Por que 2026 pode ser um ano forte para as farmacêuticas
Entenda por que 2026 pode ser decisivo para o setor farmacêutico com a quebra de patentes, entrada de genéricos e impactos no mercado
Se ninguém na sua roda de amigos está comentando sobre Ozempic, Mounjaro ou Wegovy, é porque alguém está escondendo a verdade.
Esses medicamentos deixaram de ser um segredo de consultório e viraram pauta de salão, conversa de grupo de WhatsApp e até motivo de turismo farmacêutico.
No México, por exemplo, ilhas que recebem cruzeiros de luxo passaram a atrair visitantes interessados não em tequila, mas em canetinhas para emagrecer, sem receita e com a garantia no gogó: "La garantía soy yo!"
No Brasil, as canetas emagrecedoras se tornaram uma febre. Em 2025, a demanda por Ozempic e Mounjaro ultrapassou, em volume, a importação de smartphones. Isso mesmo: mais gente comprou remédio para emagrecer do que celular novo.
E a tendência é de aceleração. Em 2026, está previsto o vencimento da patente da semaglutida, o princípio ativo do Ozempic. O que vem a seguir? Genéricos, competição, guerra de preços e uma revolução silenciosa que vai além da saúde.
Diante da quebra da exclusividade, grandes farmacêuticas estão se preparando para produzir versões similares. Entenda por que 2026 pode ser um ano forte para o setor farmacêutico e as oportunidades que esse movimento pode gerar.
Quebra de patente: o gatilho para a mudança
Com uma importante patente acabando, o mercado já prevê genéricos e similares, gerando uma redução de preços na faixa de 30% a 50%.

Esse movimento será muito interessante de acompanhar, dado que, até o início de 2025, o mercado brasileiro era caracterizado por um domínio quase absoluto da Novo Nordisk, que detinha um market share de 96,6% com seus produtos à base de semaglutida (Ozempic e Wegovy).
Em maio de 2025, esse cenário foi rapidamente alterado com o lançamento do Mounjaro (tirzepatida) pela Eli Lilly. Com uma eficácia maior (média de ~22% de perda de gordura), o mercado adotou a Eli Lilly muito rapidamente, o que fez seu share subir para 49,6% do mercado em apenas quatro meses.

Quem ganha com isso? As farmacêuticas locais
Grandes redes como RD Saúde (Raia e Drogasil), Pague Menos e Panvel já reportam que de 8% a 9% de suas receitas são provenientes desses medicamentos. Ao mesmo tempo, o avanço dessa categoria também acende alertas no setor de saúde, devido ao aumento de casos de falsificação, atuação do mercado paralelo e envolvimento do crime organizado.
A RD Saúde, em particular, concentra 35% das vendas nacionais de GLP-1, refletindo sua forte presença junto às classes A e B, principais consumidoras desses tratamentos de alto custo.
Com um mercado mais aberto, a EMS (líder em genéricos no Brasil) já está se movimentando para garantir produção local, posicionado-se para o timing do vencimento da patente.
Hypera, muito conhecida por suas marcas populares, também não ficou atrás. A companhia planeja uma parceria com fabricantes indianos, buscando reduzir custos com investimentos e produção própria, além da motivação para se posicionar rapidamente e se beneficiar com a sua capacidade de distribuição nacional.
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Impactos para o varejo farmacêutico
Atualmente, a margem bruta para as farmácias na venda de produtos GLP-1 de marca gira em torno de 12%. Com os genéricos, a expectativa é de alcançar elevados 40%.
O incentivo de uma margem muito acima já ajusta drasticamente o movimento das farmacêuticas para estimular a venda de suas versões genéricas.
Efeitos colaterais: além do setor de saúde
Como toda briga entre empresas, o consumidor, em certo momento de maturidade de consumo, irá avaliar: preço, eficácia na perda de peso, conveniência (adesivos, orais de longa duração) e até mesmo o quanto o corpo tolera ao aderir a tratamentos tão novos na medicina moderna.
Como investidores podem se posicionar
Alguns dados já nos contam histórias que vão muito além de uma “canetinha”: usuários de GLP-1 reduzem o consumo calórico em até 35%. Isso já se reflete nos orçamentos de compras de supermercado, que caíram entre 5,3% e 8,2% em apenas seis meses para esses consumidores.
Estudos sugerem que pode haver uma redução de até 75% no consumo de álcool entre os usuários desses medicamentos (Ambev que se cuide!).
Ao passo que teremos Hypera e as demais farmacêuticas com uma ótima oportunidade para se beneficiarem do cenário, sabemos que não será nada fácil, dado que estamos diante da era das IAs de medicamentos — é uma disputa por liderança que lembra o que ocorre entre plataformas como GPT, Gemini, Claude e Grok: há forte aceleração tecnológica, mas ainda não está claro quem sairá na frente.
Além disso, muitos outros setores serão impactados, e ainda estamos apenas no começo de uma grande transformação.
Dentro do mercado financeiro, já existem discussões sobre como o emagrecimento estrutural pode gerar um baixo consumo de combustível por parte das companhias aéreas.
O que nós faremos? O que sabemos fazer de melhor: observar, entender e, se possível, investir e aproveitar.


