Ibovespa em dezembro: Brava volta a performar bem

IBOV fecha dezembro com alta de +1,3%. No mês, Brava lidera as altas, enquanto C&A, as baixas

Hugo Cabral 02/01/2026 09:38 5 min
Ibovespa em dezembro: Brava volta a performar bem

O Ibovespa encerrou o mês de dezembro em alta de +1,3%, superando os 160 mil pontos, mesmo com a retomada da alta dos juros futuros. Entre as principais contribuições para o desempenho positivo do índice destacam-se as ações de grandes empresas exportadoras, beneficiadas pela valorização do dólar ao longo do período. 

Desempenho dos principais índices em dezembro

Mesmo com os juros futuros voltando a subir no mês, o IBOV encerrou em alta de +1,3%, enquanto o IDIV, de +1,5%. Já o SMLL caiu -3,6%.

 IBOV, IDIV, SMLL e Juros futuros em dezembro/25. Fonte: Bloomberg

Das 84 ações que compõem o IBOV, 40 registraram alta no período, enquanto as outras 44 fecharam em baixa. 

O principal destaque positivo do mês foi a Brava (BRAV3), com alta de +23,5%, enquanto a maior queda foi para as ações da C&A (CEAB3), que caíram -25,2%.

As 5 ações que mais subiram em dezembro

Veja a lista das cinco maiores altas do mês.

EmpresaTickerVar. (%)
BravaBRAV3+23,5
CVCCVCB3+14,9
WEGWEGE3+13,6
ValeVALE3+12,3
KlabinKLBN11+12,0

Maiores altas do Ibovespa em dezembro. Fonte: Bloomberg

1. Brava (BRAV3) +23,5% 

No topo da lista das maiores altas de dezembro estão as ações da Brava.

O movimento positivo veio a partir da notícia de que a petroleira júnior estaria negociando a venda de três poços de gás (Recôncavo, Peroá e Manati) para a Eneva, por um valor de US$ 450 milhões. 

Além disso, a Ecopetrol (maior petroleira da Colômbia) estaria estudando uma possível oferta por um bloco de ações da Brava (cerca de 15%) e ainda poderia comprar ações no mercado para atingir 50% do capital e assumir o controle da petroleira júnior.

Porém, a Brava divulgou um fato relevante informando que não há negociações com a Eneva para a venda de ativos de gás (mas não negaram que estão sempre analisando e reavaliando seu portfólio) e que desconhecem qualquer interesse da Ecopetrol sobre a possível formação de um novo bloco de controle.

Por fim, o seu CFO, Luiz Carvalho, trouxe algumas informações sobre o futuro da companhia, como a expectativa de investir US$ 550 milhões neste ano (+10% vs. 2025), sendo dois terços em sua estratégia de expansão e o terço restante em manutenção.

Nossa recomendação: compra.

2. CVC (CVCB3) +14,9%

Depois de quase atingirem o “fundo do poço” em 2025, com a expectativa de desaceleração no ritmo de abertura de lojas no Brasil e na Argentina no próximo ano, após a inauguração de cerca de 200 unidades, as ações da CVC entraram em uma trajetória de recuperação no último mês do ano.  

Nossa recomendação: neutra.

3. WEG (WEGE3) +13,6%

A fabricante de motores elétricos surpreendeu o mercado ao anunciar que seu conselho de administração aprovou o pagamento de um dividendo complementar no valor de R$ 1,4 bilhão, além de um plano de remuneração aos acionistas baseado no saldo de reservas de lucro, no montante de R$ 5,2 bilhões, a ser distribuído ao longo de três anos. 

Nossa recomendação: neutra.

4. Vale (VALE3) +12,3%

O natal também chegou mais cedo para os acionistas da Vale, que anunciou a aprovação da distribuição de um montante total de R$ 15,3 bilhões em proventos, o que representa um valor líquido de R$ 3,34 por ação e um dividend yield de 5,4%.

A data-com foi no dia 11 de dezembro de 2025. O pagamento será dividido em (i) R$ 1,24 em dividendos, a serem pagos no dia 7 de janeiro de 2026, e (ii) R$ 0,77 em dividendos e R$ 1,57 em JCPs (R$ 1,33 líquido), a serem pagos no dia 4 de março de 2026.

Nossa recomendação: compra.

5. Klabin (KLBN11) +12,0%  

Por fim, após atingirem as mínimas do ano, os papéis da Klabin passaram a operar em ritmo de recuperação, impulsionados por recomendações de compra de algumas casas de análise, diante do potencial de aumento da geração de caixa. Além disso, a companhia anunciou a distribuição de dividendos no montante total de R$ 1,1 bilhão, o que corresponde a R$ 0,91 por Unit e um dividend yield de 4,8%. 

Nossa recomendação: neutra.

As 5 ações que mais caíram em dezembro

Veja a lista das cinco maiores quedas do mês.

EmpresaTickerVar. (%)
C&ACEAB3-25,2
AssaíASAI3-23,0
MRVMRVE3-16,2
DirecionalDIRR3-15,8
CosanCSAN3-13,6

Maiores baixas do Ibovespa em dezembro. Fonte: Bloomberg

1. C&A (CEAB3) -25,2%

No topo da lista das maiores quedas do mês estão as ações da C&A. 

O movimento negativo ocorreu, em grande parte, após a família Brenninkmeijer (até então controladora) vender 66 milhões de ações, em um bloco de aproximadamente R$ 1 bilhão, o que representou 21% do capital da companhia. Após a operação, a família abriu mão do controle e passou a deter uma participação de 31% na varejista.

Os Brenninkmeijer não pretendem se desfazer de toda a sua posição na C&A. A justificativa para a venda foi o aumento do free float e da liquidez do papel, com o objetivo de colocar a ação no radar de investidores estrangeiros e, assim, reduzir o gap de múltiplos em relação à Renner.

Nossa recomendação: neutra.

2. Assaí (ASAI3) -23,0%

O cenário macroeconômico desafiador continua sendo um obstáculo para a dinâmica de vendas nas mesmas lojas (SSS) da atacadista. Além disso, os juros futuros voltaram a subir no mês, impactando negativamente empresas mais dependentes do desempenho da economia doméstica.

Nossa recomendação: neutra.

3. MRV (MRVE3) -16,2%, 4. Direcional (DIRR3) -15,8% e 5. Cosan (CSAN3) -13,6%

Fechando a lista das maiores quedas do mês, temos três empresas que são naturalmente mais dependentes das taxas de juros e, consequentemente, foram impactadas pelas recentes altas dos juros futuros. As vendas de incorporadoras, como MRV e Direcional, tendem a ser prejudicadas em um cenário de juros elevados, enquanto a Cosan enfrenta um nível elevado de endividamento.

Nossa recomendação: compra, neutra e compra, respectivamente.

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