Mudanças do FGTS no Minha Casa, Minha Vida podem impactar MRV

Mudanças no FGTS e no MCMV ampliam crédito e podem impulsionar a MRV com mais vendas e lançamentos no setor. Saiba mais

Rafael Ragazi 30/03/2026 20:39 3 min
Mudanças do FGTS no Minha Casa, Minha Vida podem impactar MRV

As mudanças aprovadas no uso do FGTS dentro do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) devem gerar impactos relevantes no setor imobiliário, especialmente para empresas focadas na baixa renda, como a MRV. As alterações ampliam o acesso ao crédito habitacional e tendem a aquecer ainda mais o mercado.

FGTS amplia acesso ao crédito do MCMV

O Conselho Curador do FGTS aprovou mudanças no Minha Casa, Minha Vida que elevam a renda máxima das famílias elegíveis e aumentam o valor dos imóveis que podem ser financiados. A medida ainda precisa ser oficializada no Diário Oficial da União, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Com a aprovação, o limite de renda familiar mensal da faixa 1 passou de R$ 2.850 para R$ 3.200. Na faixa 2, o teto subiu de R$ 4.700 para R$ 5.000, enquanto na faixa 3 avançou de R$ 8.600 para R$ 9.600. Já na faixa 4, voltada à classe média, a renda máxima passou de R$ 12 mil para R$ 13 mil.

MCMV para classe média

O governo vinha concentrando esforços nas faixas mais baixas, mas agora também amplia o acesso à casa própria para a classe média.

Mesmo com a Selic elevada (em 14,75%), as taxas de financiamento dentro do MCMV variam entre 4% e 10% ao ano, enquanto fora do programa giram em torno de 12% ao ano. Essa diferença torna o programa ainda mais atrativo para os compradores.

O aumento do teto dos imóveis também traz um benefício adicional ao estimular lançamentos imobiliários, devido ao impacto econômico na cadeia produtiva e na geração de empregos da construção civil.

Além disso, programas estaduais e municipais ampliam subsídios, enquanto a evolução dos marcos regulatórios municipais, com outras capitais seguindo os passos de São Paulo, permite maior aproveitamento de terrenos, especialmente em regiões centrais.

Impacto das mudanças para a MRV (MRVE3)

Com maior acesso ao crédito subsidiado, empresas como a MRV tendem a se beneficiar diretamente. O público-alvo da companhia se encaixa nas faixas atendidas pelo programa, o que pode impulsionar vendas e lançamentos.

O Brasil ainda possui um déficit habitacional próximo de 6 milhões de moradias, o que sustenta um cenário estrutural positivo para o setor. Empresas que atuam na baixa renda têm conseguido, ao mesmo tempo, acelerar lançamentos, aumentar preços, elevar o VSO (velocidade de vendas) e reduzir o pro soluto (financiamento próprio dos clientes), o que chama atenção.

Riscos com custos de construção

Apesar do cenário favorável, há fatores de atenção. A alta do preço do petróleo pode pressionar os custos de materiais, enquanto mudanças no mercado de trabalho, como o possível fim da escala 6x1, podem elevar despesas com mão de obra e impactar a rentabilidade das construtoras.

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