XP Asset lança ETFs de renda fixa LFTX11 e LTBX11. Veja análise completa
Entenda o que são ETFs de renda fixa e veja as diferenças entre LFTX11 e LTBX11, tributação, riscos e para quem cada um faz sentido
Os ETFs de renda fixa ganham cada vez mais espaço no Brasil e entram em uma nova fase de expansão. A XP Asset anunciou o lançamento dos ETFs LFTX11 e LTBX11.
Esses ativos surgem como alternativa tanto para investidores pessoa física quanto institucionais que desejam alocar caixa de forma prática e eficiente.
O que são ETFs de renda fixa
Os ETFs de renda fixa são fundos negociados em bolsa que replicam índices compostos por títulos de dívida, como papéis do Tesouro Nacional. Na prática, o investidor compra cotas do fundo e passa a ter exposição a ativos de renda fixa sem precisar adquirir os títulos individualmente.
Alguns desses ETFs oferecem uma carteira diversificada, enquanto outros focam em um único ativo.
Essa estrutura oferece simplicidade operacional, transparência e, geralmente, taxas mais baixas do que fundos tradicionais.
O que é o LFTX11
A proposta do LFTX11 é simples: investir em títulos do Tesouro Selic (LFTs). O fundo replica um índice de renda fixa elaborado pela B3, que reúne os papéis mais líquidos, buscando maior eficiência na formação de preços.
No entanto, o investidor deve se atentar aos custos. Os ETFs de renda fixa são tributados em 25% para prazo médio da carteira igual ou inferior a 180 dias; 20% para prazo entre 181 e 720 dias; ou 15% para prazo superior a 720 dias.
De acordo com a legislação, o Tesouro Selic tem prazo médio de 1 dia útil. Assim, o imposto de renda cobrado pelo LFTX11 é de 25%, independentemente do tempo de aplicação.
Ou seja, mesmo se você investir nesse ETF por mais de dois anos, será tributado em 25% sobre os rendimentos ao realizar a venda.
Taxa de administração do LFTX11
A taxa de administração é de 0,14% ao ano. Como em todos os ETFs, há isenção de IOF e de come-cotas.
O que é o LTBX11
O LTBX11, por sua vez, busca reduzir essa alíquota de imposto de renda para 15%. Para isso, o fundo investe 92% em títulos do Tesouro Selic e 8% em títulos do Tesouro IPCA+ (NTN-B) de longo prazo, com vencimento a partir de 12 anos e meio.
Essa parcela em NTN-Bs longas faz com que o prazo médio da carteira fique levemente acima de dois anos, permitindo a tributação de 15%, independentemente do tempo de aplicação. Ou seja, mesmo que o investidor venda o ETF em curto prazo, a alíquota será de 15%.
No entanto, essa parcela de 8% da carteira carrega risco, pois está sujeita à volatilidade do mercado. Em cenários de alta dos juros reais, as NTN-Bs tendem a ser impactadas negativamente; em cenários de queda, tendem a se valorizar. Ou seja, esses 8% terão oscilações ao longo do tempo, enquanto os 92% restantes acompanham a Selic, com baixa volatilidade.
Dessa forma, o LTBX11 tem proposta semelhante à de LFTB11, AUPO11 e POSB11, que também combinam Tesouro Selic com uma pequena parcela em Tesouro IPCA+ para viabilizar a tributação de 15%.
Taxa de administração do LTBX11
A taxa de administração é de 0,14% ao ano. Como em todos os ETFs, há isenção de IOF e de come-cotas.
Contexto econômico em 2026
A perspectiva é de queda moderada da Selic ao longo de 2026. Com a taxa atualmente em 14,75%, o mercado precifica uma queda para cerca de 13,50% até o final do ano, embora haja projeções próximas de 12,50%.
Ainda assim, devemos permanecer com juros em dois dígitos por um período prolongado. Além disso, os juros reais de 10 anos estão em torno de 7,50%, um patamar historicamente elevado.
Em um ano eleitoral, caso haja avanço em uma agenda de maior sustentabilidade fiscal, esses juros podem cair, gerando marcação a mercado positiva para os títulos atrelados à inflação.
Vale a pena investir no LFTX11 e no LTBX11?
O LFTX11 pode ser utilizado como reserva de emergência por não ter risco de mercado, mas possui a desvantagem da tributação de 25%. Assim, recomendamos seu uso apenas para caixa de curtíssimo prazo (aquele recurso que será alocado em outro ativo em poucos dias).
Para horizontes mais longos, faz mais sentido investir diretamente no Tesouro Selic ou em fundos Selic Simples, que possuem tributação regressiva (de 22,5% até 180 dias até 15% acima de 720 dias).
Já o LTBX11 tem como vantagem a alíquota de 15%, mas carrega uma parcela de risco de mercado. Dessa forma, recomendamos seu uso como reserva de oportunidade — um instrumento para manter recursos enquanto se aguarda novas alocações.
Para reserva de emergência, porém, o LTBX11 não é indicado. A reserva deve estar livre de oscilações, sendo mais adequada a alocação direta em Tesouro Selic.

