Fed mantém juros em 3,50% a 3,75%, mas chances de altas até o fim do ano são reais

Em decisão unânime, Fed mantém juros e ressalta atividade e mercado de trabalho forte. Entenda o que mudou e como o mercado reagiu

Christopher Gomes Galvão 17/06/2026 16:32 5 min Atualizado em: 17/06/2026 17:35
Fed mantém juros em 3,50% a 3,75%, mas chances de altas até o fim do ano são reais

Na primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado.

No comunicado, o Fed destacou que a atividade econômica cresce em ritmo sólido, mesmo em meio às incertezas do conflito no Oriente Médio. Também afirmou que a criação de empregos tem acompanhado o crescimento da força de trabalho e que o desemprego pouco mudou, permanecendo baixo, em 4,3%.

Além disso, ressaltou que a inflação segue elevada, acima da meta de 2%.

Ou seja, o comunicado reconheceu a atividade econômica resiliente, sustentada pelo segmento de inteligência artificial, enquanto o mercado de trabalho segue aquecido, inclusive com os últimos dados mostrando reaceleração. 

Além disso, a inflação cheia vem acelerando pela pressão dos combustíveis, enquanto os núcleos seguem acima do nível compatível com a meta. O último CPI, dado mais recente, por exemplo, mostrou o núcleo acelerando de +2,75% para +2,85% no acumulado em 12 meses.

O que mudou nas projeções dos membros do Fed? 

Além disso, trimestralmente, o Fed divulga as projeções dos membros do comitê. A mediana mostrou mudanças importantes em relação ao trimestre anterior.

Entre os destaques, as projeções para a taxa de juros foram revisadas para cima:

Para 2026: de 3,4% para 3,8%
Para 2027: de 3,1% para 3,6%
Para 2028: de 3,1% para 3,4%

Ou seja, os membros do Fed estão projetando uma alta de juros até o fim do ano. 

De acordo com o gráfico de pontos, 9 membros projetam alta de juros, pontos amarelos no gráfico abaixo. No trimestre anterior, nenhum membro projetava alta, pontos cinzas.

Fonte: Bloomberg. Dot Plot

Essas projeções de alta encontram justificativa nas projeções de inflação. Para o núcleo do PCE:

Para 2026: de 2,7% para 3,3%
Para 2027: de 2,2% para 2,5%
Para 2028: de 2,0% para 2,1%

Ou seja, o Fed reconhece os maiores desafios para a inflação, não só no índice cheio, mas também nos núcleos.

As projeções também reconhecem que o mercado de trabalho seguirá aquecido, com desemprego projetado em 4,3% em 2026 e 2027, e 4,2% em 2028.

Fonte: Federal Reserve

O que Kevin Warsh disse na coletiva? 

Durante sua primeira entrevista coletiva, Kevin Warsh destacou que retirou o forward guidance, ou orientação futura, do comunicado.

O objetivo foi não se comprometer com os próximos passos. Ele destacou, inclusive, que o gráfico de pontos não é necessariamente uma projeção de como deve ser conduzida a política monetária.

De forma geral, Warsh tentou não dar sinais sobre as próximas decisões de juros, mas reforçou seu compromisso de voltar a alcançar a meta de 2,0%, após o insucesso dos últimos anos.

Como o mercado reagiu? 

O mercado leu a entrevista coletiva e, principalmente, as projeções dos membros do Fed como hawkish, ou seja, mais duras no controle da inflação. Assim, vimos os juros curtos de 2 anos subirem 10 pontos-base, com o mercado projetando juros mais altos no curto prazo.

Neste momento, o mercado passa a precificar 80% de chance de alta de juros até o fim do ano, com a discussão deixando de ser “se” o Fed subirá juros, mas “quanto”. As probabilidades estão em 41% para uma alta de juros e em mais de 30% para duas ou mais altas.

Fonte: CME Group

As chances de alta de juros deixam de ser apenas uma possibilidade e passam a ser cada vez mais reais.

Por que isso importa para você

Para quem investe — especialmente com exposição internacional —, compreender o compasso do Fed é essencial. Decisões de política monetária nos Estados Unidos têm efeitos diretos sobre os fluxos de capital, os ativos de risco e a valorização do dólar frente a outras moedas.

Mais do que prever o próximo movimento, é fundamental estruturar uma carteira que resista a diferentes cenários. E isso se faz com planejamento global, visão de longo prazo e uma gestão patrimonial que considere não apenas rentabilidade, mas também blindagem e eficiência tributária.

Onde acompanhar os juros americanos?

A taxa básica de juros dos EUA se dá em um intervalo, tendo o limite superior, limite inferior e, consequentemente, a taxa efetiva da taxa, que é calculada como uma mediana ponderada pelo volume das transações.

Como ver o histórico dessas respectivas taxas?

Limite superior aqui.

Limite inferior aqui.

Taxa efetiva aqui.

Como funciona o banco central dos Estados Unidos?

O Federal Reserve possui um mandato duplo, o que significa que o seu compromisso é alcançar a meta de inflação e, ao mesmo tempo, promover o pleno emprego. Ou seja, há um compromisso não só com a inflação, mas também com o nível da atividade econômica.

O Fed é dividido em três órgãos diferentes:

  • O órgão do Conselho dos Governadores (os dirigentes) é composto por 7 membros que são nomeados pelo presidente da república, com o presidente do Fed sendo um desses membros. A tarefa é regular o sistema do Fed.
  • Outro órgão é o Federal Reserve Banks, composto por 12 bancos regionais do Fed, com cada um atendendo uma região geográfica específica. A tarefa é supervisionar os bancos comerciais de cada região, prover serviços financeiros e levantar dados que podem contribuir para a decisão de política monetária (como dados para o livro bege).
  • Já o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), com a tarefa de tomar as decisões de política monetária, é composto por 19 membros, sendo 7 governadores do Fed e os presidentes de cada um dos 12 bancos centrais regionais. Apenas 7 governadores e 5 presidentes (dos 12) participam das votações das decisões de política monetária (com o presidente do Banco Central de Nova Iorque tendo mandato fixo nas votações, ou seja, sempre vota).

Quando sai a decisão do Fed?

Em intervalos de aproximadamente 45 dias.

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