uma oferta máxima finita (21 milhões de unidades) e é um dos motivos pelos quais a moeda é frequentemente comparada a um ativo escasso, como o ouro.

Quais são as principais criptomoedas?

As principais criptomoedas em capitalização de mercado são Bitcoin e Ethereum, ambas com um mercado de trilhões de reais.

5 principais criptomoedas em capitalização de mercado (atualizado em agosto de 2026):

  • Bitcoin (BTC)
  • Ethereum (ETH)
  • Tether (USDT)
  • BNB (BNB)
  • XRP (XRP)

O que é preciso para minerar criptomoedas?

Para minerar, é preciso reunir os seguintes itens:

  • Hardware: computador com placas de vídeo (GPUs), viáveis para moedas menores ou em estágio inicial, ou circuitos integrados de aplicação específica (ASICs, do inglês *application-specific integrated circuit*), equipamentos criados exclusivamente para mineração, com o máximo de eficiência energética. No caso do bitcoin, hoje só é viável minerar de forma competitiva com uma máquina ASIC, cujo preço costuma ultrapassar os US$ 8.000 e podendo chegar a até US$ 18.000 por unidade. GPUs domésticas não são mais suficientes.
  • Carteira virtual (wallet): é nela que as recompensas em criptomoeda serão recebidas. Vale priorizar carteiras com boa reputação de segurança e, se possível, com autenticação em duas etapas.
  • Software de mineração: normalmente fornecido pelo próprio pool escolhido.
  • Conexão a um pool de mineração (recomendado): minerar sozinho ("solo mining") em moedas como o bitcoin praticamente não é viável hoje devido à alta concorrência. Por isso, a prática mais comum é entrar em um pool, grupo de mineradores que soma poder computacional e divide as recompensas proporcionalmente à contribuição de cada um.

À medida que a dificuldade de mineração aumenta com o tempo, o que começou como algo viável em dispositivos domésticos passa a exigir verdadeiros processos industriais.

Fazendas de mineração de bitcoin

Fazendas são sistemas com centenas a milhares de máquinas otimizadas rodando simultaneamente e cortam o custo de energia por escala.

Pools de mineradores

Pools são espaços digitais de mineração em grupo. O processo fica mais acessível e os ganhos são compartilhados proporcionalmente entre os participantes, com renda menos oscilante do que na mineração solo.

Como minerar criptomoedas? (passo a passo)

Com o hardware, a carteira, o software e o pool já escolhidos, veja a sequência prática para começar a minerar:

1. Escolha a criptomoeda

Nem toda criptomoeda pode ser minerada. Isso depende do modelo de consenso que ela usa (confira a seção sobre Proof of Work e Proof of Stake mais abaixo). Bitcoin, Litecoin e Bitcoin Cash são exemplos de moedas mineráveis via Proof of Work.

2. Configure o hardware

Instale e configure a GPU ou o ASIC escolhido para operar com o software de mineração.

3. Configure a carteira virtual

Cadastre o endereço da sua wallet no software de mineração. Esse passo é importante, pois é para lá que as recompensas serão enviadas.

4. Conecte-se ao pool de mineração

Insira as credenciais do pool escolhido no software para que seu hardware comece a contribuir com poder computacional para o grupo.

5. Inicie a mineração

Com tudo configurado, basta iniciar o software e acompanhar o desempenho do hardware e as recompensas recebidas.

Como minerar bitcoin especificamente?

O bitcoin usa o modelo Proof of Work e, na prática, só é minerável de forma competitiva com hardware ASIC dedicado, como visto na seção anterior.

E as criptomoedas que usam Proof of Stake, como o Ethereum?

Moedas como Ethereum, Cardano e Solana não são mineradas: elas usam o modelo Proof of Stake, em que os participantes fazem staking (bloqueiam uma quantidade da própria moeda como garantia) em vez de resolver problemas computacionais. O ganho, nesse caso, vem da recompensa por validar transações como "validador", não como "minerador".

Quanto ganha um minerador?

No curto prazo, minerar bitcoin de forma independente tende a gerar prejuízo: a receita média de uma ASIC gira em torno de R$ 14.200, enquanto o gasto energético (cerca de 3.250 watts) pode custar aproximadamente R$ 20.000, segundo o Mercado Bitcoin.

Esse resultado varia de acordo com a quantidade de máquinas na operação, o preço da energia elétrica na região e outros custos, como impostos, refrigeração e manutenção.

Fator sorte na mineração

O processo de cálculo funciona por tentativa e erro. É possível resolver um bloco com poucos concorrentes e receber uma parcela maior da recompensa. Ou, ao contrário, competir com muitos mineradores e não ganhar nada naquele ciclo.

Participar de um pool reduz essa variância, trocando o potencial de ganho maior por um retorno mais previsível.

Valorização das criptomoedas

Mesmo com prejuízo operacional no curto prazo, o minerador pode optar por guardar as moedas recebidas, apostando na valorização do ativo no longo prazo.

Busca por novas moedas

Minerar moedas em estágio inicial costuma ter custo menor que minerar ativos já estabelecidos, cuja dificuldade aumentou ao longo do tempo. Porém, existe o risco desta moeda não ter adesão do mercado e ver seu preço tender a zero, o que culminaria em um prejuízo ainda maior na operação.

Vale a pena minerar criptomoedas em 2026?

Depende do perfil e da escala do minerador. Para pessoas comuns, na maior parte das vezes, não vale a pena.

Não costuma valer a pena para quem:

  • pretende minerar bitcoin sozinho, em pequena escala, sem acesso a energia barata;
  • não tem capital para investir em hardware ASIC atualizado e refazer o investimento anualmente;
  • busca retorno de curto prazo, ou sem volatilidade.

Pode valer a pena para quem:

  • opera em escala (fazendas) ou tem acesso a energia elétrica muito barata (ex.: solar própria);
  • participa de pools, reduzindo a variância de retorno, tendo acesso a energia barata;
  • encara a atividade como forma de acumular a moeda para o longo prazo, e não como fonte de renda imediata.

Antes de investir em hardware, simule o retorno considerando o preço da energia na sua região, o custo do equipamento e a cotação atual da moeda: calculadoras de mineração (mining calculators) ajudam a estimar isso antes de qualquer compra.

É melhor minerar ou comprar bitcoin?

Para a maioria das pessoas, comprar bitcoin direto em uma exchange ou corretora costuma ser a opção mais simples e menos arriscada

A mineração exige investimento inicial em hardware, custo constante de energia e conhecimento técnico para operar e manter os equipamentos. São riscos que quem compra o ativo pronto não assume.

Minerar tende a fazer mais sentido quando a pessoa já opera em escala (fazendas, acesso a energia barata) ou quando o objetivo vai além do lucro puro, como, por exemplo, apoiar a descentralização da rede ou obter moedas em estágio inicial a um custo menor do que comprá-las no mercado.

Fora esses cenários, comprar bitcoin diretamente costuma exigir menos capital, conhecimento técnico e risco operacional.

Como reduzir custos e aumentar a viabilidade

  • buscar países ou regiões com tarifa de energia elétrica mais baixa;
  • instalar placas de energia solar, reduzindo o custo por unidade minerada no longo prazo (a contrapartida é o custo de manutenção dos painéis);
  • simular o retorno antes de investir: calculadoras de mineração (mining calculators) ajudam a estimar o payback considerando o preço da energia na região, o custo do equipamento e a cotação atual da moeda.

Minerar criptomoedas é permitido no Brasil?

Sim. Não há, até o momento, uma legislação brasileira que proíba a mineração de criptomoedas. A atividade em si, usar hardware próprio para minerar, não é regulamentada de forma específica, diferente das exchanges e corretoras, que precisam seguir normas do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para operar.

Ainda assim, os rendimentos obtidos com mineração são tributáveis: as criptomoedas recebidas como recompensa devem ser declaradas à Receita Federal, e a venda desses ativos pode gerar imposto de renda sobre ganho de capital, conforme as regras vigentes para operações com criptoativos.

Mineração em nuvem (cloud mining) vale a pena?

O cloud mining é um serviço em que a pessoa paga para "alugar" poder computacional de um provedor terceiro, sem precisar comprar ou manter hardware próprio. Na teoria, é uma forma de simplificar o acesso à mineração.

Na prática, é também uma das áreas mais visadas por golpes no mercado cripto: existem inúmeros esquemas que prometem retornos garantidos de cloud mining e nunca entregam o serviço, funcionando como pirâmides financeiras. Evite contratar serviços de mineração em nuvem. 

Qualquer criptomoeda pode ser minerada?

Não. A mineração não é um processo aplicável a todas as criptomoedas, pois isso depende do modelo de consenso adotado por cada uma.

Prova de Trabalho (Proof of Work - PoW)

Modelo adotado pelo bitcoin. É o formato mais tradicional, exigindo cálculo e esforço computacional para validar blocos. Os mineradores competem entre si: quem resolve o problema primeiro valida o bloco e recebe a recompensa, além de taxas de transação.

Prova de Participação (Proof of Stake - PoS)

Sistema alternativo em que os usuários oferecem criptomoedas como garantia (staking), e a validação é feita por meio da seleção entre esses participantes. Se alguém selecionado tentar fraudar o sistema, a validação pela maioria da rede impede a prática, e o participante perde a garantia empenhada.

Esse modelo exige poder computacional mínimo, tornando-o mais acessível. Ethereum (ETH), Cardano (ADA) e Solana (SOL) são os principais exemplos.

Ofertas iniciais

Algumas criptomoedas abrem mão da mineração e usam uma oferta inicial ao mercado: uma quantidade finita de ativos é vendida diretamente aos interessados, de forma parecida com um IPO de ações.

Tokens e NFTs: outros ativos digitais da blockchain

A tecnologia blockchain também é usada para criar outros ativos digitais, como tokens e NFTs. 

Os NFTs, por exemplo, costumam ser criados a partir da blockchain do Ethereum e funcionam como registros que individualizam um arquivo (imagem, música, código, vídeo), tornando-o um bem escasso e negociável.

No YouTube da Nord Investimentos, preparamos um guia completo sobre os criptoativos. Confira o conteúdo e tire todas as suas dúvidas!

Quais os impactos da mineração de cripto no meio ambiente?

A mineração consome energia elétrica em grande escala, e esse consumo tende a crescer conforme a dificuldade dos cálculos aumenta. Em muitos países, boa parte dessa energia ainda vem de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo. Esse é o principal problema ambiental do Proof of Work.

Existem alternativas com menor impacto ambiental para a criação de novas moedas, como a oferta inicial ou o próprio modelo Proof of Stake, que dispensa o gasto computacional intensivo da mineração tradicional.

Por outro lado, defensores do modelo argumentam que qualquer processo produtivo consome recursos, e que a exigência de energia elétrica na mineração cria justamente uma barreira de segurança: ela limita a emissão arbitrária de moedas e dificulta ataques à rede, protegendo o sistema.

Como escolher as melhores criptos para investir?

A escolha das melhores criptomoedas exige alguns cuidados por parte do investidor.

Tome cuidado com fraudes

O ideal é investir por meios regulados, como corretoras de criptoativos reguladas pelo Banco Central aqui no Brasil.

Comece escolhendo as principais criptomoedas

Quem está começando deve priorizar moedas mais consolidadas, com histórico mais longo e, portanto, maior tempo de prova e de valor, além de ter maior liquidez no mercado. 

Busque propostas tecnológicas com impacto real

Estude se o ativo entrega algo novo e útil para o mercado ou para os consumidores. Projeto sem uso real costuma ser só promessa vazia ou golpe disfarçado.

Busque a lucratividade no longo prazo

Investidores costumam buscar moedas mais tradicionais, como Bitcoin e Solana, superando oscilações de curto prazo em busca de ganhos no médio e longo prazo, por se tratar de ativos com maior valor.

Estude a operação com criptomoedas

O investimento em cripto costuma ser mais complexo que outras opções do mercado, como renda fixa e ações. Por isso, buscar conhecimento antes de operar é essencial.

O que é o Nord Crypto Master?

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  • central de dúvidas com atendimento exclusivo para assinantes.

A mineração é uma das formas de atuar no mercado cripto, mas o investidor comum também pode participar sem minerar. É uma boa alternativa para diversificação de carteira, assumindo riscos em troca de potencial de ganhos expressivos.

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