Invista com disciplina e constância em 2026

2026 começa, mas a disciplina segue sendo o segredo nos investimentos. Veja lições de 2025 e prepare-se com estratégia

Marilia Fontes 01/01/2026 08:00 5 min Atualizado em: 01/01/2026 09:05
Invista com disciplina e constância em 2026

Trabalho no mercado financeiro desde 2008. E se tem algo curioso nessa trajetória é que, a cada crise ou bull market que passa, eu tenho a sensação de que finalmente entendi como tudo funciona. Que agora vai ser diferente. 

Que, no próximo ciclo, vou reconhecer os sinais com clareza, antecipar movimentos sem ansiedade, separar rapidamente o que é ruído do que é tendência e me sentir tranquila nas posições que tomo.

Cada ciclo tem sua própria história

Mas o mercado tem um talento especial para nos lembrar de uma verdade incômoda: todo ciclo é novo. Ele até rima com os anteriores, mas nunca se repete exatamente. 

As causas mudam, os gatilhos são outros, o pano de fundo político, econômico e social é diferente. E o reconhecimento — aquele momento em que tudo “faz sentido” — quase sempre vem depois, nunca antes.

O que 2025 ensinou aos investidores

2025 foi mais um desses anos difíceis de navegar. Talvez um dos mais desafiadores dos últimos tempos. Foram praticamente quatro anos de Bolsa andando de lado, testando a paciência até dos investidores mais convictos, para só então começarmos a ver alguma melhora mais consistente. 

Depois que entramos mais pesado em Bolsa, em 2023, vimos o mercado oscilar bastante. Vimos leitores e clientes aflitos. 

E nós mesmos nos perguntávamos se o preço baixo e as perspectivas de queda de juros seriam suficientes. 

Sim, nós também temos aquela voz interior que questiona tudo o que fazemos.

Mas a alta finalmente chegou este ano. 

E chegou mesmo com um ano eleitoral logo à frente, com incertezas fiscais relevantes e com um cenário que, em muitos momentos, parecia tudo menos favorável. 

Demorou, mas veio. 

Quando a clareza chega, parte do retorno já ficou para trás

Quem confiou no processo e teve paciência viu sua carteira de ações se valorizar depois de muita oscilação. 

Quem esperou “as coisas ficarem mais claras” perdeu uma bela alta.

Eu sempre digo aqui para o time: o que separa um bom gestor de um gestor fraco é que, quando o mercado começa a dar sinais de inflexão, o bom gestor consegue dar o pulo “no abismo” e tomar risco. 

O gestor fraco, muitas vezes, não tem essa coragem. E quando finalmente vê clareza e entra, a assimetria já não faz mais tanto sentido — porque boa parte do movimento ficou para trás.

Juros altos: um freio poderoso

Por outro lado, os juros continuaram elevados. 

Altos por mais tempo do que o mercado gostaria — e, confesso, por mais tempo do que eu mesma gostaria. 

Pensei que, a essa altura, os juros longos já estariam mais baixos e que nossas posições em prefixados já teriam entregado um ganho relevante. 

Isso ainda não aconteceu. Seguimos, por enquanto, ganhando o carrego de manter um IPCA+ 7% na carteira.

Juros altos são um desafio enorme para qualquer classe de ativos, mas, principalmente, para a economia real. 

Apertam o empresário, encarecem o crédito, freiam investimentos produtivos e tornam cada decisão de alocação mais pesada.

Nesse ambiente, muita gente se perdeu tentando “fazer algo”. 

Girar carteira, buscar o próximo trade salvador, correr atrás do ativo da moda, acreditar em promessas de retornos agressivos. 

Menos ação, mais método

Nem todos têm a paciência para aceitar o óbvio: anos difíceis pedem menos movimento e mais método

Pedem disciplina quando tudo parece parado. Pedem constância quando o retorno não empolga.

E isso me leva a uma regra que sigo há anos e que, em 2025, foi reforçada com força: não é o retorno dos seus investimentos que vai te deixar rico; é a disciplina e a acumulação de capital. 

Bons retornos devem ser perseguidos, claro — e é exatamente isso que tentamos fazer aqui. Mas sem constância, sem tempo e sem processo, eles viram apenas episódios isolados.

O risco de perseguir promessas de retorno

Ao tentar forçar retorno onde o mercado ainda não enxergou, o investidor acaba indo para ativos arriscados, sem assimetria, sem fundamentos.

Às vezes, toma um default no meio do caminho e precisa recomeçar do zero. 

Em 2025, vimos os COEs explodirem e metade dos investidores entrar na fila do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em um ano desafiador para o crédito privado. 

O patrimônio de verdade é construído quando o mercado dá a chance. Quando a sua carteira “de sempre”, com boas ações e bons ativos, valoriza. Não quando você acerta a ação que mais subiu no período. 

É por isso que não dá para antecipar exatamente quanto uma carteira vai render. 

Depende das oportunidades que o mercado oferece — e elas não aparecem todo ano.

A importância da disciplina nos investimentos

Se tivesse que resumir o ano em uma frase, seria esta: não foi um ano de bravura, foi um ano de disciplina

Não ganhou quem correu mais risco. Ganhou quem respeitou o processo. 

Quem se manteve alocado em Bolsa porque ela estava barata. Quem estendeu o horizonte de investimento e esperou o trade maturar. Quem não confundiu barulho com tendência e permaneceu bem posicionado.

Para 2026: menos emoção, mais preparo

E talvez essa seja a principal lição para começar um novo ano investindo melhor: bons resultados raramente vêm de decisões emocionantes. 

Eles vêm de decisões repetidas, chatas, coerentes. 

De entender onde está o risco real, de aceitar que retorno sem desconforto quase nunca existe e de lembrar que o mercado sempre testa nossa paciência antes de recompensar nossa convicção.

Entramos em um novo ano sem promessas fáceis. Os desafios continuam. 

Mas uma coisa segue imutável: investir bem não é prever o futuro, é se preparar para ele quando vier. 

E, quase sempre, essa preparação começa pela renda fixa — não como coadjuvante, mas como base. 

Afinal, a renda fixa é a mãe da Bolsa. É assim que os grandes gestores sempre fizeram. Vem ano, passa ano. A estratégia é velha.

Que o próximo ciclo nos encontre menos ansiosos por acertar o próximo movimento e mais comprometidos com decisões consistentes. 

Porque, no fim das contas, não vence quem tenta bater o mercado. Vence quem permanece nele tempo suficiente para colher os frutos.

Feliz Ano Novo. 

Que seja um ano de clareza, disciplina e construção. E que 2026 seja muito próspero para você e toda a sua família.

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