Fed interrompe ciclo de cortes e mantém na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano
Decisão foi anunciada nesta quarta-feira, 28, e veio em linha com as expectativas do mercado. Veja nossa análise
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A decisão, embora amplamente esperada pelo mercado, não foi unânime: dois dos doze membros votantes defenderam um corte de 0,25 ponto percentual.
Em sua coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou o que já vinha sinalizando: a instituição seguirá decidindo reunião a reunião, sem compromissos prévios, com base na evolução dos dados econômicos. Reconheceu que os riscos ligados à inflação e ao emprego diminuíram, mas alertou que a inflação ainda está acima da meta — o que exige vigilância.
O que esperar daqui para frente
Tudo indica que o Fed seguirá em compasso de espera ao longo dos próximos meses. Nossa leitura é de que a taxa deve permanecer inalterada até o fim do mandato de Powell, que termina em maio. Até lá, há duas decisões marcadas: 18 de março e 29 de abril — e nelas, devemos ver alguma dissidência, mas não necessariamente ação.
Essa expectativa se apoia em três pilares: a resiliência da atividade econômica norte-americana (em especial no mercado de trabalho), o nível atual dos juros já próximo do patamar neutro — estimado em torno de 3% — e a inflação que, embora mais comportada, ainda exige alívio adicional no setor de serviços.
Diante desse cenário, o Fed tende a manter uma postura conservadora. Powell, conhecido por sua cautela, provavelmente evitará movimentos que possam comprometer a credibilidade do banco central — especialmente num ano de transição política.

E após Powell? O risco de inflexão
A grande incógnita está no segundo semestre. Com a provável nomeação de um novo presidente do Fed por Donald Trump (caso sua reeleição se confirme), abre-se a possibilidade de um perfil mais “dovish” (isto é, mais propenso a cortes de juros) assumir o comando da política monetária.
Se isso se concretizar, podemos assistir à retomada do ciclo de cortes a partir de julho — não por uma mudança de fundamentos, mas por uma inflexão institucional. Essa transição será um dos principais pontos de atenção para investidores globais.
Por que isso importa para você
Para quem investe — especialmente com exposição internacional —, compreender o compasso do Fed é essencial. Decisões de política monetária nos Estados Unidos têm efeitos diretos sobre os fluxos de capital, os ativos de risco e a valorização do dólar frente a outras moedas.
Mais do que prever o próximo movimento, é fundamental estruturar uma carteira que resista a diferentes cenários. E isso se faz com planejamento global, visão de longo prazo e uma gestão patrimonial que considere não apenas rentabilidade, mas também blindagem e eficiência tributária.
Onde acompanhar os juros americanos?
A taxa básica de juros dos EUA se dá em um intervalo, tendo o limite superior, limite inferior e, consequentemente, a taxa efetiva da taxa, que é calculada como uma mediana ponderada pelo volume das transações.
Como ver o histórico dessas respectivas taxas?
Limite superior aqui.
Limite inferior aqui.
Taxa efetiva aqui.
Como funciona o banco central dos Estados Unidos?
O Federal Reserve possui um mandato duplo, o que significa que o seu compromisso é alcançar a meta de inflação e, ao mesmo tempo, promover o pleno emprego. Ou seja, há um compromisso não só com a inflação, mas também com o nível da atividade econômica.
O Fed é dividido em três órgãos diferentes:
- O órgão do Conselho dos Governadores (os dirigentes) é composto por 7 membros que são nomeados pelo presidente da república, com o presidente do Fed sendo um desses membros. A tarefa é regular o sistema do Fed.
- Outro órgão é o Federal Reserve Banks, composto por 12 bancos regionais do Fed, com cada um atendendo uma região geográfica específica. A tarefa é supervisionar os bancos comerciais de cada região, prover serviços financeiros e levantar dados que podem contribuir para a decisão de política monetária (como dados para o livro bege).
- Já o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), com a tarefa de tomar as decisões de política monetária, é composto por 19 membros, sendo 7 governadores do Fed e os presidentes de cada um dos 12 bancos centrais regionais. Apenas 7 governadores e 5 presidentes (dos 12) participam das votações das decisões de política monetária (com o presidente do Banco Central de Nova Iorque tendo mandato fixo nas votações, ou seja, sempre vota).
Quando sai a decisão do Fed?
Em intervalos de aproximadamente 45 dias.

