Lucro da ISA Energia (ISAE4) cai 40% no 4T25 — é hora de vender?
ISA Energia anuncia novo dividendo, mas dívida pesa no resultado. Saiba o que fazer com as ações neste momento
A ISA Energia (ISAE4) divulgou um resultado do 4T25 (e consolidado de 2025) mais fraco, mas que já era amplamente esperado e projetado pelo mercado (seguindo a mesma dinâmica recente).
Apesar do desempenho, as ações da companhia estão negociando em suas máximas históricas e a transmissora ainda divulgou uma nova distribuição de dividendos aos acionistas.
Será que, mesmo com o 4T25 apresentado, ainda há oportunidade em ISAE4?
Confira nossa análise completa abaixo.
Mais juros, menos lucro na ISA Energia
A ISA Energia registrou uma receita líquida de R$ 1,1 bilhão no 4T25, o que representa uma baixa de -3% na comparação anual, em função, principalmente, da queda de -10% na receita de RBSE (indenizações recebidas pela Aneel). A receita ex-RBSE, porém, teve alta de +2%.
Já os custos e despesas com PMSO (pessoal, materiais, serviços e outros) apresentaram queda de -5%, contribuindo para que o indicador de eficiência da transmissora (PMSO/receita ex-RBSE) tivesse uma melhora de 2,6 pontos percentuais, atingindo 33,3% no trimestre.
Dessa forma, mesmo com a queda na receita, a melhor eficiência operacional resultou em um crescimento de +7,5% no Ebitda da ISA Energia, que totalizou R$ 854 milhões.
Contudo, o período também foi marcado pela piora no resultado financeiro (negativo), que cresceu +34% (especialmente em função dos maiores juros da dívida), além de uma equivalência patrimonial (participação em outras empresas) mais fraca e uma menor contribuição na linha de IR.
Assim, a transmissora entregou um lucro líquido -40% menor, atingindo R$ 483 milhões.


2025: o maior investimento da história
Já no consolidado do último ano, a ISA Energia entregou baixas de -4,5% em sua receita líquida, -2% em seu Ebitda e -22% em seu lucro líquido, com um ROE de 20,5% (-0,4 p.p.).
Em 2025, a companhia registrou um novo recorde de investimentos, um total de mais de R$ 5,1 bilhões (+40%), sendo R$ 1,7 bilhão em iniciativas de reforços e melhorias na rede do estado de São Paulo e R$ 3,4 bilhões em novos projetos de leilões conquistados nos últimos anos.
Os investimentos, porém, vêm contribuindo para um aumento expressivo de sua dívida bruta, que atingiu R$ 16 bilhões no ano passado, um incremento de +21% em relação a 2024.
Além disso, sua posição de caixa também vem sendo reduzida, desta vez para R$ 2,1 bilhões (-36%). Com isso, sua dívida líquida (dívida bruta - caixa) subiu ainda mais (+38%), levando a uma alavancagem (dívida líquida/Ebitda) de 3,63x em 2025 (vs. 2,72x em 2024).
Com perspectivas de seguir investindo para compensar a “perda” do RBSE, em 2028, e elevando sua alavancagem até níveis próximos a 4x (e, por consequência, pagando mais juros de dívida), a tendência é que o lucro líquido da companhia siga pressionado daqui para frente.
Isa Energia anuncia distribuição milionária de dividendos
Além dos resultados, a ISA Energia ainda anunciou uma nova distribuição de dividendos.
A empresa aprovou o pagamento de um montante total de R$ 279 milhões, o que representa um dividendo de cerca de R$ 0,42 por ação e um dividend yield (rendimento) de 1,4%.
O pagamento será realizado no dia 29 de abril deste ano, mas terá três datas-com (limite para comprar a ação e receber o dividendo) diferentes, conforme indicado na tabela abaixo.
Ainda vale lembrar que, em 2026, entrou em vigor a nova tributação de dividendos no país. Dessa forma, os investidores que recebem proventos superiores a R$ 50 mil mensais de uma mesma empresa estarão sujeitos à retenção, na fonte, do imposto de renda à alíquota de 10%.

ISAE4 é compra nas máximas?
As ações da ISA Energia encerraram o último pregão com um preço próximo a R$ 30 — ou seja, em suas máximas históricas (assim como diversos papéis da Bolsa brasileira).
Desde que recomendamos ISAE4 (antiga TRPL4) na carteira do Nord Dividendos, bem no início dela, já acumulamos ganhos (valorização + dividendos) de mais de +200%.
Os ganhos (principalmente os recentes), porém, levaram os papéis a negociarem a patamares de múltiplos elevados. Analisando o Preço/Lucro projetado (um ano à frente), a transmissora negocia, hoje, a mais de 13x (cerca de +30% acima de sua própria média histórica).

Além disso, a valorização das ações também resultou em compressão de seu dividend yield, que o mercado passou a projetar abaixo de 6% (média histórica da Bolsa) para o final do ano.
Sendo assim, ainda que estejamos falando de uma empresa de alta qualidade e que atua em um dos segmentos mais previsíveis do país (pelos contratos de longo prazo corrigidos, todos os anos, por índices de inflação), não há grande atratividade em suas ações no momento.
Recomendação de "aguardar"
No próprio Nord Dividendos, já realizamos algumas vendas parciais recentes em nossa posição e temos recomendação de “aguardar” para os papéis da transmissora.
Até que exista uma realização das ações (ou uma melhora considerável na visibilidade de resultados/dividendos da empresa), recomendamos que não faça novos aportes em ISAE4.
A verdade é que o cenário de entrada para as ações de companhias de energia, de uma forma geral, não é dos melhores, já que muitas outras também estão bem precificadas.
Por ora, seguiremos direcionando nossos olhares (e aportes) em empresas de outros setores, que negociam a múltiplos mais baixos, possuem melhores visibilidades de resultados futuros e que, principalmente, apresentam um rendimento anual (= dividend yield) mais atrativo.
Sim, mesmo com o rali recente da Bolsa brasileira, ainda vemos diversas oportunidades na mesa.
Leia também: Lucro regulatório da Isa Energia (ISAE4) sobe +27% no 3T25

