Descubra agora 3 ETFs que pagam dividendos mensais
Os ETFs pagadores de dividendos são uma novidade na bolsa brasileira. Descubra se eles cabem em uma estratégia de renda passiva.
Os ETFs que pagam dividendos mensais vêm ganhando espaço entre investidores que buscam renda recorrente na Bolsa sem precisar montar uma carteira de ações por conta própria. A proposta é simples: investir em um único ativo negociado em Bolsa e receber proventos de forma periódica.
Essa categoria é relativamente nova no Brasil, mas tem despertado o interesse de quem quer diversificação automática e fluxo de caixa mais previsível. Ao mesmo tempo, surgem dúvidas importantes: todos os ETFs pagam dividendos? Os pagamentos são garantidos? Como funciona a tributação? E, principalmente, vale a pena incluí-los em uma estratégia de renda passiva?
Neste conteúdo, você vai entender como funcionam os ETFs que distribuem rendimentos, quais são as diferenças em relação aos modelos tradicionais e conhecer três alternativas disponíveis no mercado brasileiro.
Sumário
- O que são ETFs?
- Como é o mercado de ETFs no Brasil?
- 3 ETFs que pagam dividendos mensais
- Vale a pena investir em ETFs que pagam dividendos mensais?
- Como declarar ETFs que pagam dividendos no Imposto de Renda?
- Escolher as próprias ações ou investir em ETFs?
- Perguntas frequentes
O que são ETFs?
Os ETFs (Exchange-Traded Funds) são fundos de investimento negociados em Bolsa que buscam replicar o desempenho de um índice de referência.
Na prática, ao comprar uma única cota, o investidor passa a ter exposição a uma carteira diversificada de ativos — como ações, renda fixa, commodities ou criptoativos — sem precisar adquirir cada ativo individualmente.
Atualmente, a B3 conta com mais de 100 ETFs listados, que oferecem acesso tanto ao mercado brasileiro quanto a índices internacionais.
Entre os mais conhecidos estão:
- BOVA11, que acompanha o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira;
- IVVB11, que replica o S&P 500, índice que reúne 500 das maiores empresas dos Estados Unidos.
Ao investir no BOVA11, o investidor passa a acompanhar o desempenho das maiores companhias listadas na B3 que compõem o Ibovespa no período.
Vale observar que o Ibovespa possui concentração relevante em alguns setores, como financeiro e commodities, o que influencia seu comportamento ao longo do tempo.
Já o IVVB11 permite exposição ao mercado americano e também incorpora o efeito da variação cambial, já que o ETF é negociado em reais enquanto o S&P 500 é dolarizado. Assim, parte da diferença de desempenho entre o ETF e o índice pode estar relacionada ao câmbio, e não apenas à performance das empresas.
ETFs pagam dividendos?
Essa é a principal dúvida de quem busca ETFs que pagam dividendos mensais.
A maioria dos ETFs brasileiros não distribui proventos aos cotistas. Nesse modelo tradicional, os dividendos recebidos das empresas que compõem a carteira são reinvestidos automaticamente no próprio fundo, o que contribui para a valorização da cota ao longo do tempo.
Esse é o caso de ETFs amplamente conhecidos, como BOVA11 e IVVB11.
No entanto, uma nova categoria surgiu no Brasil a partir de setembro de 2023: os ETFs que pagam dividendos mensais.
Esses fundos adotam política de distribuição periódica de rendimentos. Em vez de reinvestir os proventos, eles transferem os valores aos cotistas, criando uma fonte de renda recorrente.
É importante destacar que:
- a periodicidade depende do regulamento do fundo (embora muitos adotem pagamentos mensais);
- os rendimentos distribuídos são tributados na fonte em 15%;
- na venda com lucro, o investidor também paga 15% de imposto sobre o ganho de capital, sem a isenção de R$ 20 mil válida para ações.
Como é o mercado de ETFs no Brasil?
O mercado de ETFs no Brasil entrou em uma nova fase de maturidade em 2025. Segundo o Relatório Anual de ETFs divulgado pela B3 no ETF Day Brasília, o país atingiu a marca de 800 mil investidores nesse segmento, consolidando os fundos de índice como uma das principais portas de entrada para o mercado de capitais.
Desde o lançamento do primeiro ETF brasileiro, em 2004, o setor evoluiu de uma estrutura simples de replicação do Ibovespa para um ecossistema mais amplo e sofisticado. Hoje, há quase 500 produtos disponíveis, considerando ETFs listados na B3 e no exterior, com exposição que vai de ações locais e internacionais a crédito privado, commodities, estratégias híbridas e até criptoativos.
O ano de 2025 foi marcado por avanços relevantes. Entre eles, o lançamento do primeiro ETF híbrido (combinando renda fixa e variável), a estreia do modelo de cogestão em ETFs, a criação do ETF Connect — conectando a B3 às bolsas de Xangai e Shenzhen — e o primeiro ETF brasileiro baseado em contratos futuros de Bitcoin, o NBIT11.
Esse movimento indica que o Brasil deixou de apenas acompanhar tendências internacionais e passou a participar ativamente da inovação na indústria de ETFs. Ao mesmo tempo, a diversificação de produtos amplia as possibilidades para diferentes perfis de investidores — inclusive aqueles que buscam estratégias voltadas à geração de renda.
3 ETFs que pagam dividendos mensais
Embora ainda sejam recentes no Brasil, já existem alternativas que distribuem rendimentos de forma periódica aos cotistas.
A seguir, você confere três ETFs disponíveis na B3, com estratégias diferentes e propostas distintas de geração de renda.
1. NDIV11
O primeiro da lista é o NDIV11, do Nubank, lançado em parceria com a B3, em setembro de 2023.
O NDIV11 busca replicar o mesmo desempenho do índice Ibov Smart Dividendos, que seleciona empresas brasileiras de histórico consistente de pagamento de dividendos nos últimos seis anos e que também fazem parte do Ibovespa.
Na carteira, estão nomes como Banco do Brasil, Copasa, Vale, Itaúsa, entre outros.
Assim como o BOVA11, o NDIV11 também acompanha de perto seu índice de referência, com ganhos de +66% nos últimos três anos (vs. +65,49% do Ibov Smart Dividendos).

Contudo, vale ressaltar que os dividendos das ações não são regulares como os dos FIIs, que pagam seus proventos de forma mensal.
Até existem empresas que pagam dividendos mensalmente, mas não é uma regra, a periodicidade varia de empresa para empresa e o que importa, no final das contas, é o rendimento anual de cada uma.

Quais os dividendos do NDIV11?
Pelos dividendos das empresas investidas não serem homogêneos, os pagamentos do NDIV11 também não são tão previsíveis (o dividend yield mensal vai de 0,1% a 2%).
Nos últimos 12 meses, seu dividend yield é de 9,9% — acima da média histórica das boas pagadoras da Bolsa brasileira (6%), mas vale destacar que o número está “inflado” pelos dividendos extraordinários antecipados em 2025 devido à nova tributação no país.
Por fim, para gerir o patrimônio de seus cotistas (ainda que de forma passiva), o Nubank cobra uma taxa de administração de 0,5% ao ano pela gestão do NDIV11.
2. DIVD11
Na mesma linha do ETF anterior, o Itaú lançou, em junho de 2024, o DIVD11.
A única diferença está no índice de referência, que, neste caso, é o IDIV — principal índice de empresas pagadoras de dividendos da bolsa brasileira.
Assim como o Ibov Smart Dividendos, o IDIV também possui uma elevada concentração nos setores elétrico, financeiro, de commodities, entre outros que são tradicionalmente conhecidos como bons distribuidores de proventos.
Desde a sua criação, em junho de 2024, o ETF acumula alta de +50,25% (vs. +49,84 do IDIV).

Quais os dividendos do DIVD11?
Assim como o primeiro ETF da lista, o DIVD11 também possui uma volatilidade entre os dividend yields mensais. No acumulado dos últimos 12 meses, também influenciado pelos dividendos extraordinários do último ano, seu dividend yield se encontra em 9,07%.
O DIVD11 também possui uma taxa de administração de 0,5% ao ano.
3. SPYI11
Fechando a lista, temos o SPYI11, da Buena Vista Capital.
Diferentemente dos dois anteriores, este ETF não está atrelado a nenhum índice brasileiro, mas, sim, ao S&P 500. Assim, além de investir nas 500 maiores empresas do mundo, também é possível receber proventos com o SPYI11.

Entretanto, é importante destacar que as empresas americanas não são conhecidas por serem grandes pagadoras de dividendos, principalmente pela tributação nos EUA (30% de retenção na fonte).
Com isso, a renda do SPYI11 provém, principalmente, de uma estratégia de opções (contratos derivativos que fornecem o direito de comprar ou vender um ativo por um preço predeterminado), produzindo o que são chamados de “dividendos sintéticos”.
De maneira bem simplificada, a operação consiste na compra de um determinado ativo (no caso, o índice americano) e a venda de um contrato de compra, que oferece o direito de alguém comprar esse ativo por um preço pré-acordado e remunera o vendedor da opção com um prêmio.
Por exemplo: um investidor compra a ação XPTO3 por R$ 100 e resolve vender uma opção de compra, que o obriga a vender essa ação por R$ 110, mesmo se o preço deste ativo estiver acima do valor predeterminado até a data do vencimento do contrato.
Para cada opção, vamos supor que esse investidor receberá um prêmio de R$ 1 (pago pelo comprador). Logo, se o comprador exercer seu direito de compra, o investidor será obrigado a vender a ação XPTO3 por R$ 110, mesmo que o preço de tela naquele momento esteja R$ 112.
Ou seja, ainda que o investidor tenha “travado” seu ganho (no caso, em +10%), ele recebeu um prêmio por isso e ainda acompanhou grande parte do retorno apresentado pelo ativo no período.
Assim, o maior risco para o investidor que adota essa estratégia é não participar de todo um possível movimento de alta de um ativo, caso o mesmo suba de forma expressiva.
Se, até o vencimento, o valor de venda “congelado” estiver maior que o preço de tela, a opção se tornará pó e o investidor seguirá com o ativo em carteira e ainda contará com os recursos do prêmio em seu caixa.
Resumindo: quem compra a opção de compra (e paga o prêmio por isso) quer garantir que adquirirá um ativo por um preço potencialmente menor do que seu valor de mercado em um período específico.
Já quem vende a opção de compra, já possui esse ativo e deseja ser remunerado por congelar o preço do mesmo, ainda que isso implique em uma venda por um valor abaixo do mercado.
Quais os dividendos do SPYI11?
Voltando para o SPYI11, mesmo que a estratégia limite seus ganhos em fortes ralis de alta do S&P 500, as opções geram renda extra e ainda reduzem a volatilidade e protegem contra quedas (quando o índice opera em queda, o ETF cai em menor proporção).
É exatamente a estratégia que o ETF vem adotando e que vem garantindo o pagamento, de forma constante, de 1% ao mês (bruto) de dividendos para seus cotistas.

Além dos proventos, o ativo também vem apresentando uma excelente performance desde sua criação, se assemelhando ao S&P 500 e superando muitos índices brasileiros no período.

O SPYI11 possui uma taxa de administração de 0,83% ao ano, um pouco acima dos dois primeiros ETFs, mas que é justificada pela estrutura composta pela gestora para oferecer uma remuneração mais elevada e previsível.
SPYI11 ou SPYI11T: qual a diferença?
Alguns investidores podem encontrar duas versões do ativo: SPYI11 e SPYI11T.
O sufixo “T” indica negociação no mercado a termo, que é uma modalidade derivativa em que a compra ou venda do ativo é ajustada para liquidação futura.
Para a maioria dos investidores pessoa física interessados em ETFs que pagam dividendos mensais, a negociação ocorre no mercado à vista, por meio do ticker SPYI11.
Vale a pena investir em ETFs que pagam dividendos mensais?
Esses ETFs podem ser uma alternativa interessante para quem busca renda recorrente com diversificação automática e menor necessidade de acompanhamento individual de ativos.
No entanto, eles não substituem completamente ações ou fundos imobiliários. Cada estrutura possui características próprias de risco, tributação e potencial de retorno.
Em geral, esses produtos tendem a fazer mais sentido como complemento de carteira — especialmente para investidores que desejam simplificar a estratégia de geração de renda sem abrir mão de exposição à Bolsa.
A decisão final deve considerar seu perfil, objetivos e horizonte de investimento.
Como declarar ETFs que pagam dividendos no Imposto de Renda?
A declaração de ETFs segue regras próprias e exige atenção em dois pontos: posição em carteira e rendimentos recebidos.
1. Posição em carteira
Os ETFs devem ser informados na ficha “Bens e Direitos”, no:
- Grupo 07 – Fundos
- Código 06: para ETFs de renda variável (ações, cripto etc.)
- Código 08: para ETFs de renda fixa
Na discriminação, informe:
- Nome do ETF (ex: NDIV11, DIVD11 ou SPYI11)
- Ticker
- CNPJ do fundo
- Quantidade de cotas
- Nome da corretora
No campo “Situação em 31/12”, deve constar o valor total pago na aquisição (custo médio), incluindo taxas, e não o valor de mercado.
2. Rendimentos recebidos
Os dividendos distribuídos pelos ETFs são tributados na fonte em 15%. Mesmo assim, devem ser informados na ficha de “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”.
O código exato depende do informe da corretora, mas geralmente é o mesmo utilizado para rendimentos de fundos.
3. Venda com lucro
Caso tenha havido venda com ganho, o investidor deve apurar o lucro mensalmente e recolher 15% via DARF até o último dia útil do mês seguinte à operação. Na declaração anual, esses resultados devem ser informados na ficha de “Renda Variável”.
Como a apuração é individual e depende das operações realizadas ao longo do ano, é importante manter controle das notas de corretagem e utilizar o informe de rendimentos disponibilizado pela instituição financeira.
Escolher as próprias ações ou investir em ETFs?
No Nord Dividendos, adoramos renda extra pingando na conta de forma consistente, independentemente de qual seja o ativo de origem.
Obviamente, nosso foco principal está nas ações e somos extremamente seletivos em nosso “stock picking”, sempre escolhendo empresas sustentáveis e com elevado histórico de execução e pagamento de proventos.
Contudo, enxergamos em um desses três ETFs uma boa oportunidade de diversificar nosso portfólio e melhorar ainda mais nossa rentabilidade de longo prazo.
Nossos assinantes sabem qual é e já estão comprados. Se quiser saber mais sobre essa e nossas outras recomendações, não fique de fora!
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Perguntas frequentes
Existe garantia de pagamento mensal?
Não. A distribuição depende da geração de renda da carteira e do regulamento do fundo.
ETFs que pagam dividendos são melhores que ações?
Depende do objetivo. ETFs oferecem diversificação automática, enquanto ações permitem maior controle da carteira.
ETFs de dividendos substituem fundos imobiliários?
Não necessariamente. São estruturas diferentes, com tributação e riscos distintos.

