Ibovespa no 1° semestre de 2026: uma trajetória de montanha-russa

IBOV fecha o 1S26 em alta, avançando +6,76%. No período, Usiminas lidera as altas, enquanto CSN, as baixas

Hugo Cabral 01/07/2026 15:57 6 min
Ibovespa no 1° semestre de 2026: uma trajetória de montanha-russa

O primeiro semestre de 2026 desenhou uma trajetória de montanha-russa para o Ibovespa, que passou da euforia ao pragmatismo ao encerrar o período com uma alta moderada de +6,76%, aos 172 mil pontos. 

O grande motor dessa volatilidade foi a intensa dança das cadeiras no fluxo de capital global. Nos primeiros meses do ano, um forte apetite ao risco por ativos emergentes inundou a bolsa brasileira com quase R$ 68 bilhões de capital estrangeiro, empurrando o índice para a máxima histórica de quase 200 mil pontos em abril. 

Contudo, a segunda metade do semestre foi marcada por uma forte reversão desse movimento. O prolongamento dos juros restritivos nos Estados Unidos, somado ao aumento das incertezas fiscais domésticas, desencadeou uma debandada técnica desse capital estrangeiro, que retirou dezenas de bilhões de reais da B3 na reta final do período, forçando uma correção generalizada nos múltiplos das empresas brasileiras e devolvendo boa parte dos ganhos acumulados.

Desempenho dos principais índices no 1° semestre

Mesmo com os juros futuros em alta, o Ibovespa encerrou o primeiro semestre de 2026 subindo +6,8%, enquanto o IDIV avançou +7,0% e o SMLL recuou -4,6%.

 IBOV, IDIV e SMLL no 1S26. Fonte: Bloomberg

Das 86 ações que compõem o IBOV, 46 registraram alta no período, enquanto as outras 40 fecharam em baixa. 

O principal destaque positivo do semestre foi a Usiminas (USIM5), com alta de +42,0%, enquanto a maior queda foi para as ações da CSN (CSNA3), que caíram -48,3%.

As 5 ações que mais subiram no 1° semestre

Veja a lista das cinco maiores altas do semestre.

EmpresaTickerVar. (%)
UsiminasUSIM5+42,0
CopasaCSMG3+39,5
EnevaENEV3+32,4
PetrobrasPETR3+31,9
PrioPRIO3+25,9

Maiores altas do Ibovespa no 1° semestre de 2026. Fonte: Bloomberg

1. Usiminas (USIM5, +42,0%)

A liderança da siderúrgica no semestre refletiu diretamente a eficácia das novas barreiras comerciais adotadas pelo governo brasileiro, que elevou as alíquotas de importação para produtos siderúrgicos de 10,8% para 25%. Esse mecanismo de proteção provocou um recuo de 42% nas importações domésticas de aço plano e reduziu a participação do produto chinês no mercado nacional, abrindo espaço para a recomposição de margens da companhia e motivando fortes revisões de preço-alvo por grandes bancos de investimento.

Nossa recomendação: neutra.

2. Copasa (CSMG3, +39,5%)

O vetor central de valorização da estatal mineira de saneamento foi a conclusão do seu processo de privatização no mês de junho, consolidado por meio de uma oferta pública (follow-on) de R$ 8,4 bilhões que precificou os papéis em R$ 49,03. A entrada da Equatorial Energia como acionista de referência com 30% do capital disparou o otimismo dos investidores, que embutiram no preço o ganho de eficiência operacional, a otimização na alocação de capital e o potencial de crescimento sob gestão privada.

Nossa recomendação: neutra.

3. Eneva (ENEV3, +32,4%)

O desempenho das ações no semestre foi fortemente impulsionado pela melhora nas projeções de despacho térmico decorrente do cenário hidrológico menos favorável, o que acionou suas usinas e garantiu receita variável robusta. Além disso, o mercado reagiu positivamente ao avanço na integração dos ativos adquiridos recentemente e às sinergias capturadas em bacias de gás natural, consolidando a tese de geração de valor por meio do modelo integrado de reservoir-to-wire (do poço à energia) e aliviando temores sobre o endividamento de curto prazo.

Nossa recomendação: neutra.

4. Petrobras (PETR3, +31,9%)

O avanço das ações da estatal petrolífera foi lastreado pela forte escalada internacional do petróleo no semestre, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelo bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, que jogaram o barril do tipo Brent para a casa dos US$ 100 em boa parte do período. A forte geração de caixa gerada por esse choque de oferta atenuou ruídos internos sobre a governança e garantiu a manutenção de um fluxo robusto de proventos aos investidores, sustentando as ações mesmo diante de um respiro técnico da commodity no encerramento de junho.

Nossa recomendação: neutra.

5. Prio (PRIO3, +25,9%)

O papel também surfou o ciclo de alta internacional do petróleo Brent, mas o grande catalisador de valor no período foi o avanço operacional na revitalização de seus campos maduros, com destaque para o ganho de escala na produção de Frade e Wahoo. A eficiência da petroleira júnior em manter o seu custo de extração (lifting cost) em patamares altamente competitivos blindou as margens operacionais da companhia, atraindo fluxo de capital estrangeiro focado em geração de caixa resiliente e boa execução técnica.

Nossa recomendação: compra.

As 5 ações que mais caíram no 1° semestre

Veja a lista das cinco maiores quedas do semestre.

EmpresaTickerVar. (%)
CSNCSNA3-48,3
Magazine LuizaMGLU3-47,2
MinervaBEEF3-35,1
MRVMRVE3-32,2
VivaraVIVA3-31,2

Maiores baixas do Ibovespa no 1° semestre de 2026. Fonte: Bloomberg

1. CSN (CSNA3, -48,3%)

A lanterna do Ibovespa decorreu de uma combinação asfixiante entre o elevado endividamento financeiro da holding e a forte depreciação do minério de ferro no mercado transacional. Diferente de concorrentes que se beneficiaram puramente do mercado interno de aço, a forte exposição da CSN à divisão de mineração pesou negativamente no balanço, enquanto o carregamento de uma estrutura de capital alavancada sob uma curva de juros futuros de longo prazo persistentemente alta deteriorou o resultado financeiro líquido da companhia.

Nossa recomendação: neutra.

2. Magazine Luiza (MGLU3, -47,2%)

O forte tombo do papel no semestre foi carimbado pela frustração dos investidores com o balanço do primeiro trimestre, que reportou um prejuízo consolidado de R$ 77,6 milhões e revelou que a operação brasileira continua sofrendo para reter caixa. O prolongamento do cenário de juros restritivos no país e a compressão do consumo varejista de bens duráveis impediram a recuperação das margens operacionais, anulando os esforços internos de digitalização e eficiência logística.

Nossa recomendação: neutra.

3. Minerva (BEEF3, -35,1%) 

A desvalorização da gigante das carnes foi puxada pela forte defasagem cíclica e pelo encarecimento de custos operacionais na América do Sul, somados ao temor de pressões alfandegárias e barreiras sanitárias em mercados importantes. O mercado puniu o papel pela lenta captura de sinergias operacionais após aquisições recentes de ativos e pela retração momentânea nas margens de exportação, o que penalizou o fluxo de caixa disponível para o acionista.

Nossa recomendação: neutra.

4. MRV (MRVE3, -32,2%)  

A construtora enfrentou forte liquidação no semestre, devido aos gargalos operacionais e à queima de caixa persistente em suas operações, em um período de forte sensibilidade do setor imobiliário à dinâmica dos juros futuros. Embora os programas habitacionais de incentivo garantam volume de vendas, o repasse inflacionário nos custos de construção e o atraso na desalavancagem financeira da holding forçaram o mercado a revisar para baixo as projeções de lucro por ação.

Nossa recomendação: compra.

5. Vivara (VIVA3, -31,2%)  

A joalheria enfrentou forte volatilidade no semestre com investidores penalizando o papel em função da compressão de margens gerada pela alta expressiva no preço do ouro (sua principal matéria-prima) no mercado internacional. Embora a resiliência do público de alta renda proteja o volume de vendas e o plano de expansão física de lojas siga avançando, o mercado adotou uma postura mais conservadora ao precificar a transição recente em cargos do alto escalão e o impacto do câmbio na importação de insumos.

Nossa recomendação: compra.

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