4 erros que aparecem até nas melhores carteiras de investimento

Rentabilidade alta não corrige um planejamento incompleto. Confira os 4 erros que a Nord Wealth encontra até nas carteiras mais bem-sucedidas

Caio Zylbersztajn 08/09/2026 08:00 6 min
4 erros que aparecem até nas melhores carteiras de investimento

Há algumas semanas, recebi um empresário para uma reunião de diagnóstico. Era um patrimônio elevado, construído ao longo de mais de duas décadas de indústria. Ele abriu o notebook antes mesmo de o café chegar e me mostrou, com um orgulho legítimo, uma planilha impecável: a carteira dele havia rendido 112% do CDI nos últimos três anos.

“Caio, quero saber o que vocês fariam de diferente.”

Passei a hora seguinte fazendo as perguntas que ele não esperava:

  • O que acontece com esse patrimônio se algo acontecer com você amanhã? 
  • Quanto de imposto a sua família pagaria e em quanto tempo teria acesso ao dinheiro? 
  • Por que 100% dos ativos estão no Brasil, na mesma moeda da sua empresa, dos seus imóveis e da sua renda? 
  • Quem ganha o quê em cada produto dessa carteira?

No fim da reunião, ele ficou alguns segundos em silêncio e resumiu melhor do que eu conseguiria: “Eu passei vinte anos otimizando e focando na coisa errada.”

O diagnóstico que revela os erros mais comuns

Essa cena se repete com uma frequência quase constrangedora. 

No comitê, costumamos dizer que analisar uma carteira nova é como um médico recebendo exames: antes mesmo de abri-los, você já desconfia do que vai encontrar. 

Após centenas de diagnósticos aqui na Nord Wealth, quatro erros aparecem em muitos deles. E o detalhe que mais me chama a atenção: não são erros de gente desinformada. São erros de gente inteligente e bem-sucedida que foi “treinada” pela indústria para olhar e dar atenção à coisa errada.

1. A obsessão pela rentabilidade

O erro mais comum é também o mais contraintuitivo: tratar rentabilidade como a variável central do plano. Na fase de construção de patrimônio, ela raramente é. 

Fizemos uma conta simples: um investidor que aporta R$ 3 mil por mês e consegue extraordinários 13% ao ano termina duas décadas com cerca de R$ 3,1 milhões. Outro que aporta o dobro, com uma rentabilidade bem mais modesta de 9% ao ano, chega a R$ 3,8 milhões, R$ 750 mil à frente, sem depender de genialidade nenhuma.

Gráfico comparando patrimônio acumulado em 20 anos: R$ 3,83 milhões dobrando o aporte mensal a 9% ao ano contra R$ 3,08 milhões mantendo aporte menor a 13% ao ano
 Simulação Nord Wealth: aportes mensais constantes, juros compostos, horizonte de 20 anos. Valores nominais, sem promessa de retorno — o ponto é a matemática, não a previsão

Rentabilidade importa (e muito) quando o patrimônio já é grande. Mas ela nunca substitui a pergunta anterior: rentabilidade para quê

Sem uma definição clara de liberdade financeira (quanto você precisa, quando e com que renda), bater o CDI é só um placar sem um jogo claro por trás. Ah, e, inclusive, muitas vezes o risco corrido por quem almeja uma alta rentabilidade nem é necessário, considerando uma liberdade financeira já atingida ou em vias de ser.

2. Nenhuma linha de planejamento tributário e sucessório

O segundo erro é o mais silencioso e, no limite, o mais caro. É como um seguro: sua importância só aparece quando dá problema. 

A imensa maioria das carteiras que analisamos não tem uma linha sequer de planejamento sucessório: nenhum testamento, nenhuma previdência com beneficiários bem definidos, nenhuma estrutura pensada. 

O resultado prático aparece na pior hora possível. Um inventário no Brasil combina ITCMD que pode chegar a 8%, honorários advocatícios, custas e um patrimônio que pode ficar travado por anos até a partilha sair.

Gráfico de barras mostrando o custo estimado de um inventário sem planejamento para um patrimônio de R$ 10 milhões: R$ 800 mil de ITCMD, R$ 600 mil de honorários advocatícios e R$ 200 mil de custas, totalizando R$ 1,6 milhão
 Estimativas ilustrativas de custos de inventário, considerando alíquota máxima de ITCMD e faixas usuais de honorários e custas. Os valores variam por estado e por complexidade do espólio

O contraste é que os instrumentos que evitam boa parte disso são simples e baratos: previdência bem estruturada, doação em vida com usufruto, testamento e holding, quando faz sentido.

3. Alocação internacional simbólica (ou inexistente)

O Brasil representa cerca de 2% da economia global e menos de 1% do mercado acionário mundial. Ainda assim, a carteira típica que chega para diagnóstico tem de 95% a 100% em ativos locais. Tudo na mesma moeda, sob o mesmo risco jurídico e, muitas vezes, o mesmo CEP da empresa, dos imóveis e da renda da família.

Gráfico comparando o peso do Brasil na economia global (2%), no mercado acionário mundial (1%) e na carteira típica analisada pela Nord Wealth (97%)
 *Perfil recorrente nos diagnósticos da Nord Wealth. Fontes dos pesos globais: participação aproximada do Brasil no PIB mundial e nos índices acionários globais

Não se trata de achar que “lá fora é melhor”. Trata-se de gestão de risco elementar: quem tem a vida inteira precificada em real não deveria ter também o patrimônio inteiro precificado em real.

4. A carteira que foi vendida, não construída

O quarto erro costuma explicar os três primeiros. Quando abrimos as posições, encontramos um padrão: NTN-Bs longas, fundos caros e crédito privado que remunera muito bem a quem distribui. 

Quando a remuneração de quem recomenda depende do produto, a carteira tende a refletir os incentivos de quem vendeu, e não os objetivos de quem comprou.

O que fizemos, então, com o empresário do início?

Nenhuma genialidade. Apenas invertemos a ordem das perguntas. 

Primeiro, definimos o número da liberdade financeira dele: a renda que a família precisa, a partir de quando e por quanto tempo. 

Segundo, estruturamos a sucessão, com previdência redesenhada, beneficiários definidos e o desenho societário adequado ao caso. 

Terceiro, construímos a parcela internacional da carteira de forma gradual e planejada, com eficiência tributária. Só então, por último, discutimos produto por produto e substituímos o que existia para remunerar terceiros pelo que existe para cumprir o plano dele.

A ironia é que a rentabilidade tende a melhorar justamente quando deixa de ser o centro da conversa: menos custo, menos giro, menos imposto, menos erro comportamental. 

Mas o ganho principal não aparece no extrato. Aparece na pergunta que ele me fez ao final do processo, bem diferente da primeira: “Então eu e minha família estamos protegidos em qualquer cenário?”. Essa, sim, é a pergunta certa.

Patrimônio grande não corrige planejamento ruim 

Após tantos diagnósticos, aprendi uma coisa que carrego comigo: patrimônio grande não protege ninguém de plano pequeno

Se este artigo te deixou com a sensação incômoda de que algum desses quatro erros mora na sua carteira, essa sensação provavelmente está certa. A boa notícia é que todos os quatro têm solução, quase sempre mais simples do que parece.

A Nord Wealth é hoje a wealth mais premiada do Brasil, com mais de R$ 13 bilhões sob custódia e a única Top Performer nos rankings XP e BTG. Esses diagnósticos que fazemos, ponto a ponto, são a base do trabalho que nos trouxe até aqui — e são exatamente o que te oferecemos agora. 

Fazemos esse diagnóstico com você: revisamos sua carteira ponto a ponto contra os quatro erros, calculamos o custo real de cada um no seu caso e desenhamos o plano para corrigi-los.

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