Fed mantém juros na faixa de 3,50% a 3,75%; decisão não foi unânime
11 membros votam pela manutenção e 1 a favor de corte. O comitê, porém, não mostra pressa para cortes no curto prazo
O Federal Reserve, banco central dos EUA, manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, conforme esperado por nós e pelo restante do mercado.
A decisão não foi unânime. Dos 12 membros votantes, houve 1 voto a favor de corte de 0,25 p.p. Além disso, três membros que votaram pela manutenção não concordaram com o viés de flexibilização monetária contido no comunicado.
O que diz o comunicado do Federal Reserve
No comunicado, o comitê afirmou que “ao considerar a magnitude e o momento de ajustes adicionais nessa faixa-alvo, avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o balanço de riscos”.
Também ressaltou que a atividade econômica permanece resiliente, apesar da baixa criação de empregos, e que a inflação segue elevada, em parte pelos preços globais de energia.
Inflação e atividade: os principais pontos de atenção
Durante a entrevista coletiva, Jerome Powell, presidente do Fed, afirmou que a inflação será impactada no curto prazo pelos preços de energia, mas que a inflação de tarifas deve recuar nos próximos trimestres.
Ainda assim, não deu muitas pistas. Disse que, se for apropriado cortar ou elevar juros, o Fed irá sinalizar ao mercado.

O que Powell sinalizou na coletiva
Na prática, o Fed seguirá adotando uma postura dependente dos dados. Continuará monitorando o cenário, mas sem pressa para novos cortes de juros.
O que esperar da nova gestão do Fed
Essa foi a última decisão de Powell como presidente do Fed, mas ele continuará como diretor por algum tempo. Em junho, Kevin Warsh assume a presidência, e o mercado estará atento à linguagem que adotará em sua primeira entrevista coletiva.
Atualmente, o mercado precifica apenas 3% de probabilidade de corte de juros até o final do ano.
Nossa leitura
Em nossa leitura, não há motivos para pressa para novos cortes no curto prazo. Isso se deve à atividade resiliente, à inflação ainda acima da meta, apesar da desaceleração gradual, aos impactos do petróleo no curto prazo e ao fato de o juro já estar próximo do nível neutro, estimado em 3%.
Por que isso importa para você
Para quem investe — especialmente com exposição internacional —, compreender o compasso do Fed é essencial. Decisões de política monetária nos Estados Unidos têm efeitos diretos sobre os fluxos de capital, os ativos de risco e a valorização do dólar frente a outras moedas.
Mais do que prever o próximo movimento, é fundamental estruturar uma carteira que resista a diferentes cenários. E isso se faz com planejamento global, visão de longo prazo e uma gestão patrimonial que considere não apenas rentabilidade, mas também blindagem e eficiência tributária.
Onde acompanhar os juros americanos?
A taxa básica de juros dos EUA se dá em um intervalo, tendo o limite superior, limite inferior e, consequentemente, a taxa efetiva da taxa, que é calculada como uma mediana ponderada pelo volume das transações.
Como ver o histórico dessas respectivas taxas?
Limite superior aqui.
Limite inferior aqui.
Taxa efetiva aqui.
Como funciona o banco central dos Estados Unidos?
O Federal Reserve possui um mandato duplo, o que significa que o seu compromisso é alcançar a meta de inflação e, ao mesmo tempo, promover o pleno emprego. Ou seja, há um compromisso não só com a inflação, mas também com o nível da atividade econômica.
O Fed é dividido em três órgãos diferentes:
- O órgão do Conselho dos Governadores (os dirigentes) é composto por 7 membros que são nomeados pelo presidente da república, com o presidente do Fed sendo um desses membros. A tarefa é regular o sistema do Fed.
- Outro órgão é o Federal Reserve Banks, composto por 12 bancos regionais do Fed, com cada um atendendo uma região geográfica específica. A tarefa é supervisionar os bancos comerciais de cada região, prover serviços financeiros e levantar dados que podem contribuir para a decisão de política monetária (como dados para o livro bege).
- Já o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), com a tarefa de tomar as decisões de política monetária, é composto por 19 membros, sendo 7 governadores do Fed e os presidentes de cada um dos 12 bancos centrais regionais. Apenas 7 governadores e 5 presidentes (dos 12) participam das votações das decisões de política monetária (com o presidente do Banco Central de Nova Iorque tendo mandato fixo nas votações, ou seja, sempre vota).
Quando sai a decisão do Fed?
Em intervalos de aproximadamente 45 dias.

