Renner corta guidance de 2026 após impacto da Copa no 2T26
A Renner cresceu apenas 1% no 2T26 e revisou o guidance de receita de 2026 para 4% a 8%. Confira a análise do balanço e as perspectivas para LREN3
A Lojas Renner (LREN3) fechou o segundo trimestre de 2026 com receita líquida de varejo de R$ 3,69 bilhões, alta de apenas 1%, e lucro líquido de R$ 404,6 milhões, estável na comparação anual.
O impacto da Copa no fluxo das lojas, mais forte do que o histórico, levou a companhia a revisar para baixo o guidance de crescimento de 2026.
A seguir, os destaques do resultado, o novo guidance e o que isso significa para quem tem LREN3 em carteira.
Destaques da Lojas Renner (LREN3) no 2T26

Com uma base de comparação forte (no 2T25 da LREN3 a receita havia crescido +18,5% a.a.), um ambiente desafiador (juros altos, famílias endividadas, apostas esportivas comprometendo renda e competição com plataformas internacionais), mudanças nos impostos da categoria de beleza e, principalmente, um forte impacto negativo do fluxo nas lojas durante a Copa do Mundo de 2026 (bem mais intenso do que os padrões históricos), a receita da Renner cresceu apenas +1% no 2T26.
Contudo, vale destacar que a receita de vestuário cresceu +2,5% e, no digital, o avanço foi de +13%, com a participação do canal nas vendas alcançando 17% (+1,7 p.p.).
Por outro lado, os investimentos em TI e logística dos últimos anos estão dando resultados: o lucro bruto avançou +2%, enquanto a margem bruta atingiu o patamar recorde de 57,5% (+0,4 p.p.), beneficiada pela menor necessidade de remarcações (descontos), por uma gestão de estoques mais ágil/flexível e por um cenário cambial mais favorável.
As despesas totais cresceram +1,5%, em função do crescimento de +4% nos gastos com vendas (aceleração da abertura de lojas) e de +1% nas despesas administrativas, em linha com o aumento da receita.
O resultado dos serviços financeiros oferecidos aos clientes na Realize caiu -22% (ajustado pelo impacto positivo não recorrente da mudança do prazo de baixa de ativos vencidos no 2T25). Embora a inadimplência permaneça sob controle, a postura mais seletiva na concessão de crédito e a redução da carteira acabaram pressionando o resultado da financeira.
Dessa forma, o Ebitda total da Renner caiu -5%; contudo, excluindo os efeitos extraordinários citados acima, o Ebitda foi +0,2% maior (margem Ebitda de 23%, -0,2 p.p.).
Com um resultado financeiro melhor (maior posição de caixa média) e uma alíquota efetiva de impostos menor, o lucro cresceu +8% (estável quando os efeitos extraordinários não são desconsiderados).
A companhia investiu R$ 167 milhões no trimestre (+1%), distribuídos de maneira similar entre novas lojas, reformas e TI, encerrando o trimestre com uma posição de caixa líquido de R$ 1,2 bilhão (estável a.a.), mesmo tendo utilizado R$ 313 milhões em recompra de ações e R$ 384 milhões em JCP no semestre.

Perspectivas para Lojas Renner (LREN3)

Guidance de 2026 revisado para baixo
Em função do impacto maior do que o esperado durante os dias de Copa do Mundo e da nova realidade dos impostos para os produtos de beleza, a companhia também revisou para baixo seu guidance de crescimento de receita para 2026.
A companhia esperava entregar um crescimento próximo de 9% na receita líquida de vestuário este ano, mas o guidance atualizado é de crescer entre 4 e 8%.
O lado positivo é que a companhia projeta um crescimento bem mais forte no segundo semestre.
Como a receita cresceu +2,5% a.a. no primeiro semestre de 2026, a expectativa é de que ela cresça entre 9 e 17% a.a. no segundo semestre (que concentra a maior parte das vendas e aberturas de lojas).
Ciclo de 2027 a 2030 permanece inalterado
Vale ressaltar que o guidance de crescimento para os próximos anos do atual ciclo da empresa não foi alterado. A projeção continua sendo de entregar um aumento entre 9 e 13% a.a. entre 2027 e 2030.
Ebitda, ROIC de 20% e distribuição de lucros
Apesar da revisão para baixo nas projeções de curto prazo, a Renner mantém a expectativa de entregar um crescimento médio de 15% a.a. em seu Ebitda nos próximos anos e de alcançar um ROIC de 20% ao final de 2030, enquanto ainda distribui 50 a 80% do lucro anualmente até lá (dividend yield médio de dois dígitos).
Apesar do cenário macroeconômico desfavorável, tais resultados são alcançáveis com a combinação dos ganhos de margem decorrentes dos investimentos já realizados em tecnologia/logística nos últimos anos e a retomada da aceleração da expansão de lojas, o que deixa o crescimento menos dependente do cenário.
LREN3 vale a pena no preço atual?
Negociando a apenas 8x lucros e 4x Ebitda, com a perspectiva de dobrar seus resultados até 2030 e ainda remunerar seu acionista com um dividend yield próximo de 10% a.a., continuamos enxergando LREN3 como uma boa oportunidade de investimento.
Contudo, vale ressaltar que, no atual cenário de grandes incertezas, aversão ao risco na máxima, volatilidade alta e custo de oportunidade de investir na Bolsa ainda elevado, nem as ações de empresas que estão entregando fortes resultados estão performando bem.
Além disso, os papéis que pertencem a alguma “caixinha” que os investidores assumem que têm mais risco sem nem olhar o micro (varejistas, cíclicas, alavancadas, crescimento, small caps etc.) estão sofrendo ainda mais. Por isso, recomendamos uma alocação reduzida no papel.
A Renner é uma boa oportunidade, mas quanto investir em LREN3?
Essa é uma das decisões que o Nord 10X ajuda a responder. A carteira reúne as nossas principais recomendações e mostra não apenas quais ações comprar, mas também o peso recomendado para cada posição
Perguntas frequentes
Quanto a Renner paga de dividendos?
A política prevê distribuição de 50% a 80% do lucro anual entre 2026 e 2030, o que corresponde a um dividend yield próximo de 10% ao ano no preço atual.
O guidance de longo prazo foi alterado?
Não. A projeção segue sendo de crescimento de 9% a 13% ao ano entre 2027 e 2030, com ROIC de cerca de 20% até 2030 e distribuição de 50% a 80% do lucro.
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