Lavvi (LAVV3) tem queda de -20% no lucro no 1T26
Lavvi (LAVV3) registrou queda de -20% no lucro no 1T26, mas segue com fundamentos sólidos, alto ROE e perspectivas positivas para os próximos lançamentos
A Lavvi (LAVV3) registrou uma receita líquida de R$ 373 milhões no 1T26, alta de +11% na comparação anual, enquanto o Ebitda foi de R$ 83 milhões, -17% menor. Já o lucro líquido foi de R$ 70 milhões, baixa de -20% em relação ao 1T25.

Destaques operacionais e financeiros
A Lavvi teve um trimestre sem lançamentos reconhecidos, tendo em vista que o Jardim da Hípica, o maior lançamento de sua história, ficou para o 2T26. As vendas líquidas (100%) no 1T26 totalizaram R$ 336 milhões (-14%), sendo 62% da marca Lavvi e 38% da Novvo, com uma VSO (venda sobre oferta) de 11% no trimestre e 54% na visão anual. Já as vendas líquidas (%Lavvi) foram de R$ 250 milhões (-3%).
Já o estoque a valor de mercado caiu para R$ 2,5 bilhões no trimestre, com cerca de 1,4 mil unidades disponíveis à venda, sendo apenas 45 delas no estoque concluído (obras prontas). Enquanto isso, o landbank (banco de terrenos para futuros lançamentos) chegou a R$ 10,4 bilhões em VGV (valor geral de vendas) potencial.
Ainda que não tenha lançado novos empreendimentos no trimestre, a evolução do percentual de conclusão de obras em andamento (%PoC) contribuiu para uma receita líquida de R$ 373 milhões, alta de +11% na comparação anual. Já a margem bruta foi de 34,9%, redução de -4,4 p.p. em relação ao mesmo período do ano passado.
No trimestre, as despesas comerciais cresceram +36%, devido às maiores despesas com vendas, marketing e propaganda, enquanto as despesas gerais e administrativas subiram +34% no período. Assim, mesmo com um resultado de equivalência patrimonial (projetos em parceria com outras incorporadoras) subindo +19%, o Ebitda registrou baixa de -17%, ficando em R$ 83 milhões.
Mesmo com um aumento de +32% nas receitas financeiras, a alta de +66% nas despesas financeiras (ainda que menos representativas) levou a um resultado financeiro (ainda positivo) -31% menor. Além disso, houve aumento na linha de minoritários (participação da Cyrela no Heaven), contribuindo para uma queda de -20% no lucro líquido, que ficou em R$ 70 milhões, mas com ROE anualizado ainda em 28%.
Por fim, considerando um desembolso de R$ 74 milhões em terrenos e R$ 30 milhões em dividendos, houve queima de caixa de R$ 44 milhões no período (-5% menor que o registrado no 1T25).
Agora, com uma dívida bruta de R$ 1,37 bi e uma posição de caixa de R$ 902 milhões, a dívida líquida (dívida bruta - caixa) se encontra em R$ 468 milhões, representando cerca de 29% do patrimônio líquido.

Perspectivas futuras da Lavvi (LAVV3)
Mesmo sem registrar novos lançamentos, a Lavvi manteve números sólidos no 1T26, com sua receita sendo beneficiada pelo reconhecimento do backlog via %PoC, mas com pressão no Ebitda, em especial pelas maiores despesas comerciais em meio à preparação do maior lançamento de sua história, e, no caso da última linha da DRE, com uma queda no resultado financeiro positivo.
Sobre o Jardim da Hípica, a Lavvi se prepara para o lançamento da primeira fase de um dos maiores empreendimentos da cidade, cujo VGV potencial é de R$ 950 milhões (60% para a Lavvi), com apartamentos de ticket médio, para médio/alto padrão, competitivo na região (cerca de R$ 15 mil/m² vs. empreendimentos próximos que giram em torno de R$ 25-28 mil/m², como, por exemplo, o Parque Global).
Além do Hípica, a Lavvi deverá seguir lançando outros projetos tanto nos segmentos de alto padrão como no MCMV ao longo do ano. Inclusive, a empresa continuou reforçando seu landbank e conta com um banco suficiente para sustentar seus lançamentos até 2028 (cerca de 85% voltado para sua marca principal e 15% para a Novvo).
Como a Lavvi está enfrentando os desafios do setor?
Sobre o cenário atual no setor, com aumento nos custos de materiais (devido aos impactos da alta do petróleo com a guerra no Oriente Médio) e escassez de mão de obra, a incorporadora vem adotando medidas para mitigar tais impactos, como o repasse dos custos no preço dos apartamentos (historicamente sobem mais do que o INCC) e o incremento de cerca de seis meses no prazo médio dos projetos (se entregarem antes, vira uma surpresa positiva para os clientes).
Apesar de uma margem bruta menor no último trimestre, a Lavvi “limpou” seu estoque com unidades de empreendimentos de menores margens e já deverá voltar a entregar margens melhores daqui para frente. Inclusive, sua margem bruta REF (a apropriar) subiu para 38% (+2 p.p.), com uma receita de vendas a serem reconhecidas de R$ 2,7 bilhões (+15%).
Em relação à sua alavancagem, a incorporadora ainda possui alguns terrenos mapeados para serem adquiridos, mas, a depender da forma de pagamento (a empresa vem elevando os pagamento via permuta, ao passo que se torna mais conhecida/confiável), o indicador deverá subir até no máximo 35% do patrimônio líquido e, posteriormente, voltar a cair.
Vale a pena investir na Lavvi (LAVV3)?
Com tudo o que foi apresentado, mantemos uma visão construtiva para a Lavvi em 2026 e, principalmente, a longo prazo. Vemos na empresa uma capacidade acima da média de superar os desafios de curto prazo e continuar entregando um bom desempenho operacional e financeiro. Negociando a apenas 6x lucros, seguimos enxergando LAVV3 como uma ótima oportunidade neste momento!
Qual o dividend yield da Lavvi (LAVV3)?
Considerando as distribuições realizadas nos últimos 12 meses, o dividend yield atual da Lavvi encontra-se em 22,01%.

