Johnson & Johnson: 3T26 mantém crescimento sólido e traz novo aumento de guidance

As vendas da JNJ cresceram 5,9% no 3T26, mas o lucro reportado caiu para US$ 210 milhões por conta dos encargos com o talco. Confira a análise do balanço

Henrique Vasconcellos 14/10/2026 19:10 7 min
Johnson & Johnson: 3T26 mantém crescimento sólido e traz novo aumento de guidance

A Johnson & Johnson (JNJ; JNJB34) divulgou resultados do 3T26 com crescimento sólido de vendas, avanço relevante em Innovative Medicine e nova revisão positiva do guidance para o ano.

O trimestre teve uma leitura um pouco mais complexa do lado do lucro. As vendas cresceram bem, mas o resultado reportado foi bastante afetado por itens especiais ligados à proposta de resolução dos litígios de talco, à aquisição da Firefly Bio e à colaboração estratégica com a Sail Biomedicines. Mesmo em base ajustada, o lucro caiu na comparação anual, refletindo principalmente maiores investimentos em pesquisa, desenvolvimento e aquisições.

As vendas chegaram a US$ 25,4 bilhões, crescimento de +5,9% na comparação anual. Em termos operacionais, o avanço foi de +6%, enquanto o crescimento operacional ajustado chegou a +6,1%. O lucro líquido reportado caiu para apenas US$ 210 milhões, contra US$ 5,2 bilhões no 3T25, principalmente por conta dos itens especiais. Já o lucro líquido ajustado ficou em US$ 6,3 bilhões, queda de -6,8%, enquanto o EPS ajustado foi de US$ 2,59, redução de -7,5%.

Resumo dos resultados de Johnson & Johnson no 3T26

Resultados da Johnson & Johnson no 3T26: vendas de US$ 25,4 bilhões, lucro GAAP de US$ 0,2 bilhão, EPS GAAP de US$ 0,09 e EPS ajustado de US$ 2,59
Resultados consolidados da Johnson & Johnson no 3T26, em US$ bilhões, comparados ao 3T25. Fonte: Johnson & Johnson

A Johnson & Johnson reportou vendas de US$ 25,4 bilhões, alta de +5,9% na comparação anual. Excluindo câmbio, o crescimento operacional foi de +6%. Em base ajustada operacional, que também elimina o impacto líquido de aquisições e desinvestimentos, o crescimento foi de +6,1%.

O resultado reportado foi bastante distorcido por despesas extraordinárias. O EPS GAAP foi de apenas US$ 0,09, contra US$ 2,12 no mesmo período do ano anterior, refletindo principalmente um grande encargo relacionado à proposta de resolução dos processos de talco, além de despesas com Firefly Bio e Sail Biomedicines.

Por isso, o resultado ajustado oferece uma visão melhor do trimestre. O lucro líquido ajustado ficou em US$ 6,3 bilhões, queda de -6,8%, enquanto o EPS ajustado foi de US$ 2,59, contra US$ 2,80 no 3T25. A leitura operacional, porém, continua positiva. A receita segue crescendo em bom ritmo para uma empresa do tamanho da JNJ, principalmente dentro de Innovative Medicine, e a companhia voltou a elevar suas projeções para o ano.

Innovative Medicine continua liderando o crescimento

Vendas de Innovative Medicine da JNJ no 3T26, de US$ 16,8 bilhões, divididas entre oncologia, imunologia, neurociência e outros, com os vetores de cada área
 Receita e principais vetores de crescimento de Innovative Medicine no 3T26, em US$ milhões. Fonte: Johnson & Johnson

Innovative Medicine foi novamente o principal destaque. As vendas do segmento chegaram a US$ 16,8 bilhões, crescimento de +7,7% na comparação anual e +7,9% em termos operacionais. Excluindo aquisições e desinvestimentos, o crescimento operacional ajustado ficou em +8%.

Oncologia continua sendo o principal motor. As receitas chegaram a US$ 7,6 bilhões, com crescimento operacional próximo de +17%, impulsionado por DARZALEX, CARVYKTI, TECVAYLI, TALVEY, RYBREVANT/LAZCLUZE e ERLEADA. Neurociência também apresentou forte crescimento, com vendas de US$ 2,4 bilhões, alta operacional próxima de +18%, sustentada principalmente por SPRAVATO e CAPLYTA.

Imunologia apresentou crescimento mais moderado. O principal ponto continua sendo STELARA, que sofreu novamente com biossimilares e retirou aproximadamente 690 pontos-base do crescimento de Innovative Medicine. Mesmo assim, TREMFYA continuou avançando bem, apoiado por ganhos de participação e expansão em doença inflamatória intestinal, enquanto novos produtos como IMAAVY começaram a contribuir.

A mensagem continua parecida com a dos últimos trimestres: STELARA segue sendo um freio importante, mas os medicamentos mais novos estão conseguindo compensar boa parte dessa pressão.

MedTech cresce menos

Vendas de MedTech da JNJ no 3T26, de US$ 8,6 bilhões, divididas entre cardiovascular, cirurgia, visão e ortopedia, com os vetores de cada área
Receita e principais vetores de crescimento de MedTech no 3T26, em US$ milhões. Fonte: Johnson & Johnson

MedTech teve um trimestre mais fraco. As vendas foram de US$ 8,6 bilhões, crescimento de +2,5% na comparação anual, tanto reportado quanto operacional.

Cardiovascular cresceu pouco mais de +4%, com contribuição de eletrofisiologia e Shockwave. A companhia destacou crescimento de procedimentos, boa execução comercial e novos produtos, embora a competição em pulsed field ablation e alguma fraqueza em Abiomed tenham limitado o avanço. Vision cresceu cerca de +5% operacionalmente, apoiado principalmente por lentes de contato ACUVUE e lançamentos recentes. Orthopaedics cresceu pouco mais de +3%, com contribuição de trauma, quadris, joelhos e soluções ligadas ao VELYS.

O ponto mais fraco foi Surgery, com queda operacional próxima de -1%. A divisão foi pressionada por mudanças regulatórias e de preço na China, pela reestruturação do negócio e por interrupções no Oriente Médio. MedTech segue sendo importante para diversificação, mas continua crescendo bem abaixo de Innovative Medicine.

Desempenho por geografia

Vendas da Johnson & Johnson por região no 3T26: US$ 15,0 bilhões nos Estados Unidos, alta de 9,1%, e US$ 10,4 bilhões no mercado internacional, alta de 1,5%
 Vendas por região no 3T26, em US$ bilhões, com variação reportada e operacional. Fonte: Johnson & Johnson

Os Estados Unidos continuam sendo o principal motor da companhia. As vendas no mercado americano atingiram US$ 15,0 bilhões, crescimento de +9,1% na comparação anual. Já as receitas internacionais chegaram a US$ 10,4 bilhões, alta de apenas +1,5% reportada e +1,8% operacional.

Essa diferença é relevante. O crescimento da JNJ está vindo principalmente dos Estados Unidos, onde vários dos novos medicamentos apresentam adoção mais rápida e preços mais favoráveis. Fora dos EUA, o crescimento segue mais fraco, pressionado por competição, dinâmica de preços e produtos maduros.

Margens e geração de caixa

A margem bruta consolidada ficou em 68,1%, abaixo dos 69,6% do 3T25. O custo dos produtos vendidos cresceu +10,9%, acima do crescimento de receita. As despesas de vendas, marketing e administrativas avançaram +6,1%, enquanto pesquisa e desenvolvimento cresceu +26,7%, para US$ 4,7 bilhões.

Innovative Medicine foi a divisão mais pressionada. A margem ajustada antes de impostos caiu de 44,3% para 35,4%, refletindo principalmente maiores despesas em P&D e os efeitos de Firefly Bio e Sail Biomedicines. Em MedTech, a dinâmica foi melhor, com a margem ajustada antes de impostos subindo de 21,0% para 22,9%.

No acumulado do ano, a companhia estima free cash flow de aproximadamente US$ 15,1 bilhões, acima dos US$ 14,2 bilhões do mesmo período de 2025. A JNJ encerrou o trimestre com aproximadamente US$ 17 bilhões em caixa e títulos negociáveis e dívida líquida próxima de US$ 28 bilhões.

Guidance da Johnson & Johnson

Guidance da Johnson & Johnson para 2026 revisado em outubro: vendas reportadas entre US$ 101,0 e US$ 101,4 bilhões e EPS ajustado reportado entre US$ 11,05 e US$ 11,15
 Guidance atualizado da Johnson & Johnson para 2026. Fonte: Johnson & Johnson

A principal mensagem positiva do trimestre foi mais uma elevação do guidance. A companhia agora espera vendas reportadas entre US$ 101 bilhões e US$ 101,4 bilhões, com ponto médio de US$ 101,2 bilhões. Isso representa crescimento de aproximadamente +7,4% na comparação anual.

Em termos operacionais, a JNJ agora espera vendas entre US$ 100,5 bilhões e US$ 100,9 bilhões, com crescimento de +6,9% no ponto médio. O crescimento ajustado operacional deve ficar entre +6,4% e +6,8%.

O guidance de lucro também subiu. EPS ajustado operacional passou para US$ 10,95 a US$ 11,05, com ponto médio de US$ 11, aumento de US$ 0,06 frente à projeção anterior. A empresa também melhorou a expectativa de margem operacional ajustada antes de impostos, agora projetando queda de aproximadamente 60 pontos-base no ano, contra redução de 75 pontos-base esperada anteriormente.

Vale a pena investir na Johnson & Johnson?

O 3T26 foi mais um trimestre operacionalmente positivo para a Johnson & Johnson. As vendas cresceram perto de +6%, Innovative Medicine manteve bom ritmo, novos medicamentos seguem avançando e a companhia elevou novamente o guidance de receita e lucro.

Por outro lado, o trimestre também mostrou uma queda relevante de rentabilidade ajustada, pressionada por maiores despesas em P&D e pelas transações recentes. MedTech também segue crescendo em ritmo bastante moderado.

A JNJ continua sendo uma empresa de altíssima qualidade, diversificada, defensiva e com forte capacidade de geração de caixa. O problema segue sendo a relação entre crescimento e valuation diante de outras oportunidades disponíveis no mercado global.

Por isso, seguimos com recomendação neutra para Johnson & Johnson e sem posição na companhia em nossas carteiras.

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