Mercado Livre (MELI34): receita cresce, mas margens pressionam no 1T26

Mercado Livre cresce forte no 1T26, mas margens e provisões pressionam ações MELI. Veja receita, lucro, GMV, Mercado Pago e recomendação

Henrique Vasconcellos 13/05/2026 14:17 4 min Atualizado em: 13/05/2026 19:21
Mercado Livre (MELI34): receita cresce, mas margens pressionam no 1T26

O Mercado Livre (MELI34) apresentou um 1T26 marcado por forte aceleração de receita e crescimento robusto em suas principais avenidas de expansão, mas o mercado continua de mau humor com a ação.

A companhia avançou no e-commerce, ganhou tração no Mercado Pago e ampliou de forma relevante sua carteira de crédito. Por outro lado, o aumento das provisões e a pressão nas margens acabaram ofuscando parte do desempenho operacional, mantendo o mercado cauteloso com as ações.

Destaques dos resultados no 1T26

Destaques dos resultados de Mercado Livre. Fonte: Mercado Livre

O Mercado Livre apresentou seus resultados do 1T26 com números de top-line muito fortes, mas com os números de bottom-line aquém do esperado. A receita líquida e financeira atingiu US$ 8,8 bilhões, crescimento de +49,0% em comparação ao 1T25. O GMV foi de US$ 19,0 bilhões, crescimento de +42,2% na comparação anual, enquanto a carteira de crédito chegou a US$ 14,6 bilhões, alta de +87,1%.

Apesar do forte crescimento no varejo online e no segmento de crédito dentro do Mercado Pago, o que desapontou o mercado foram as margens pressionadas diante de um aumento relevante das provisões. No trimestre, o lucro operacional (EBIT) apresentou queda de -20%, com a margem caindo de 12,9% para 6,9%. O lucro líquido também recuou -15,6%, chegando a US$ 417 milhões.

O trimestre apresentou aquela combinação de muito bom com muito ruim, em que geralmente o mercado escolhe arbitrariamente para qual lado olhar com mais atenção — normalmente determinado pela tendência recente do preço do papel. No caso de MELI, foi o lado negativo.

Mesmo com as receitas acelerando, o mercado deu mais atenção às margens e ao aumento das provisões (PDA), diante da forte expansão do crédito.

Destaques operacionais

Destaques dos números do Marketplace. Fonte: Mercado Livre

Apesar da reação negativa do mercado, os números atrelados ao marketplace foram muito bons. O volume bruto de mercadorias comercializadas (GMV) cresceu +32% em moeda constante e +42% em dólares. Os itens vendidos chegaram a 721,7 milhões, crescimento de +47%, enquanto os usuários e compradores ativos cresceram +26%, para 84,1 milhões.

O Brasil foi o principal destaque, com aceleração do GMV para +38% em base neutra de câmbio e aumento recorde de 17 milhões de compradores únicos ativos na comparação anual. Esse desempenho é importante porque mostra que os investimentos em frete grátis e logística estão gerando resposta real do consumidor. A companhia comparou esse momento ao ciclo de 2016, quando investiu de forma pesada em sua rede logística e, posteriormente, consolidou liderança no comércio eletrônico da região.

Destaques dos resultados do Mercado Pago. Fonte: Mercado Livre

No Mercado Pago, a tração segue muito forte. O TPV total foi de US$ 87,2 bilhões, crescimento de +50% em dólares e +55% em moeda constante. A base de usuários ativos mensais da fintech chegou a 82,9 milhões, crescimento de +29%, mostrando que o Mercado Pago continua ampliando sua penetração como solução financeira diária, e não apenas como ferramenta de pagamento dentro do marketplace.

O crédito foi novamente um dos maiores vetores de crescimento e, ao mesmo tempo, a principal fonte de preocupação. A carteira total atingiu US$ 14,6 bilhões, alta de +87% na comparação anual. A carteira de cartões cresceu +104%, para US$ 6,6 bilhões, e já representa 46% da carteira total, contra 42% no 1T25.

A companhia emitiu 2,7 milhões de cartões no trimestre e destacou que o produto é um dos principais instrumentos de cross-sell do ecossistema, aumentando conversão no marketplace, GMV por usuário e transações dentro do Mercado Pago.

A grande preocupação dos investidores foi o crescimento do PDA muito acima do aumento do crédito total. O PDA (provisões) cresceu +106% na comparação anual, chegando a mais de US$ 1,2 bilhão. Isso reflete, em parte, o crescimento da carteira de crédito, enquanto os níveis de NPL permaneceram praticamente constantes na comparação anual.

Perspectivas para o Mercado Livre após o 1T26

A companhia não espera mudar materialmente o nível atual de investimentos no curto prazo. Isso significa que a margem operacional provavelmente continuará pressionada nos próximos trimestres.

O Mercado Livre enxerga oportunidades suficientes em logística, 1P, crédito, cartões, acquiring e serviços financeiros para continuar priorizando crescimento, mesmo que isso limite a expansão do lucro por ação no curto prazo.

O 1T26 do Mercado Livre foi forte em crescimento e mais difícil em margem. A companhia entregou a maior expansão de receita em quase quatro anos, acelerou o e-commerce no Brasil, manteve tração no Mercado Pago e ampliou de forma relevante sua carteira de crédito. Ao mesmo tempo, a margem operacional caiu para 6,9%, pressionada por investimentos e provisões para perdas de crédito.

Vale a pena investir em MELI34 após os resultados?

Apesar de gostarmos da empresa e acompanharmos com carinho sua evolução, achamos um exagero colocá-la como “a Amazon brasileira” e precificá-la dessa forma. As quedas recentes e a aceleração do crescimento deixam a empresa mais interessante, mas não a ponto de mudar nossa recomendação. Seguimos com recomendação neutra para as ações.

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