Ibovespa em abril: siderúrgicas avançam com bons resultados
IBOV fecha abril praticamente no “zero a zero”, com leve queda de -0,08%. No mês, Usiminas lidera as altas, enquanto MBRF, as baixas
O Ibovespa encerrou o mês de abril praticamente estável, após devolver todo o ganho acumulado até a metade do período. A forte volatilidade tem sido impulsionada, em grande parte, pelas notícias relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, que impactam o preço do barril de petróleo e elevam o risco inflacionário global.
Desempenho dos principais índices em abril
Mesmo com os juros futuros em queda, o Ibovespa encerrou o mês praticamente estável (-0,08%), enquanto o IDIV recuou -1,18% e o SMLL, -3,16%.

Das 83 ações que compõem o IBOV, 32 registraram alta no período, enquanto as outras 51 fecharam em baixa.
O principal destaque positivo do mês foi a Usiminas (USIM5), com alta de +23%, enquanto a maior queda foi para as ações da MBRF (MBRF3), que caíram -19,5%.
As 5 ações que mais subiram em abril
Veja a lista das cinco maiores altas do mês.
| Empresa | Ticker | Var. (%) |
| Usiminas | USIM5 | +23,0 |
| Hapvida | HAPV3 | +22,7 |
| Gerdau | GGBR4 | +19,0 |
| Auren Energia | AURE3 | +13,3 |
| Metalúrgica Gerdau | GOAU4 | +16,3 |
Maiores altas do Ibovespa em abril. Fonte: Bloomberg
1. Usiminas (USIM5) — +23%
A Usiminas liderou as altas do Ibovespa em abril com uma valorização de +23%. O principal motor foi o balanço do primeiro trimestre de 2026, que superou as expectativas do mercado: a empresa registrou lucro líquido próximo de R$ 900 milhões, um salto de +166% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além dos resultados robustos, a aprovação de medidas antidumping contra laminados de aço chineses pelo governo brasileiro animou ainda mais os investidores, reduzindo a pressão da concorrência importada.
Nossa recomendação: neutra.

2. Hapvida (HAPV3) — +22,7%
A Hapvida registrou a segunda maior alta do mês. O movimento veio, em parte, por uma correção técnica: as ações haviam caído de R$ 16,49 no início do ano para a faixa de R$ 8 em março, tornando os papéis atrativos para investidores que procuravam oportunidade de entrada. A empresa atravessa um processo de reestruturação interna focado em recuperação de rentabilidade e redução de dívidas, incluindo a possível venda de unidades nas regiões Sul e Sudeste. Apesar da recuperação, as ações ainda acumulavam queda de mais de -15% no ano.
Nossa recomendação: evitar.
3. Gerdau (GGBR4) — +19%
A Gerdau avançou +19% em abril, impulsionada pela divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2026. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1 bilhão, alta de +33,4% na comparação anual, e Ebitda ajustado de R$ 2,96 bilhões, crescimento de +23,2%. As operações na América do Norte, que respondem por parcela relevante do lucro da empresa, se beneficiaram das sobretaxas de 50% sobre aço importado nos EUA, que elevaram os preços do metal no mercado americano e ampliaram as margens da Gerdau na região.
Nossa recomendação: neutra.
4. Auren Energia (AURE3) — +16,3%
A Auren liderou as altas entre as empresas do setor elétrico em abril. A alta ocorreu mesmo com perspectivas cautelosas sobre o resultado trimestral, devido a condições hidrológicas menos favoráveis. O mercado parece ter enxergado uma defasagem nos papéis, que ficaram para trás enquanto boa parte da Bolsa subia no primeiro trimestre. A busca por ativos com fluxo de caixa mais previsível e perfil defensivo também favoreceu o setor elétrico como um todo no período.
Nossa recomendação: neutra.
5. Metalúrgica Gerdau (GOAU4) — +16,3%
A holding da Gerdau acompanhou de perto a alta da controlada, avançando +16,3% no mês. Os mesmos fatores que impulsionaram a GGBR4, os bons resultados do primeiro trimestre, a melhora nas margens nos EUA e as medidas antidumping no Brasil, se refletiram nos papéis da metalúrgica. O mercado avaliou o conjunto como uma virada em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a empresa havia apresentado números mais fracos.
Nossa recomendação: neutra.
As 5 ações que mais caíram em abril
Veja a lista das cinco maiores quedas do mês.
| Empresa | Ticker | Var. (%) |
| MBRF | MBRF3 | -19,5 |
| Yduqs | YDUQ3 | -18,6 |
| Azzas 2154 | AZZA3 | -15,9 |
| Cyrela | CYRE4 | -15,6 |
| Suzano | SUZB3 | -15,5 |
Maiores baixas do Ibovespa em abril de 2026. Fonte: Bloomberg
1. MBRF (MBRF3) — -19,5%
A MBRF liderou as quedas do Ibovespa em abril, com recuo de -19,5%. O mês foi turbulento para a companhia, marcado por notícias sobre uma possível oferta futura de ações da divisão Sadia Halal e pela venda de cerca de 70 milhões de ações da empresa pela Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (SALIC), o fundo soberano da Arábia Saudita. Esse desinvestimento por parte de um sócio relevante gerou apreensão no mercado e pressionou a cotação ao longo do período.
Nossa recomendação: neutra.
2. Yduqs (YDUQ3) — -18,6%
As ações da Yduqs recuaram de forma relevante em abril, em um movimento que atingiu o setor de educação de forma ampla. A combinação de juros altos, que eleva o custo financeiro das empresas endividadas, e de maior dificuldade para captar alunos pressionou os papéis do setor. O JPMorgan chegou a apontar que a Yduqs poderia apresentar desempenho operacional inferior ao da concorrente Cogna no primeiro trimestre de 2026, especialmente pela captação menos eficiente nos cursos presenciais, aumentando a aversão dos investidores ao papel.
Nossa recomendação: neutra.
3. Azzas 2154 (AZZA3) — -15,9%
O Azzas 2154, conglomerado de moda e calçados formado pela fusão entre Arezzo e Grupo Soma, também figurou entre as maiores quedas do Ibovespa em abril. O principal gatilho foi o anúncio da saída de Ruy Kameyama, presidente da unidade Fashion & Lifestyle, que derrubou os papéis quase -11% em um único pregão. A sequência de trocas no alto escalão intensificou as dúvidas sobre governança e a capacidade de integração da companhia.
Nossa recomendação: compra.
4. Cyrela (CYRE4) — -15,6%
O setor imobiliário foi duramente pressionado pelo ambiente de juros elevados, que encarece o crédito habitacional e reduz a demanda por imóveis, além do aumento dos custos de construção e dos ruídos regulatórios. Adicionalmente, cresceram as preocupações com a inadimplência e com o risco de crédito entre as incorporadoras voltadas aos segmentos de média e alta renda.
Nossa recomendação: neutra.
5. Suzano (SUZB3) — -15,5%
A Suzano encerrou abril com baixa de -15,5%, penalizada principalmente pela valorização do real frente ao dólar. Como grande exportadora de celulose, a empresa tem suas receitas dolarizadas, e a apreciação cambial corrói diretamente seus resultados. Ainda, o balanço do primeiro trimestre de 2026 veio abaixo das expectativas do mercado, com queda no Ebitda das unidades de papel e celulose, completando o quadro negativo para os papéis.
Nossa recomendação: neutra.

