Ibovespa em janeiro: melhor mês desde 2020

IBOV fecha janeiro com alta de +12,6%. No mês, Cogna lidera as altas (+44,0%), enquanto Vivara sofre a pior queda do índice, mais de -15%

Hugo Cabral 02/02/2026 11:38 4 min
Ibovespa em janeiro: melhor mês desde 2020

O Ibovespa encerrou o mês de janeiro em alta de +12,6%, superando os 180 mil pontos, em um movimento que contrastou com a trajetória dos juros futuros na segunda metade do período. 

Em linha com outros mercados emergentes, a Bolsa brasileira registrou um forte fluxo de capital estrangeiro, principalmente proveniente dos Estados Unidos, impulsionado pelas incertezas geopolíticas que envolvem o país.

Desempenho dos principais índices em janeiro

Com a queda dos juros futuros ao longo do mês, o Ibovespa encerrou com alta de +12,6%, enquanto o IDIV avançou +10,6% e o SMLL, +10,2%.

 IBOV, IDIV, SMLL e Juros futuros em janeiro/26. Fonte: Bloomberg

Das 86 ações que compõem o IBOV, 76 registraram alta no período, enquanto as outras 10 fecharam em baixa. 

O principal destaque positivo do mês foi a Cogna (COGN3), com alta de +44,0%, enquanto a maior queda foi para as ações da Vivara (VIVA3), que caíram -15,2%.

As 5 ações que mais subiram em janeiro

Veja a lista das cinco maiores altas do mês.

EmpresaTickerVar. (%)
CognaCOGN3+44,0
RaízenRAIZ4+27,2
PetrobrasPETR3+24,0
VamosVAMO3+23,5
PrioPRIO3+23,1

Maiores altas do Ibovespa em janeiro. Fonte: Bloomberg

1. Cogna (COGN3) +44,0% 

No topo da lista das maiores altas de janeiro estão as ações da Cogna.

O movimento foi impulsionado por recomendações de grandes bancos, que elevaram suas classificações de neutra para compra, como J.P. Morgan e BTG Pactual. O mercado espera uma boa geração de caixa das empresas de educação na próxima divulgação de resultados (4T25).

Além disso, a Cogna vem melhorando seu ticket médio e demonstrando disciplina financeira, mesmo em um cenário ainda marcado por juros elevados. 

Nossa recomendação: neutra.

2. Raízen (RAIZ4) +27,2%

Após figurar entre as ações que mais caíram em 2025, a Raízen iniciou 2026 em trajetória de recuperação, impulsionada pela notícia de um possível aumento de capital entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, que pode contribuir para o processo de desalavancagem da companhia.  

Nossa recomendação: neutra.

3. Petrobras (PETR3) +24,0%

Indo na direção contrária ao que muitos analistas esperavam, o preço do petróleo Brent entrou em uma trajetória de alta no mês de janeiro, saindo de US$ 60 para US$ 70, o que impulsionou as ações das petroleiras, especialmente a Petrobras. 

Nossa recomendação: neutra.

4. Vamos (VAMO3) +23,5%

Além da expectativa do mercado em relação a um possível ciclo de cortes na taxa de juros no país, beneficiando a alta alavancagem da Vamos, a prévia operacional divulgada no início do mês referente ao 4T25 veio acima das expectativas, com destaque para o crescimento das vendas de seminovos e o aumento da taxa de utilização da frota.  

Nossa recomendação: compra.

5. Prio (PRIO3) +23,1%  

Além da forte valorização do preço do petróleo Brent, as ações da Prio foram impulsionadas pela divulgação dos dados operacionais de dezembro de 2025, que indicaram um volume recorde de produção superior a 155 mil barris de óleo por dia, após a incorporação de 40% de participação no campo de Peregrino. 

Nossa recomendação: compra.

As 5 ações que mais caíram em janeiro

Veja a lista das cinco maiores quedas do mês.

EmpresaTickerVar. (%)
VivaraVIVA3-15,2
HapvidaHAPV3-11,7
MBRFMBRF3-6,6
C&ACEAB3-6,5
AurenAURE3-5,1

Maiores baixas do Ibovespa em janeiro. Fonte: Bloomberg

1. Vivara (VIVA3) -15,2%

No topo da lista das maiores quedas do mês estão as ações da Vivara. 

Mesmo com a excelente execução da companhia na compra de insumos, a forte alta de suas principais matérias-primas, como a prata e o ouro, pode pressionar suas margens no curto prazo. No entanto, em horizontes mais longos, a rede de joalherias não tem encontrado dificuldades para repassar esses custos.

Nossa recomendação: compra.

2. Hapvida (HAPV3) -11,7%

Em meio a um clima de cautela com o setor de saúde, a Hapvida esteve entre os papéis que mais caíram no mês, marcada por margens operacionais apertadas, questões com sinistralidade e desafios em repassar reajustes de preços nos planos.

Nossa recomendação: neutra.

3. MBRF (MBRF3) -6,6%

Diante de pressões específicas no setor de carnes, especialmente relacionadas à expectativa de tarifas adicionais sobre as exportações brasileiras para a China (um dos principais mercados consumidores), caso os volumes exportados ultrapassem as cotas estabelecidas, os papéis da MBRF (resultado da fusão entre Marfrig e BRF) estiveram entre os poucos que não apresentaram alta no mês. 

Nossa recomendação: neutra.

4. C&A (CEAB3) -6,5%

Além de uma possível pressão de venda por parte do antigo controlador, surgiram rumores, oriundos de uma reunião com investidores, de que os resultados do 4T25 viriam mais fracos do que as expectativas do mercado. 

Nossa recomendação: neutra.

5. Auren (AURE3) -5,1%

Por último, a Auren foi mais uma empresa que não acompanhou a euforia do mês de janeiro, influenciada pela baixa expectativa de resultados positivos no curto prazo, em razão do alto nível de endividamento após a aquisição da AES Brasil.

Nossa recomendação: neutra.

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