IBC-Br hoje e acumulado

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, registrou queda de -0,67% em março, enquanto o mercado esperava recuo de 0,40%. O resultado de fevereiro foi revisado, com a alta de 0,60% sendo ajustada para 0,87%.

O que explica a queda do IBC-Br em março

Na abertura da variação mensal por setores, observamos recuo em todos eles. As principais quedas ocorreram em Serviços (-0,79%), seguido por Indústria (-0,23%), Agropecuária (-0,21%) e Impostos (-0,21%). O IBC-Br ex-Agropecuária, que busca isolar o efeito do setor, recuou ainda mais (-0,93%), reforçando o caráter difundido da fraqueza nos componentes urbanos da atividade.

O que mostra o acumulado em 12 meses

No acumulado de 12 meses, o índice apresenta alta de 1,8%. O resultado é sustentado principalmente por Serviços (+2,1%), que, pelo peso elevado no índice, foi o maior contribuinte do período, e por Agropecuária (+5,8%), que cresceu em ritmo mais acelerado. Indústria (+0,7%) e Impostos (+0,6%) ficaram praticamente estagnados.

No 1T26, o IBC-Br cresceu 1,3% em relação ao 4T25 e, na comparação anual, avançou 3,07% em março, acima da expectativa de 3,00%.

Direto ao ponto

O IBC-Br de março apresentou retração da atividade acima do projetado pelo mercado, com a queda concentrada principalmente em Serviços, componente mais sensível à demanda doméstica e ao ciclo de juros. O fato de o IBC-Br ex-Agropecuária ter recuado ainda mais que o índice cheio reforça que a fraqueza foi difundida entre os setores urbanos da economia.

No acumulado de 12 meses, o índice ainda apresenta crescimento de 1,8%, mas em ritmo mais moderado do que o observado em 2025. Os indicadores continuam apontando para uma desaceleração gradual da atividade, com tendência de maior acomodação ao longo do segundo semestre de 2026, à medida que o efeito da política monetária restritiva ganha tração sobre os componentes cíclicos.

Além disso, a Agropecuária, que cresceu 5,79% no acumulado de 12 meses e ajudou a sustentar a atividade nos trimestres anteriores, já mostra sinais claros de enfraquecimento, com recuos tanto no mês (-0,21%) quanto na comparação anual (-0,73%).

Dessa forma, mantemos nossa leitura central: a economia permanece resiliente, mas inserida em um processo de desaceleração gradual.

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